Ariel: - Passou o cabelo para um dos lados do ombro antes de tirar a torta do forno, parte de si não queria fazer a receita que aprendera com a avó para Kristof, mas a outra admitia que devido a bondade dele e o jeito que ela estava o tratando, precisava fazer. Não demorou muito para que o perfume do doce espalhasse pela casa, e para que escutasse os passos do rapaz até lá - Eu ia fazer o jantar, mas você já havia trazido - explicou, apertando as próprias mãos - Sei que não tenho te tratado da maneira mais simpática, muita coisa aconteceu, minha cabeça está cheia e não durmo direito, acabo descontando em você. Mas... Bem, tem sido gentil comigo então pensei que devia fazer algo em troca.
Kristof: - Kristof trabalhava num rascunho que nunca seria útil, apenas para passar o tempo. Tinha saído mais cedo do trabalho e usualmente ficaria na sala ouvindo musica ou lendo, mas tinha a impressão de que Ariel não se sentia a vontade quando ele estava ao redor, então se recolhera ao escritório para deixá-la mais confortável. Quando deixou o escritório já era noite alta e estava faminto, então qual não foi sua surpresa ao sentir um cheiro forte e adocicado vindo da cozinha. Curioso, guiou seus passos até lá, só para parar no batente da porta chocado. - Oh, você...Uau. - Foi tudo que conseguiu dizer, assentindo de leve em resposta a ela. - Não precisava, mas admito que estou grato. Eu não sei cozinhar, e os doces sempre estão velhos quando chego até o restaurante. Acho que nunca tive algo assim. - Sorriu um tanto sem graça. - Muito obrigado.1:44
Ariel: Você também não precisava fazer muita coisa, sabe? Só senti a necessidade - disse dando de ombros - Eu tinha outras opções mas foi o que deu pra fazer com as coisas que tinham aqui - explicou - Eu não sou das pessoas mais gentis do mundo mas não sou tão ruim quanto pareço.1:50
Kristof: Isso já me parece muito bom. - Por fim entrou na cozinha, tentando espiar a comida. Lançou um olhar a judia, ponderando antes de falar. - Não acho que seja uma pessoa ruim, só que não se sente muito bem em relação a mim, e acho que posso entender isso também.1:55
Ariel: É só muita coisa acontecendo em pouco tempo - disse pegando um prato e talheres e estendendo para ele - Não acho que muitas pessoas teriam sua paciência.1:59
Kristof: Obrigado. - Agradeceu, pegando os objetos. - Eu não acho que muitas pessoas estejam na nossa situação. Mas de qualquer jeito, como não poderia? Não é como se ser rude com você fosse a fazer se sentir melhor quando estou por perto, algumas coisas precisam de tempo. Como isso, - Com um gesto indicou o rosto dela que estivera machucado. - Aos poucos vai sumir, também acho que aos poucos vai aprender a confiar em mim.2:07
Ariel: - Passou os dedos de leve no rosto - Está quase sumindo, hun? Vai ser bom não ter que olhar no espelho e lembrar do que fizeram comigo, e talvez ajude um pouco a pensar que essas marcas não estão mais sendo feitas por você.2:17
Kristof: Você não precisa mais se preocupar com isso enquanto estiver aqui. Apesar de que não acho que ficará muito tempo. - Estendeu o prato para que ela servisse. - Podemos sentar para comer? Acho que se conversarmos mais, talvez possamos virar amigos.2:23
Ariel: Não por muito tempo? - repetiu, pegando o prato com as mãos um tanto trêmulas com o pensamento de ir para um dos campos - Sim, podemos.2:26
Kristof: Oh, me desculpe, não quis assustá-la! - Pousou a mão sobre a dela para dar apoio. - Quis dizer que vou tentar dar um jeito de mandá-la para um lugar seguro. Aqui não será bom para você sempre, então tenho que cuidar disso, sabe?2:32
Ariel: - Suspirou aliviada, fez um esforço para não rejeitar a ajuda do rapaz instantaneamente, mas não demorou muito para fugir do toque dele e se sentar - Bom, por um momento pensei que iria...2:36
Kristof: Não vai voltar para lá. Eu não tenho certeza de porquê eu pai escolheu te trazer, mas prometi que cuidaria de você e vou cuidar. - Assentiu solenemente, sentando-se a mesa. - Se quiser me perguntar algo, pode ir em frente. Eu nunca fui bom em puxar papo, mas sou bom em ser honesto.2:39
Ariel: - Assentiu, servindo-se do doce antes de voltar a fitá-lo - Por que você está fazendo isso? Trabalhando aqui, quero dizer.2:45
Kristof: - Kristof apertou as mãos uma contra a outra sob a mesa, sentindo os resquícios do toque da garota começarem a desvanecer. Fora estranho, não costumava a tocá-la e sabia que ela tampouco queria que ele o fizesse, mas a sensação não fora nada ruim. Ariel sempre lhe parecia alguém que tendia a extremos, no entanto ao toque a pele era morna e a mão hesitante, não um extremo, mas o misto de ambos. Fitou-a, um pouco surpreso pela pergunta objetiva, esperara começarem por coisas mais simples. - Acho que pelo mesmo motivo que a maioria: é um dever. No começo todos se alistavam por acharem que era uma honra ou coisa assim, mas eu nunca gostei desse tipo de coisa. Tive que ir, é claro, nada é pior do que um traidor da nação, especialmente um que é filho de um oficial. Felizmente nunca vou a campo.2:56
Ariel: - A sua parte raivosa tinha uma resposta para aquilo em mente, porém a moça mordeu o lábio de leve para evita-la - Faz sentido - concordou com a cabeça - A maioria das pessoas que estão lá não são más pessoas, sabe? - balançou a cabeça - Isso não vem ao caso... E o que gostaria de estar trabalhando agora?3:03
Kristof: Eu sei disso. - Fez uma breve careta, completando mentalmente é por isso que evito pensar nisso. - Construindo casas, é o que eu fazia antes. Tinha planejado fazer uma grande para a minha família, com um jardim de verdade e muito espaço...Mas bem, eu nunca casei, então só viraram planos. - Deu de ombros.3:07
Ariel: Ainda pode ter isso - disse - Uma esposa, filhos e uma casa que você planejou... Espero que essa guerra acabe logo e torço para que não tire nenhuma chance de ter o que queria. Deus sabe o quanto machuca perder uma família - disse a última parte baixa, começando a comer.3:17
Kristof: Eu espero que sim. Espero que depois disso todos ainda possam. - Suspirou, ficando em silêncio por um momento para provar a torta. - Isso é seriamente, seriamente bom! - Indicou a torta com um garfo. - Você definitivamente vai conseguir um marido. - Brincou sem pensar muito.3:22
Ariel: Obrigada, é receita de família - lançou um sorriso que teve que forçar por mais tempo com a brincadeira dele - Minha vó também me dizia isso, fazia questão de falar que eu tinha feito o doce em todos os eventos que íamos.3:28
Kristof: E você sempre ganhava muitos elogios, não é? - Sorriu, comendo mais uma garfada. - Minha mãe nunca foi de cozinhar, eu tampouco sei, então praticamente vivo da comida do restaurante aqui perto. Não saberia nem por onde começar algo assim.3:32
Ariel: Eu não gosto de me gabar, mas... - deu um pequeno sorriso, comendo um pouco - Não tem irmãos ou algo assim?21:25
Kristof: Não, sou só eu agora. Eu tinha um irmão mais velho, mas ele sempre teve o corpo fraco e...Foi inevitável. - Encolheu os ombros, mas logo voltou a sorrir para evitar que a conversa derivasse a tópicos ruins. - Foi por causa dele que visitei seu país, meus pai tinha um conhecido que era médico lá..21:28
Ariel: Oh, eu sinto muito - disse um tanto nervosa - Sério? Um médico? Você sabe o nome dele? Meu pai é médico, talvez eu saiba quem é.21:36
Kristof: Está tudo bem, isso foi há mais de dez anos...Eu devia ter uns 11 ou 13 anos na época, e passei a maior parte de tempo no jardim do hospital, então não lembro de muita coisa só que meu pai o conhecia e ele devia era meio alemão porque falava na língua e...- Fitou-a por um momento, logo maneando a cabeça negativamente. - Engraçado, ele tinha uma menina, acho que era filha ou sobrinha e eu lembro dela porque ela tinha olhos claros como ele, o que não era comum lá. Acho que o seu tipo físico lá é mais comum do que eu pensava.21:56
Ariel: Não tanto, na verdade, sou assim em parte porque meu avô é alemão... Está bem, isso está ficando muito entranho.22:07
Kristof joined the chat22:26
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Kristof: Sim, isso está bem estranho. - Torceu os lábios, voltando-se para o prato. Um pensamento começava a se formar em sua mente e ele tinha que conter a vontade de encarar Ariel para tentar comprová-lo. - Você gosta de ler? Deve estar se sentindo entediada ultimamente e tenho muitos livros, talvez algo te interesse.22:34
Ariel: - Disse para si mesma que era besteira pensar naquilo, não passava de uma coincidência - Na verdade, gosto sim, bastante.22:43
Kristof: Se quiser pode ir comigo ao escritório depois e escolher alguns.22:44
Ariel: Seria ótimo - sorriu de leve - Difícil de acreditar, mas não tem muito o que fazer aqui - disse irônica.23:01
Kristof: Para mim não é tão diferente. Agora há cada vez menos eventos, e mesmo que tivessem muitos, eu nuca fui bom neles, então me acostumei a ficar em casa e aproveitar as pequenas coisas. - Explicou, afastando de si o prato agora vazio. - Você já jantou? Se sim, a levarei lá agora.23:05
Ariel: Eventos não cairiam mal, me pergunto quando terei um novamente - Não conseguiu evitar um suspiro. Terminou o pedaço de torta, se levantando para guardar o resto - Sim, já jantei.23:13
Kristof: Prometo que tentarei te mandar para fora da cidade logo, então poderá voltar a pensar nesse tipo de coisa. - Repetiu a promessa, ainda que as formas de cumpri-la não estivessem claras no momento, daria um jeito. Levantou-se e deixou o prato na pia, sinalizando com um gesto para que Ariel o seguisse. - Por aqui.23:35
Ariel: Deve estar louco para fazer isso - riu baixo, o acompanhando.0:30
Kristof: Eu nunca "trafiquei" pessoas antes, estou ansioso pela ideia. - Brincou, seguindo com ela até o escritório e abrindo a porta do mesmo. - Pode pegar o que quiser, eu não o deixo aberto durante o dia porque guardo alguns projetos aqui, mas sempre que precisar de algo é só me dizer.0:35
Ariel: Eu quero dizer, ter a casa para você, novamente - explicou, esperando que ele abrisse a porta para entrar, tentou ao máximo evitar a expressão de repulsa ao ver projetos do rapaz, desviando logo o olhar para a estante dele - Bem, qual é o seu favorito?0:48
Kristof: Hm, acho que meu favorito muda de tempo em tempos. Mas o mais recente deve ser...- Passou os dedos sobre as lombadas dos livros, até achar um não muito grosso de capa azul. - É um romance simples, me da esperança de algum modo. Acho que gostaria.1:02
Ariel: Obrigada - disse pegando o livro, evitando toca-lo um pouco - É melhor algo mais calmo por agora.1:15
Kristof: Mas escolha o que quiser, dê uma olhada por ai. Não vou ditar o que você deve ler.1:18
Ariel: - Deu uma risada forçada - Só quero algo que não foque em um romance.1:21
Kristof: Oh, entendi. Você não deve querer pensar nesse tipo de coisa no momento. - Reprimiu uma careta, percebendo o deslize. - Tenho alguns livros de fantasia, parece melhor?1:23
Ariel: Eu só não quero pensar no que provavelmente perdi - soltou, devolvendo o livro - Sim, com certeza.1:32
Kristof: - Ele abraçou o livro contra o peito num gesto infantil, hesitando por um momento. - Os livros estão naquela estante, são os com as capas mais coloridas. A maioria está em inglês porque minha mãe os usava para me ensinar algumas coisas. - Indicou com um gesto o lugar, aguardando que ela fosse até lá para se pronunciar sem ter de fitá-la. - Você tinha...Tem, alguém lá fora? Alguém que veio para cá também?
Ariel: Meu inglês é bom - concordou, seguindo a direção que ele indicara e começado a olhar os títulos. Demorou um pouco para assimilar e responder a pergunta dele - Sim, quero dizer, não estava comigo quando me acharam. Ele foi preso antes. 1:50
Kristof: - Kristof mordeu o lábio, incerto de como responder aquilo. Nem mesmo sabia porque estava tão curioso e não era muito gentil de sua parte questionar sobre aquilo, mas agora o estrago já fora feito. - Ele é seu namorado? Se me disser o nome talvez eu o localize. 1:56
Ariel: Noivo - corrigiu, lançando um olhar ao dedo anelar agora vazio - Abel Baum - sentiu a garganta apertar um pouco ao falar o nome do noivo, antes de virar-se para ele - Eu não quero que procure nada dele, nada agora, não estou pronta para saber o que aconteceu ou o que pode estar acontecendo com ele. 2:19
Kristof: Abel Baum. - Repetiu, sentindo um gosto estranho na boca ao pronunciar o nome do judeu. Os destinos possíveis do homem não eram nada agradáveis e Kristof não pode evitar a pontada de culpa na consciência. - Entendo, entendo. Me desculpe por ter perguntado, não voltarei a fazê-lo. - Assentiu solenemente, ainda que tivesse estrategicamente evitado prometer não procurar pelo rapaz. Teria que saber dele, o tempo só contava contra, não a favor naquele caso. 2:24
Ariel: Eu agradeço se não fizer - falou, querendo terminar com aquele assunto de uma vez, finalmente escolhendo um dos livros - Eu acho que ficarei com esse mesmo, se não se importar, é claro. 2:40
Kristof: Não, claro que não me importo. - Forçou um sorriso. - Eu ainda não jantei, se tivermos acabado aqui, vou fazer isso e voc~e pode começar sua leitura. 2:42
Ariel: Está tudo bem, já escolhi - disse saindo do escritório - Se você quiser mais um pedaço da torta, basta esquenta-la um pouco no forno - acenou com a cabeça - Obrigada pelo livro. 2:45
Kristof: Obrigado pela torta. - Disse trancando a porta do escritório. - Boa noite, Ariel, até amanhã. 2:56
Ariel: Até amanhã - concordou seguindo para o quarto.










