Desde a época em que ficara internada, Chariot sofria com alguns apagões e clarões mentais. Vez ou outra se enxergava em um espaço, piscava e estava em outro local, incapaz de discernir direito como havia feito isso. Naquele momento, entretanto, ela parecia saber exatamente o que a levara até onde estava: parada diante de um dos quartos do hotel, encarando a porta, pensando em absolutamente nada enquanto encarava o portal. No caso, sentia que precisava ir até o local, completamente movida pela obsessão recente de descobrir qual era o quarto daquele homem. E agora que descobrira, estava hesitante, pensando se deveria recuar, se deveria deixar o espaço. Até piscar de novo e voltar à realidade: estava no saguão do hotel, com uma revista de embarcações em mãos, encarando e fitando sem cerimônias aquela figura. Aquele homem. Até ter sua atenção chamada, incapaz de discernir se fora por ele ou outra pessoa, o que não significava que havia parado de encará-lo. Por que sentia que o conhecia daquela forma?
@dantelethakis









