Damas de Honra - PARTE UM
Não é novidade para ninguém naquela pequena cidade distrito de Washington que quatro meninas de personalidade completamente diferente eram melhores amigas. As quatro não se desgrudavam nunca, nem um segundo sequer. Era cômico o jeito que elas brigavam entre si, o jeito que brigavam com todos. Era uma amizade única, uma amizade que duraria pa... Ok, quem estou tentando enganar?
Cat sempre foi alvo das atenções, mas não quando estava com as outras três. Quando elas brincavam de pique esconde e pega-pega, era sempre pra Cat que sobrava. E nem ela nem ninguém nunca achava as outras três, porque num canto esquecido da casa de Cat havia um espaço onde elas se escondiam. Sempre quando isso acontecia, Cat saia correndo para o colo da mãe. Cat sempre foi mimada pela mãe. Sempre ganhava os melhores presentes e morava na maior mansão da cidade. Sua mãe é milionária, resultado de sete divórcios com pensões altíssimas.
As outras três não eram milionárias, mas viviam bem. A amizade entre as quatro sempre foi conturbada porque Cat fazia questão de dizer que as outras não tinham dinheiro o suficiente para comprar algumas coisas, sempre humilhava uma das três a cada dia. Mas seu alvo preferido era Sophia, porque aquela ali não rebatia os xingamentos. Melanie e Lua até tentavam humilhar Cat do mesmo jeito, mas Sophia não deixava e se fosse possível, defendia Cat. Mesmo sendo amigas, Melanie, Sophia e Lua não gostavam de jeito nenhum de Cat. Por motivos óbvios. E Sophia a defendia porque sua mãe, Branca, lhe ensinou a respeitar os outros acima de tudo.
Aos 18 anos, elas se separaram. Lua e Melanie foram morar em Nova York para fazerem faculdade e Sophia ficou na cidade para cuidar de sua mãe, que estava doente. Agora, quatro anos depois, Lua e Melanie estão formadas – Lua em teatro e Melanie em letras. Lua está a procura de um trabalho e Melanie produzindo um romance, que já está quase pronto.
Há quase dois meses Lua recebeu uma ligação de seus pais, dizendo que faziam questão da ida das duas na bodas de prata do casal. E como Lua não poderia recusar, afinal, é a comemoração de 25 anos do casamento de seus pais, as meninas aceitaram sem reclamar. Essa viagem seria boa para renovar os ânimos das duas e rever os amigos e parentes, faria bem.
A festa seria dali há cinco dias, uma comemoração simples, segundo Maria Claudia, mãe de Lua. Apenas a família e amigos do casal (lê-se a cidade toda) compareceriam. Mesmo Claudia insistindo para que eles não chegassem antes do dia da festa, as meninas resolveram comprar a passagem para dali há três dias.
Os dias se passaram rápido e já era hora de ir pra casa. O alto-falante anunciou a ultima chamada para o voo 5463 com destino a Washington. Algumas horas depois Lua e Melanie estavam paradas em frente à casa que um dia, foi uma das rotas de fuga para aquele trio imbatível e agora é habitada apenas pelos pais de Lua.
As duas estavam de frente para a casa e não viram quando cinco mulheres pararam atrás delas. Só foram perceber a presença de outros seres ali, quando uma voz aguda e irritante chamou-as:
- NÃO ACREDITO! É mesmo Melanie Nunes Fronckowiak e Lua Maria Blanco na minha frente? – as meninas se viraram, rolando os olhos, ao reconhecer aquela voz extremamente irritante.
- Meu Deus! Caitlyn? É você mesma? Menina como você mudou! Está mais... linda?! – Lua sorriu. Ah, essa é sua especialidade: atuar.
- Não vou dizer que é seus olhos, porque não é mesmo! – ela gargalhou, sendo seguida por três das quatro mulheres que estavam a sua volta. Lua, Mel e a outra garota soltaram uma gargalhada falsa.
Mel parou e olhou para essa garota, que até então, estava escondida atrás das outras. E, ah meu Deus, ela conhece aquele rosto de algum lugar. Espera. Não me diga que é a...
- SOPHIAAAAAAAAAA? – Melanie gritou, sem se importar se deixaria todos surdos ou não.
- Oi Mel. – Sophia saiu de trás das outras e acenou para suas duas melhores amigas. Sem pensar duas vezes, Lua e Mel saíram correndo para abraçar a garota, que quase caiu no chão com o ato. Doidas como sempre.
- Menina do céu que saudades! Nunca mais, NUNCA MAIS fique sem nos dar noticias tá? Quero dar uns tapas em você, mas a saudade é tão grande que mais tarde eu faço isso. Agora vamos para dentro, porque queremos saber de tu-do que você está aprontando! – Lua desfez o abraço e puxou Sophia pelo braço, sem se importar com as outras. – Melanie, gata, traz minha mala, por favor? – olhou para trás e piscou para a morena.
- Lua, Lua, Lua. Folgada como sempre! – Sophia comentou gargalhando em seguida e sendo acompanhada por Lua.
- Não se acostume, viu? – Mel resmungou rangendo os dentes e entrando com as duas malas em mãos, deixando Caitlyn e as outras três desconhecidas plantadas na calçada.
...
- Então senhora Sophia, pode ir contando. Como anda a vida? – Lua perguntou deitando na cama de seu antigo e pequeno quarto, que ainda se encontra com as paredes cobertas por pôsters de bandas de rock, após matar as saudades dos pais, que lhe agarraram e começaram a chorar assim que viu as meninas entrarem pela porta da frente.
- Hm, ela anda com os pés?! – Sophia brincou.
- HAHA muito engraçada você. Agora cresça. – Mel ironizou, também deitando na cama ao lado de Lua.
- Ok – Sophia suspirou tristonha -, do que vocês querem saber? – deitou na cama do lado esquerdo de Lua.
- Hm, quando fomos para Nova York você estava namorando aquele nosso amigo, o Micael. Então começamos por ai. Como anda esse amor de infância? – Mel falou olhando para o teto branco, igual às outras meninas. Sophia suspirou tristonha mais uma vez.
- Ah, ele tá bem. Continua milionário e lindo, cobiçado por todas... E bom, vai se casar. – Sophia sorriu de lado.
- AAAAAAH! Garota, tu vai se casar e nem nós falou? – Lua sentou na cama, olhando para a amiga – Ei, espera. O que foi? Você devia estar feliz com seu casamento, não? Sophia Abrahão por que você está chorando? Não, não chora. Você não o ama mais, é isso? SOPHIA ME DIZ POR QUE VOCÊ ESTÁ CHORANDO ASSIM?! – ela começou a se desesperar assim que viu a amiga chorar desesperadamente.
- Lu... Ele vai se casar, mas não comigo. – Soph respondeu voltando a chorar e sendo acolhida nos braços das amigas.
Passaram-se intermináveis minutos até ela conseguir segurar o choro. Deitaram-se novamente na cama com Sophia no meio sendo abraçadas pelas duas outras.
- Soph, mas vocês estavam tão felizes! Porque acabou? – Mel falou após perceber que a amiga já havia acalmado.
- Foi há alguns meses, acho que quatro meses atrás. A gente ia se casar, estávamos tão felizes que parecia que nada estragaria. Um dia brigamos feio e ele passou a noite fora de casa, dois meses depois ele foi até minha casa depois do trabalho e terminou tudo. De uma hora pra outra. Eu perguntei o motivo, mas ele disse que não queria me ver sofrer. E então abriu a porta e se foi... Uma semana depois fiquei sabendo que ele se casaria com outra porque... porque ela está grávida. – ela falou com os olhos marejados.
- Ai amiga, não sei o que dizer. Eu não queria que você passasse por isso, desculpa por eu e Mel não estarmos aqui com você.
- Tudo bem meninas. Vocês tem a vida de vocês lá, não tem com o que se preocupar com algo aqui. – sorriu.
- Nada disso, menina. Você é nossa irmã e melhor amiga! Nossa vida está aqui, com você e nossa família. – Lua repreendeu-a.
- Soph, posso fazer uma pergunta? – Mel falou receosa.
- Claro que pode neném. – sorriu fraco com o apelido.
- Quem é ela? – sussurrou com medo da reação da amiga.
- Ah, é a Caitlyn. – ela sussurrou segurando o choro novamente.
- O QUE?! – Lua berrou.
- Eu não acredito que aquela víbora fez isso! EU VOU MATAR ELA! – Mel falou e saiu correndo quarto a fora.
- Sophia, por favor, não chore! Temos que ir atrás da Melanie, você sabe do que ela é capaz de fazer com que odeia, principalmente com a Caitlyn! – Lua falou desesperada.
- Tem razão, nada de chorar agora. Temos uma amiga assassina para alcançar. – Sorriu.
















