Quando as pessoas passam a acreditar que você cometeu um crime, qualquer coisa que você faça é considerada prova disso.
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Quando as pessoas passam a acreditar que você cometeu um crime, qualquer coisa que você faça é considerada prova disso.
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What I’m watching (2017 Edition) / Alias Grace (2017 Miniseries)
Vulgo Grace (Margaret Atwood)
A história real de Grace Marks, uma menina condenada à morte pelo assassinato de seu patrão, em 1843, no Canadá, é a base para esse romance de Margaret Atwood.
O livro é livremente baseado nos fatos, e conta a história a partir da visão da Grace e de um psiquiatra que tentava estudá-la para, talvez, ajudar a compor um pedido de clemência.
A Grace do livro é uma mulher ideal do imaginário do século XIX (e hoje, né? Porque continuamos aí com ideias de feminilidade não muito diferentes): era bela, recatada e do lar. E a história gira em torno da dúvida de se ela era realmente uma assassina fria ou uma vítima de seu colega assassino.
Eu gostei da história (e da história real por trás, que eu desconhecia) e o livro é muito bem escrito, ele instiga você a querer continuar. A Grace é uma Sherazade, sempre terminando sua narração em momentos emocionantes, que serão continuados no dia seguinte… Ahahaha!
Foi um bom passatempo!
Vulgo Grace – Margaret Atwood
Baseado numa história real, ocorrida no século XIX, envolvendo uma jovem empregada chamada Grace acusada de matar, junto com outro empregado, o patrão e a governanta, que era amante dele, o livro conta, com bastante matéria ficcional, naturalmente, desde a infância de Grace até sua final libertação após 30 anos de prisão. A personagem é brilhantemente construída e, tal como na história de Capitu, nunca saberemos qual foi “a verdade” dos fatos, apesar de um jovem médico, nos primórdios do entendimento de um pouco do funcionamento mental, tentar extrair dela tanto a história lembrada como a parte que ela diz “não lembrar” do dia em que o duplo assassinato ocorreu. Grace, no entanto, que ouvimos o tempo todo falar e pensar, relata apenas aquilo que quer e nem menos conseguimos saber se realmente ela não se lembra. Uma mulher que, apesar da posição subalterna de empregada, sabe ler e escrever e tem uma inteligência bastante avançada para uma mulher de seu tempo.
[Grace conta como uma amiga explica que os patrões] “.. Eram criaturas frágeis e ignorantes, apesar de ricas, e a maioria não conseguiria acender um fogo se os pés estivessem congelando, porque não sabia como e era um espanto que soubessem assoar o próprio nariz ou limpar o próprio traseiro, eles eram por natureza tão inúteis quanto um pinto para um padre – queira me desculpar, senhor, mas foi assim que ela falou – e se amanhã viessem a perder todo o seu dinheiro e fossem atirados na rua, não conseguiriam nem mesmo ganhar a vida com a prostituição, pois não saberia que parte deveria entrar onde e iriam acabar – não vou dizer a palavra – no ouvido, e a maioria deles não saberia distinguir a própria bunda de um buraco no chão.”
[Grace conta sua conversa com Jeremias, um mascate] “As leis são feitas para ser violadas, ele disse, e essas leis não foram feitas por mim nem pelos meus, mas por aqueles que detém o poder e para seu próprio benefício. Mas não estou prejudicando ninguém. Qualquer homem com um pouco de espírito gosta de um desafio, de passar a perna nos outros, e quanto a ser pego, sou uma velha raposa...
.. Ou poderia me tornar um pregador, ele continuou. Do outro lado da fronteira {Estados Unidos], há uma grande demanda por eles, mais do que aqui, particularmente durante os verões, quando os sermões são feitos ao ar livre ou em tendas e as pessoas lá adoram se jogar no chão em acessos, falar em línguas estranhas e ser salvas uma vez a cada verão, ou mais vezes, se possível, e estão dispostas a mostrar sua gratidão com uma distribuição liberal de moedas. É um ramo de trabalho promissor e, se for bem conduzido, paga bem mais que este.”
[Simon Jordan, o jovem médico que conversa com Grace pensa que] “a vontade de Grace é da variedade feminina negativa – ela pode negar e rejeitar com muito mais facilidade do que pode afirmar ou aceitar. Em algum lugar dentro dela – ele viu, ainda que por um breve instante, aquele olhar consciente, até astuto, no canto de seus olhos -, Grace sabe que está escondendo algo dele. Enquanto vai costurando, externamente calma como uma Madona em mármore, está o tempo todo exercendo sua obstinada resistência passiva contra ele. Uma prisão não apenas tranca os detidos dentro dela, como mantém fora todos os demais. Sua prisão mais forte é ela mesma quem constrói.”
"Era 1908, No entanto, se você vier a me esquecer por algum tempo E depois se lembrar, não lamente; Pois, se as trevas e a corrupção deixarem Um vestígio dos pensamentos que eu tive um dia, Será muito melhor que você esqueça e sorria Do que se lembre e se entristeça."
Chistina Rossetti,
"Remember", 1849
"Às vezes eu sussurro a palavra para mim mesma: Assasssina. Assassina. Ela produz um som farfalhante, como uma saia de tafetá pelo assoalho."
- Grace Marks
"Não há nada mais desencorajador do que esperanças erguidas e depois frustradas, é quase pior do que não ter tido esperanças desde o início."
- Vulgo Grace
"É sempre um erro responder abertamente aos insultos de alguém mais forte do que você, a menos que haja uma cerca separando-os."
- Vulgo Grace