(Meu melhor amigo) - parte 5.
.3 meses. 3 meses depois do dia que minha vida se tornou mais triste. Eu e Micael, tivemos alguns momentos de recaídas e apenas nesses momentos eu me sentia viva, me sentia feliz. A Rayssa já estava com quase 5 meses e mesmo assim sua barriga continuava intacta, coisa que começava a ficar estranho.
- Soph, ela não está grávida. Olha a barriga dela. Não cresce. - Ele repetia o que parecia ser a milésima vez.
- Eu sei que está estranho. Mas Micael, ninguém mente que está grávida com 19 anos. E outra, ela mobiliou um quarto de bebê, você mesmo disse. - Falei sentando na minha cama. Tínhamos largado da faculdade e ele almoçou aqui.
- Isso não significa nada. Eu vou levá-la ao médico amanhã, sem falta. - Falou firme - e você vai comigo.
- E… Eu? Eu não! Leve sua mãe - A essa altura a mãe de Micael já sabia da gravidez, mas assim como Micael, não estava muito convencida
- Não. Você vai comigo. E vai ver que isso tudo não passa de uma maluquice. Sophia, ela fala com a barriga.
- Tem um bebê na barriga dela. Ela não fala só. - Respondi o mirando e ele passou a mão nos cabelos, coisa que fazia quando estava nervoso.
- Não tem bebê. Você vai ver. - Ele se jogou na minha cama suspirando.
[…]
Aposto que todo mundo já passou por uma situação a qual nunca se esqueceu. Eu estou no meio de uma delas. Imagine que você está num carro com o seu melhor amigo, que você está apaixonada, e com a mãe do futuro filho dele. Pois é, agora essa é a minha realidade. Estamos indo para o hospital, e nunca me senti tão desconfortável como agora. Eu achava que a Rayssa iria ficar jogando piadinhas o tempo inteiro, mas não. Ela nem pareceu se abalar com a minha presença, e nem tentou me provocar. Parecia que no mundo agora só existia ela e o bebê. Nem pro Micael ela ligava mais.
Depois de muito pensar, nós chegamos ao consultório. Fizemos todos os procedimentos e entramos na sala. O médico franziu o cenho, mas achou que eu era a melhor amiga da Rayssa.
- E então, quando podemos ver meu bebê? - Ela falou sorridente alisando a barriga inexistente.
- Podemos. Mas, não dará pra ver o sexo, o feto ainda está muito pequeno.
- Como assim? Ela já está com 5 meses. - Micael falou e ele arregalou os olhos.
- 5 meses? Impossível. - Olhou para a barriga dela - Senhorita, levante-se e deite-se ali que eu vou lhe examinar. - Ela assentiu e foi.
Aquilo estava estranho. Micael sorria torto, como se aquela consulta só estivesse confirmando o que ele sempre achou, que nunca houve bebê. O médico estava bem confuso e concentrado. E eu? Bem, eu não sei o que eu estou fazendo aqui até agora.
O médico a examinou e colocou gel sobre sua barriga, ligou o aparelho e na tela apareceu… Nada. Exatamente isso. Não aparecia nada. Ele mexeu pra lá, mexeu pra cá e nada.
- Eu estou vendo meu bebê, doutor. - Ela falou enquanto limpava uma lágrima e eu comecei a ficar assustada. Como assim ela estava vendo o bebê? Ninguém estava vendo o bebê, porque ele não existia.
- Rayssa, limpe-se e venha até aqui. - O doutor falou e ela não se moveu
- Mas doutor, eu ainda quero ver o meu bebê.
- Venha Rayssa. - Ele falou calmo e ela foi fazer o que ele pediu. Minutos depois estávamos os 3 sentados em frente a mesa do médico.
- Então senhorita, você não está grávida. - Ela o olhou como se ele fosse louco
- Claro que estou. Eu sinto meu bebê. - Ela nos olhou como se pedisse uma explicação e só aí eu comecei a perceber o que de fato estava acontecendo.
- Rayssa, não existe bebê nenhum. - O médico repetiu paciente
- VOCÊ ESTÁ LOUCO! MEU BEBÊ ESTÁ AQUI, EU POSSO SENTI-LO. - Eu a olhei e senti muita pena. Notei que não era fingimento ou nada do tipo, ela realmente acreditava estar grávida.
- Rayssa, calma… Olha… - Micael falou e ela começou a chorar
- Eles querem tirar meu bebê.
- Rayssa, não tem bebê.
- TEM SIM! Sophia… - Ela me olhou, suplicando e eu me aproximei - Não deixa eles tirarem meu bebê, por favor. - Eu a abracei
- Calma, vamos pra sua casa. Lá a gente conversa. - Nunca pensei que um dia isso iria acontecer, mas aconteceu.
Algum tempo depois, eu estava sentada na cama de Rayssa, na casa dela, enquanto ela dormia, depois de um calmante.
- Eu disse que não tinha bebê. - Micael sussurrou no meu ouvido e eu me virei. Ele sorriu e eu me levantei com cuidado, saindo do quarto.
- É, você estava certo. - Dei um sorriso triste e ele franziu o cenho
- Você não está feliz?
- Estou com pena dela. Ela realmente achava que estava grávida. - Dei um sorriso forçado e ele me abraçou.
- Não fica mal. O médico me explicou que isso é um caso raro, mas que acontece com algumas mulheres. É algo como gravidez psicológica. – Assenti - Ele só não sabe porquê ela desenvolveu isso.
- Hum… Ela não tem amigas?
- Nenhuma próxima. Pelo que me lembro ela tem uma prima, ou algo assim, que ela gosta muito.
- E os pais dela?
- Moram fora do país.
- Ok… Então vamos ligar pra essa prima dela. Enquanto isso, eu vou ficar passando aqui pra ver como ela está. - Ele assentiu ainda sem entender o porquê de eu estar fazendo aquilo.
Eu sei, isso não faz o menor sentido. Mas eu não gosto e não consigo deixar as pessoas sozinhas quando elas precisam de ajuda. E mesmo que eu não goste da Rayssa, ninguém merece enfrentar um problema desses sozinha.
[…]
- Chegamos. - Micael falou assim que chegamos em frente as nossas casas.
- É… Então eu vou indo. - Me preparei pra sair, mas ele segurou meu braço.
- E agora? Como ficamos? - Seu olhar era como de um cachorrinho que caiu da mudança
- Er… Nós… Não sei. - Respondi sincera
- Eu tenho uma sugestão: podemos simplesmente parar de fingir que não estamos apaixonados, que não estamos com saudades um do outro e acho que podemos recomeçar de onde paramos antes dessa história de gravidez. - Ele falou tudo de uma vez.
Pois é, já falei do problema do Micael com sinceridade né?
- Er… Você tem que fazer um filtro do cérebro pra boca. - Ele riu alto
- Falou a que não fala nada sem pensar, né? - Eu ri - Agora é sério. Fica comigo… Por favor… - Ele falou manhoso e eu o abracei, me enroscando nele como uma gata mansa e inalando meu cheiro preferido.
- Mesmo se eu quisesse dizer não, meu coração não deixaria. - Peguei sua mão e coloquei sobre o meu peito, que pulsava fortemente - Ele chama por você. Não parou um segundo se quer de te chamar. - Ele sorriu largo, olhando nos meus olhos - Eu te amo. - Falei as tão famosas palavrinhas.
É bem estranho você falar ‘Eu te amo’ pela primeira vez pra uma pessoa que você já disse ‘Eu te amo’ milhares de vezes. Mas tanto eu, quanto ele, sabíamos que dessa vez era diferente. Dessa vez eu não estava falando para o meu melhor amigo. Eu estava falando ‘Eu te amo’ para a pessoa que fazia meu coração pulsar mais rápido, a pessoa que fazia minhas mãos ficarem tremulas, a pessoa que me deixava corada com um elogio, a pessoa que eu estava perdidamente apaixonada.
- Eu também te amo! - Ele falou antes de selar nossos lábios.
[…]
- Não sei se foi seu sorriso, se foi sua sinceridade ou se foi o jeito que você me abraçava. Não sei se foi o seu cheiro, se foi seu jeito ou se foi o jeito que eu me sentia sempre que estava perto de você. - Ele sorriu e seu sorriso me iluminou. Ele me perguntou os motivos que me fizeram gostar de um ser idiota como ele e eu estava respondendo
Estávamos na praia. Aquela mesma praia onde tudo começou. Ela como sempre, estava vazia. Exceto por um casal apaixonado sentado na areia e uma garotinha correndo tentando subir uma pipa.
- Eu te amo. Amo cada pedacinho seu. Amo você por inteiro. - Ele me beijou. Um beijo calmo, que expressava tudo que se passava na minha cabeça e no meu coração.
- Soph, Miiiiica. - Escutei Anne falar e nós separamos sorrindo
- Oi princesa. - Micael falou e ela sorriu
- Não consigo subir a pipa. - Fez um bico
- Sempre esse bico. - Ele falou me olhando, fazendo uma cara de sofrido - Vamos. Eu te ajudo a subir a pipa. - Ela sorriu e antes de levantar, ele sussurrou no meu ouvido ”Não posso falar as coisas que me fazem te amar”
- Por que? - Perguntei confusa.
- Elas são infinitas. Eu amo até o jeito que você escova os dentes, mulher. - Ele falou e eu ri alto, enquanto ele começava a correr com Anne.
Minha vida estava completa. Nada me faltava. Fazia um ano desde que eu decidi ficar com Micael. Nunca rolou pedido de namoro, pois nunca precisou. Ele sabia que eu era dele e eu sabia que ele era meu. Não precisávamos de rótulo, não precisávamos seguir padrões. Precisávamos apenas um do outro.
[…]
”Eu sou mesmo privilegiado. A Sophia é maravilhosa por dentro e por fora. Eu tenho ela só pra mim, uma que ilumina não só minhas noites, como também meus dias. Te amo, princesa!”- E depois de ler essa mensagem, adormeci com um sorriso nos lábios.
Fim
ADAPTADA DE LUAR, CREDITOS A AUTORA! LINK DA WEB> http://mybesthalfluar.tumblr.com/post/84170397269/web-luar-cap%C3%ADtulo-%C3%BAnico-meu-melhor-amigo













