noface não era de beber. bebia, claro, normalmente quando lhe era oferecido ou quando saia. mas não é o tipo de pessoa que compra um vinho para si ou que possui bebidas dando sopa em sua residência, prontas para alguma ocasião. mas naquele dia em específico, agarrara uma garrafa de tequila e decidira que agora seria o tipo de pessoa que bebe uma tequila. porque quem sabe, talvez, se é uma pessoa que consegue mudar assim de rosto, pudesse também ser alguém que mudava de personalidade conforme desejado. e se assim fosse, poderia tirar coisas de si, cortar partes que não gostava, sim? bem, tequila é horrível. sua opinião, ao menos, e ficara bêbada rápido demais. que horas são? os olhos, preguiçosos e irreverentes às ordens do cérebro, até capturaram números indicados pelo relógio, mas abandonara logo em seguida a ideia de descobrir que momento da noite era aquele. agora, os pés tinham tomado independência e cravavam uma intensa jornada numa direção desconhecida. chame de memória muscular, e também a chame de maldita, mas só se pegara reconhecendo onde ia quando já estava longe demais para desistir. cruzando a entrada de sua casa. mão bate na porta três vezes. será que ele ouviu? uma quarta vez. não tenho certeza se foi forte o suficiente para ser audível. quinta. ele pode estar dormindo. então desiste e anda o caminho de volta. mas ele nunca dorme esse horário. para, e espia as janelas em procura de luz. ele pode ter mudado. e enfim, o som da porta. "oh. hi." olhava, com os olhos bem arregalados, como se fosse uma surpresa vê-lo ao bater na porta de sua casa. "você abriu." @whitcrvbbit













