A floresta parecia diferente naquela noite, como se tivesse engolido todos os sons e respirasse mais lentamente, fazendo soar como se o próprio tempo tivesse hesitado no passo e ficasse preso ali, entre o farfalhar de uma folha distante e o sussurro abafado do vento morno que, ainda assim, parecia carregar mais do que deveria de modo que Matthew sentiu antes de ouvir, antes mesmo de entender, porque o ar trouxe algo a mais do que folhas dançando: trouxe um nome, soprado entre as árvores com uma urgência contida que se infiltrava por baixo da pele, levando sua mente até Tatiana.
Ele parou no ato, os sentidos se refinando, o corpo enrijecendo não de medo, mas de prontidão, como ferro prestes a ser moldado; e não hesitou em mudar o rumo, se afastando da trilha principal, afundando entre as sombras e a vegetação densa, onde a umidade do solo se confundia com o calor que naturalmente emanava dele, fazendo a mata parecer mais viva, mais densa, mais natural a ele do que de costume. Contudo, não foi como se estivesse fugindo, mas sim, voltando para uma casa conhecida: o Wyatts caminhou sem fazer som, os músculos soltos, os olhos atentos, guiado não por lógica, mas por instinto. Este, digno da primitividade do Vento Sul.
O nome dela ainda pairava no ar como um perfume persistente e ele seguiu até que viu, não com surpresa, mas com aquela confirmação silenciosa que vem quando se espera o pior e ele aparece exatamente como previsto: o filho de Quione estava ali, com seu comportamento tão característico quanto incômodo refletido na forma como falava demais, como se aproximava demais, como se sempre acreditasse que podia invadir o espaço alheio sem pagar por isso. Sempre demais.
Matthew já o observara antes, já o vira tentar se fazer presente onde não era chamado, já vira os olhares que lançava e os sorrisos que esboçava sem serem bem-vindos, mas até ali o jovem ainda se movia dentro de uma linha tênue, de uma margem que, embora desgastada, não havia se rompido, pelo menos até agora, porque era claro que suas importunações para com a filha de Despina jamais chegariam aquele nível.
Matthew se aproximou com o peso de uma tempestade abafada, como calor acumulado antes do estouro, e não anunciou sua presença, porque não precisava: o ar já mudara com sua aproximação, a temperatura ao redor começara a subir lentamente como vapor saindo da terra e não havia mais vento ali, só a expectativa espessa de algo prestes a acontecer, ainda em silêncio, no prenúncio de seus quase dois metros de altura.
O filho de Quione talvez nem o tivesse visto de imediato, mas sentiu — já que todos sentiam — o ambiente parecer menor, o oxigênio mais denso, a presença mais quente, e quando finalmente se deu conta, Matthew já estava ali, parado, firme, não com os punhos cerrados ou os ombros tensos, mas com a mesma quietude de quem observa e decide com o olhar o que vai queimar e revidar. Naquele instante, não havia conselheiro, não havia centurião — havia apenas o filho de Noto diante de uma linha que fora cruzada e o mundo parecia saber que dali em diante, as coisas não seriam mais ignoradas. "Se continuar o que está fazendo, eu te garanto que você conhecerá o submundo antes do previsto." Foi tudo o que disse a Welton, os olhos claros fixos nas costas do outro. Em uma das mãos de Wyatts, uma das espadas curtas brilhando, flamejante, empunhada e pronta para ferir o filho de Quione se ele ousasse desobedecer sua orientação.
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