If our love is tragedy, why are you my clarity? || Willobel
Isobel estava radiante em seu vestido. Não havia moça mais bonita em toda Carmesim Grun naquela noite. No entanto, tentava erguer o queixo e parecer confiante, altiva. Mas estava nervosa. E se não estivesse adequada? E se a festa fosse um fracasso? Fechou os olhos e respirou fundo, soltando todo aquele ar retido com a boca. Precisava relaxar, sorrir mais. E foi quando começou a descer as escadarias que levavam ao salão principal que encontrou seu querido pai a esperando. Segurou sua mão e o deixou conduzi-la até a festa. Conforme se aproximava do fim da escadaria era aplaudida pelos convidados que a assistiam. Todos queriam parabenizar a princesa, mas apenas quarenta e um deles teria uma chance de tomar sua mão para uma dança. A música tocava alta e ela não se lembrava de ter visto tantas pessoas juntas assim em seu último aniversário. Algo estava diferente. A decoração estava mais bela, a sonoridade do ambiente mais animada e a guerra ao redor de Wonderland parecia ter sido silenciada por algumas horas. Ter nascido em pleno Glorian Day era uma verdadeira bênção. Sem isto, desconfiava que Elizabeth nem mesmo autorizaria que uma festa como aquela fosse realizada para a loira. Usava o feriado apenas como uma desculpa para festejar o dia em que nascera, já que para sua mãe aquilo era motivo de luto.
Seu pai teria o prazer da primeira dança. Para Bell, a primeira e a ultima valsa eram sempre as que duravam mais, as mais importantes. E as outras destas eram apenas borrões com pessoas diferentes conduzindo-a como uma boneca de pano pelo salão, para lá e para cá, com toda a graça e elegância que havia aprendido a manter com o melhor professor de dança do reino. Seu pai a girara e a erguera no ar algumas vezes, coisa que ninguém mais em Carmesim Grun teria coragem de fazer. Muitos não sabiam o que esperar da menina, então mantinham sempre a mesma formalidade requisitada pela rainha perante suas filhas. No entanto, se outra pessoa o fizesse, Isobel ficaria um tanto surpresa pela audácia e coragem de seu novo acompanhante, ou nova acompanhante, já que tanto homens e mulheres poderiam tirá-la para dançar. Dessa forma, os quarenta e um postos seriam preenchidos mais rapidamente. Um cavalheiro tomou-a de seu pai quando terminaram e o ciclo vicioso começou à partir daí. Um por um, alguns eram habilidosos condutores, mas outros nem tanto. E a princesa se viu tendo que improvisar e salvar o baile sem explodir numa gargalhada. Não para zombar dos dançarinos, mas era engraçado, ora essa! Isobel também sabia rir e estava se divertindo como nunca! Esquecera sobre as cobranças sobre si, a pressão para obter a coroa e a indiferença de sua mãe. Até mesmo sua ambição desenfreada. Uma situação deveras incomum.
Enfim, o penúltimo cavalheiro tomou sua mão. Os músicos estavam animados, a canção que tocava era bastante animada. Bell explodiu em gargalhadas enquanto batia as mãos em palmas animadas e brincava com passos rápidos e precisos com os pés. Qualquer um teria se encantado com a loira naquele instante. Gira por conta própria ao redor de seu acompanhante, seu vestindo armando-se num belo círculo todas as vezes. Puxava o tecido que fazia a saia do mesmo quando precisava para não pisar na bainha e tropeçar. Seria um verdadeiro caos, estragaria tudo. Felizmente, nada ruim acontecera. Ainda. Havia perdido as contas quando a valsa com o quarentesimo rapaz chegou ao fim. O último já se aproximava para convidá-la. Seus pés nem mesmo começaram a doer. Ela ofegava, pouco cansada, mas estava pronta para a última rodada. Os olhos do estranho mascarado eram familiares, mas com toda aquela pompa era difícil dizer quem era quem por ali. Estava curiosa para ver o que este cavalheiro guardava nas mangas. Um novo passo? Algo estranhamente empolgante que a faria querer repetir a musica só para embalar-se ao som dela outra vez? O sorriso de Isobel iluminava sua face, tanto quanto seus olhos azuis de pura excitação.











