↳ Relationship development; intraterrestrial. Willobel. [01/##]
I wanna be forgotten, and I don't wanna be r e m i n d e d. I wanna be beside her. She wanna be a d m i r e d.
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↳ Relationship development; intraterrestrial. Willobel. [01/##]
I wanna be forgotten, and I don't wanna be r e m i n d e d. I wanna be beside her. She wanna be a d m i r e d.
If our love is tragedy, why are you my clarity? || Willobel
Isobel estava radiante em seu vestido. Não havia moça mais bonita em toda Carmesim Grun naquela noite. No entanto, tentava erguer o queixo e parecer confiante, altiva. Mas estava nervosa. E se não estivesse adequada? E se a festa fosse um fracasso? Fechou os olhos e respirou fundo, soltando todo aquele ar retido com a boca. Precisava relaxar, sorrir mais. E foi quando começou a descer as escadarias que levavam ao salão principal que encontrou seu querido pai a esperando. Segurou sua mão e o deixou conduzi-la até a festa. Conforme se aproximava do fim da escadaria era aplaudida pelos convidados que a assistiam. Todos queriam parabenizar a princesa, mas apenas quarenta e um deles teria uma chance de tomar sua mão para uma dança. A música tocava alta e ela não se lembrava de ter visto tantas pessoas juntas assim em seu último aniversário. Algo estava diferente. A decoração estava mais bela, a sonoridade do ambiente mais animada e a guerra ao redor de Wonderland parecia ter sido silenciada por algumas horas. Ter nascido em pleno Glorian Day era uma verdadeira bênção. Sem isto, desconfiava que Elizabeth nem mesmo autorizaria que uma festa como aquela fosse realizada para a loira. Usava o feriado apenas como uma desculpa para festejar o dia em que nascera, já que para sua mãe aquilo era motivo de luto.
Seu pai teria o prazer da primeira dança. Para Bell, a primeira e a ultima valsa eram sempre as que duravam mais, as mais importantes. E as outras destas eram apenas borrões com pessoas diferentes conduzindo-a como uma boneca de pano pelo salão, para lá e para cá, com toda a graça e elegância que havia aprendido a manter com o melhor professor de dança do reino. Seu pai a girara e a erguera no ar algumas vezes, coisa que ninguém mais em Carmesim Grun teria coragem de fazer. Muitos não sabiam o que esperar da menina, então mantinham sempre a mesma formalidade requisitada pela rainha perante suas filhas. No entanto, se outra pessoa o fizesse, Isobel ficaria um tanto surpresa pela audácia e coragem de seu novo acompanhante, ou nova acompanhante, já que tanto homens e mulheres poderiam tirá-la para dançar. Dessa forma, os quarenta e um postos seriam preenchidos mais rapidamente. Um cavalheiro tomou-a de seu pai quando terminaram e o ciclo vicioso começou à partir daí. Um por um, alguns eram habilidosos condutores, mas outros nem tanto. E a princesa se viu tendo que improvisar e salvar o baile sem explodir numa gargalhada. Não para zombar dos dançarinos, mas era engraçado, ora essa! Isobel também sabia rir e estava se divertindo como nunca! Esquecera sobre as cobranças sobre si, a pressão para obter a coroa e a indiferença de sua mãe. Até mesmo sua ambição desenfreada. Uma situação deveras incomum.
Enfim, o penúltimo cavalheiro tomou sua mão. Os músicos estavam animados, a canção que tocava era bastante animada. Bell explodiu em gargalhadas enquanto batia as mãos em palmas animadas e brincava com passos rápidos e precisos com os pés. Qualquer um teria se encantado com a loira naquele instante. Gira por conta própria ao redor de seu acompanhante, seu vestindo armando-se num belo círculo todas as vezes. Puxava o tecido que fazia a saia do mesmo quando precisava para não pisar na bainha e tropeçar. Seria um verdadeiro caos, estragaria tudo. Felizmente, nada ruim acontecera. Ainda. Havia perdido as contas quando a valsa com o quarentesimo rapaz chegou ao fim. O último já se aproximava para convidá-la. Seus pés nem mesmo começaram a doer. Ela ofegava, pouco cansada, mas estava pronta para a última rodada. Os olhos do estranho mascarado eram familiares, mas com toda aquela pompa era difícil dizer quem era quem por ali. Estava curiosa para ver o que este cavalheiro guardava nas mangas. Um novo passo? Algo estranhamente empolgante que a faria querer repetir a musica só para embalar-se ao som dela outra vez? O sorriso de Isobel iluminava sua face, tanto quanto seus olhos azuis de pura excitação.
Isobel Carmesim’s outfit and mask for her 41th Birthday.
questions about your character.
♥ - What does ‘love’ mean to them? ♠ - What are they afraid of? ♦ - What is one thing about them that they are most proud of? ♣ - What is one thing that they find embarrassing? (About them, others, things in general) ★ - Do they prefer daytime or nighttime and why? ☾- Are they prone to nightmares or dreamless sleep? ☼ - Something that/Someone who makes them happy. ☁ - If they’re caught out in the rain how do they react? ♪ - Are they musically inclined? ♫ - What kind of music do they enjoy? ✓ - How do they react to praise? ✕ - How do they handle rejection? ☺ - Do they prefer sour or sweet treats? ❄ - Favorite season and why? ☮ - Do they have an idol or someone they look up to? ❤ - Do they have a love interest? ✖ - Who is someone they just cannot stand? ♔ - Do they value loyalty? ♕ - Do they trust easily?
I feel like I'm the worst, so I always act like I'm the best || @Dimell {flashback}
A loira de corpo rechonchudo e pequeno invadia os salões e corredores da fortaleza vermelha e os preenchia com gargalhadas e brincadeiras fora de hora. Ela tinha cinco anos e mais parecia um furacão. Se comparassem o seu comportamento dessa época com o atual, certamente veriam uma pessoa diferente surgir no auge de seus quarenta anos. Outra Isobel. Agora mais tímida, retraída e reservada. Também confusa e dissimulada, mais Carmesim. A menininha de rosto sardento, como mil beijinhos de anjos, outrora imitava um passarinho com os braços abertos e muito bem esticados enquanto corria em direção ao seu quarto. Fazia barulhinhos com a boca para avisar aos criados que estava passeando tão impetuosa. Sua ama, coitada, corria atrás da menor afim de segurá-la e contê-la, mas a princesa era duas vezes mais ágil.
Era tão curiosa quanto um filhote de gato, explorando tudo à sua volta, perguntando sobre estrelas, a santa Árvore e até sobre a morte. Sobre os soldados e as guerras, os casamentos arranjados e as flores engraçadas que agora já desbotavam a tinta rubra. Mas quando o assunto chegava em “Alice” tudo virava um silêncio mortal. Ninguém desobedeceria as ordens da própria rainha e contaria as façanhas da humana intrometida. Que já deveria ter seus vinte anos ou mais. Nunca chegou a conhecê-la. Ouvia apenas os rumores aqui e ali, a mais nova ia aprendendo aos poucos. Era tão astuta quanto uma Carmesim poderia ser. Tudo bem, talvez até um pouco mais.
Sua atenção foi capturada por uma capa reluzente e verde. As letras em relevo dourado e as gravuras estonteantemente coloridas. Um sorriso travesso apareceu em seus lábios, um risinho escapou-lhe quando o pensamento de “tomar” o objeto emprestado ocorreu-lhe. Ninguém repararia. Era tentador. Precisava descobrir o que era aquilo em cima da mesa de ouro. Com alguns pulinhos e as mãos esticadas, conseguiu pegar o livro segundos antes da gravidade puxá-la para baixo. Caiu de traseiro mas não se importou. O joelho estava machucado, mas a pequenina nem mesmo sentira. Estava animada. O objeto era estranho, familiar. O reconheceu. Por que não estava na biblioteca? Certamente esperavam que ela o encontrasse. Foram feitos um para o outro! Era isso! Estavam tão predestinados quanto seus pais!
A menina dançou brevemente sobre o tapete, um ato desengonçado e altivo. Não haveria problema algum se outra pessoa a visse assim, seu quarto estava logo ali naquele corredor. Subir na cama alta fora um verdadeiro desafio para a Carmesim corpulenta. Escalava os próprios lençóis e os desforrava. Não descansava. Puxava-os resfolegante até atingir seu objetivo e deitar no acolchoado cansada e orgulhosa de si mesma por ter conseguido subir na cama sem a ajuda de ninguém. O trabalho desta vez fora dobrado já que a pequena recusara soltar o exemplar de sua mão. Se não pudesse lê-lo completamente, o guardaria ou pediria para que uma de suas damas o fizesse. Mas onde será que elas estavam agora? Teriam desistido da princesa também? Não bastasse sua mãe? Isobel encontrou a si mesma sozinha no quarto, ela e sua única companhia dali em diante: um livro.
new romantics * @willobell
William mal teve tempo de admirar a beleza da jovem que estava na sua frente. A loura fazia questão de usar um linguajar um tanto estranho para o inglês mas um tanto normal para os padrões desse lugar louco. O engraçado era que ele não conseguia sentir um pingo de medo da Carmesim, as visões tinham tirado o seu medo. Mesmo que ela tivesse um punhal atracado em sua garganta, ele sentia que não tinha como temê-la, mas, mesmo assim, ele gostava mais de ver o sorriso no seu rosto. Will gemeu ao sentir a ponta do punhal contra a sua garganta e demorou para processar que ela iria mesmo fazer algo de ruim contra ele, o que o mesmo achava impossível. Engoliu em seco e tentou mais uma vez procurar em sua mente alguma história ou fato que poderia tirá-lo dessa enrascada que tinha sido colocado. Agora ele tinha que se xingar algumas vezes mentalmente por ter saído do castelo naquela hora e totalmente sozinho.
A verdade…? Ela só queria a verdade? E se a verdade fosse fazer com que ela enfiasse aquele punhal e tirar a vida dele? Era uma coisa que o impedia de dizer qualquer coisa, seus olhos azuis abaixaram para olhar o punhal e ergueram-se para encarar os olhos azuis furiosos da garota. E nessas de abaixar o olhar, ele viu o volume dos seios dela se projetando para frente, quase pulando do vestido. Aquilo o fez desviar o olhar rapidamente e engolir em seco, as bochechas ficaram rosadas por achar que fosse um tarado. Estava desejando uma moça que empunhava um punhal e queria matá-lo, era uma coisa bem estranha até mesmo para os padrões Wonderland. Por fim, ele resolveu gaguejar um pouco – ainda estava nervoso por achar a protagonista dos seus sonhos. – E-eu? E-espião?! Eu to vestido como a corte de Marfim! – E realmente estava. Antes de sair do castelo, ele se certificou que estivesse usando as vestes adequadas, caso encontrasse pessoas não desejáveis.
A loura fazia com que Will se sentisse intimidado, estava nervoso e atado com um pedaço de pano, se sentiu um idiota por isso. Como podia ter deixado acontecer? Henry e James iriam fazer piada se soubessem o que estava acontecendo. – Eu sou… Eu sou um Nobre! Da Corte de Marfim, estava andando pela Floresta das Vozes e você me raptou! – William engoliu em seco e balançou a cabeça. – Você… Você não pode me matar porque… É o meu desaniversário! – E quando viu, William deu mais uma desculpa esfarrapada e talvez até desse certo, mas só talvez, a moça ainda parecia bem raivosa pelo seu gosto. – Okay, não sou um Nobre… Eu sou um Liddell. Por favor, não me mate.
Isobel rolou os olhos quando as mentiras foram simplesmente cuspidas pelo rapaz. Ele não sabia que falava com uma princesa e portanto mentir estava fora de cogitação? Talvez estivesse errada em demonstrar misericórdia à ele. Deveria tê-lo matado à pauladas na floresta minutos antes. Depois rolaria seu cadáver nas profundezas do Pântano ou o atiraria no abismo da Ponte Inversa e o veria apodrecer ali, aos poucos e longe de qualquer sinal de misericórdia das Irmãs Um ou Dois. Ainda tinha tempo de cortar sua garganta. Quem sabe os peixinhos da Gruta não gostassem de comer carne podre? Seria um Liddell a menos em Wonderland. Então se lembrou que teria que mantê-lo vivo até que o entregasse à sua mãe. Ela certamente faria com que o menino perdesse a cabeça. O que seria uma pena já que o garoto em questão era notoriamente atraente. Se pertencesse a Carmesim Grun certamente já teria tentado seduzi-lo. Mas obviamente, este não era o caso.
“Posso muito bem reconhecer o sotaque de qualquer intraterreno por aqui. Não me trate como uma imbecil, Liddell. Em pouco tempo vais perceber que não sou uma.” Murmurou, notando o olhar do rapaz ir até seu colo, para depois desviar-se do mesmo rapidamente. Como se ele estivesse com vergonha. E estava. Corava como uma bonequinha. Carmesim franziu o cenho, achando aquilo muito divertido. “Quantos anos tens, humano? Doze? Nunca vistes um par de seios antes? Qual é o teu problema? Os homens da tua terra natal também se comportam como bebês perto de uma mulher? Oh, então eu é que não quero visitá-los nunca.” A loira riu sarcasticamente e aquele som contraditoriamente doce ecoou por toda a gruta. Até que era divertido tirar sarro de um prisioneiro de tortura. Mesmo que ainda não o tivesse torturado apropriadamente. Todavia não pensava em começar. Ele parecia ser uma bagunça ambulante, tal como ela. Os olhos selvagens e trêmulos, ela gostou de observá-los, intimidá-los. A sensação era boa; talvez isso significasse a grandeza e a insanidade do sangue Carmesim em suas veias.
A súplica alheia, no entanto, era uma gota entorpecente de razão e calma na consciência da princesa. O que ela estava fazendo? Iria mesmo matar aquele rapaz? Estava tão disposta assim? Que pensamentos obscuros agora tomavam sua mente? Verdade seja dita, Isobel estava chegando aos limites de um colapso nervoso. Tamanha era a pressão sobre seus ombros. Seria este o seu verdadeiro eu? Bell piscou as pálpebras algumas vezes e praguejou os quatro cantos do Purgatório Tweedle em alto em bom som. Em cinco segundos de uma coragem sem precedentes, ergueu o punhal com ambas as mãos, como se se preparasse para afundá-lo num dos olhos do estranho. Mas ao invés disso, cravou a lâmina reluzente na parede rochosa atrás dele, a centímetros de distância de seu pescoço. Retirou uma das mãos do ombro do jovem e a usou para massagear as próprias têmporas ao invés disso. A respiração funda, desgoverganada. “Muito bem, Liddell-imundo-que-eu-nem-sei-o-nome. Dê-me apenas uma boa razão para mandá-lo direto à minha mãe, a Rainha de Copas, ao invés de matá-lo aqui mesmo e jogar teu corpo à deriva das moscas. Mas seja breve, por favor, eu não tenho a tarde toda.”
I've been dancing with the devil and I love that she pretends to care @Edbel
Edwin não tinha consciência de quantos minutos haviam passado desde que adentrara ao castelo. Sabia que era dia quando havia entrado e também sabia que ainda seria dia quando chegasse ao quarto de Isobel. No entanto, a cada passo dado ele sentia como se a distância continuasse a mesma. O lugar definitivamente era imenso. Cumprimentava cada soldado que encontrava durante trajeto, tentando esconder a espécie de sacola que carregava. Seu conteúdo? Livros e mais livros. “É um pedido da princesa… Não acho que ela gostaria que alguém bisbilhotasse suas coisas” era a resposta dada a cada questionamento feito a respeito do que estava carregando.
Perdera-se tanto em seus pensamentos e desculpas que mal notara que já estava diante da porta alheia, fitando-a por alguns segundos antes de enfim pigarrear, endireitar a postura e bater duas vezes ali.
Isobel guardava seu pequeno globo de vidro com uma miniatura de Carmesim Grun dentro. Quando sacudido, fazia cair floquinhos de um material branco parecido com a neve nas telhas de cristal do pequeno castelinho. Ganhara de Dimitre em seu não-desaniversário de cinco anos. E ela gostava de mantê-lo sobre seu criado mudo, que não era tão mudo assim. A princesa o chamava de George, o móvel resmungão, por motivos óbvios. Fazia um pedido todas as manhãs com o objeto que ganhara de presente em mãos, antes de finalmente balançá-lo. E então simplesmente deixava a falsa neve cair. Talvez um dia a Árvore a atendesse. Seu pai disse uma vez que o objeto era mágico. Mesmo tendo desacreditado em contos de bruxas há muito tempo, precisava perseverar nisso até o fim. Um dia após o outro, era assim que Bell lidava com sua longevidade.
Distraiu-se quando ouviu batidas na porta. Franziu o cenho e a encarou por alguns segundos antes de finalmente se levantar para atendê-la. Haviam guardas nos corredores, então não poderia ser alguém perigoso, certo? Com este pensamento, reparou no quão desconfiada era. Balançou a cabeça para focar-se e virou a maçaneta, encontrando um amigo que não via há algum tempo. Um sorriso iluminou seu rosto sardento e ela o abraçou. “Edwin!” Disse alegremente. “Que bom ver você! O que me trazes desta vez?”
Will you still laugh, little darling, when your breath become poison? || @Lucibell
A loira passeava por Wonderland, os limites dela, para ser mais exata. No fim da floresta havia um canto proibido, o cúmulo de tudo o que é oposto. Se chamava Pântano do Riso, o lugar preferido de Isobel. Não para passar o tempo, isso é óbvio, mas sim para observar de longe. Tinha medo de se perder lá dentro, qualquer um teria. Por mais que vez ou outra adentrasse - com o nariz tampado - a parte superficial do mesmo para coletar ervas daninhas e medicinais. Usava-as para fazer chá. Ou para pregar peças nos mau humorados do castelo, fazendo-os beber o líquido e passarem o resto da tarde gargalhando. Era divertido ser o motivo do riso de alguém, mesmo que tivesse de forçá-los. Vez ou outra atirava pequenos animaizinhos já machucados que encontrava na floresta dentro do pântano e os observava enquanto perdiam o fôlego. Talvez assim não sofressem mais. Pareciam tão felizes. Mesmo que estivessem morrendo aos poucos. E era fascinante. Se caísse daquela depressão certamente rolaria terra abaixo direto para sua morte. Um mero escorregão poderia ser fatal. Principalmente com toda aquela névoa sombria subindo até os limites da floresta, deixando a visão de qualquer criatura desatenta turva e fraca.
Mas as vozes da floresta a avisaram sobre a chegada de uma estranha. A confundiram com a maldita Alice Liddell outra vez. A outra garota, para sua surpresa, era uma deles! Pela Irmã Dois! Essas crianças pareciam uma praga impertinente que ela não conseguia extinguir de jeito nenhum! Escondeu-se atrás de uma grande moita e a espiou. Era sorridente, radiante e suas bochechas naturalmente coradas traziam-lhe um ar tão vivaz que sua beleza poderia ser comparada aos âmbares intraterrenos. E o pior era que a Liddell parecia ser tão doce quanto as frutas. Isobel sorriu de canto e saiu com cautela de seu esconderijo. Uma cobra traiçoeira rondando sua vítima antes de fincar suas presas na mesma, estudando-a. Analisando tudo sobre ela. Sua fala, seu sorriso, seus olhos e até mesmo o cabelo. Sentia como se a estranha fosse seu reflexo. Acabou dando um passo para trás, a Liddell a tinha visto. Engoliu em seco e encorajou-se o bastante para manter a linha tênue de seus lábios curvada num sorriso calmo e gentil.
“Ah, é você quem está aí!” Ela disse, se aproximando um pouco de Lúcia com ares de menina inocente. “Puxa, que susto! Eu pensei que fosse um ladrão! Essas árvores vivem cochichando birutices! Mas é bom saber que somos só nós duas aqui. Espere, você não veio me roubar... ou veio?” A princesa deu de ombros como se descartasse tal possibilidade. Esticou uma das mãos para sugerir um comprimento, um aperto amigável das mesmas. “Prazer, me chamo Victorie Barcholett. E você é a...?” O nome de sua avó fora a única coisa plausível e considerável que passara pela sua cabeça naquele instante, seguido do sobrenome de sua escritora favorita. Ambos serviriam por enquanto.
Back to those March days || Jem & Bell
Cansado de vagar pelo castelo e não encontrar nada que se assemelhasse a uma biblioteca, Jem decidiu ir até a vila, onde talvez tivesse mais sucesso em sua busca. Pelo tempo que pareceu cerca de quinze minutos, andou sem encontrar o sinal de um livro, até que, finalmente, avistou um prédio com a aparência de uma livraria e entrou, ansioso para conhecer a cultura daquele mundo. No entanto, eram muitos livros, vários cujos títulos fugiam à compreensão de James. Com tantas opções, era difícil escolher por onde começar, ainda mais sem entender muito bem do que se tratava cada uma das histórias. Foi então que localizou uma dama sentada em uma poltrona, com um volume de capa azul em suas mãos, e se aproximou dela.
“Com licença” falou Jem, parando ao lado da moça de cabelos dourados. Por um minuto, esperou uma resposta, ou ao menos um sinal de que havia sido ouvido. “Senhorita? Perdoe-me por interromper sua leitura, mas será que poderia me dar a honra de ter alguns segundos da sua atenção?” E mais silêncio. Talvez ela sofresse de alguma deficiência auditiva, considerou James, antes de ter mais uma ideia de como ser notado: se ajoelhou, de frente para a menina, tentando ocupar algum espaço em seu campo de visão. “A senhorita teria alguma sugestão de um livro para eu ler?” Nada. A expressão de seu rosto permanecia quase inalterada, exceto por um vinco sutil entre suas sobrancelhas. Não deveria ser uma moça muito simpática, Jem pensou, dando um sorriso. Diferentemente das outras pessoas, rudeza não afetava negativamente o humor do rapaz, muito pelo contrário. Sua persistência era uma hidra. “Os soldados vermelhos…” leu em voz alta quando se levantou, tentando enxergar as páginas do livro nas mãos dela, ao perceber que ainda não havia obtido sucesso. “O que está lendo? Poesia?” perguntou ele, começando a caminhar ao redor da poltrona onde a dama se encontrava. “Não haja impedimento à união/ de almas fiéis; amor não é amor/ se se altera ao ver alteração/ ou curvar a qualquer pôr e dispor./ Ah, não, é um padrão sempre constante/ que enfrenta as t—“ E, antes que pudesse terminar o soneto, Jem derrubou uma cadeira, propositalmente. “A senhorita não deve conhecê-lo. É um de meus preferidos” falou enquanto levantava o móvel, embora não fosse completamente verdade, uma vez que o rapaz tinha vários poemas antes daquele na sua lista de favoritos. A mentira era, de certa forma, justificável. Shakespeare era infalível para atrair a atenção das moças, humanas ou não.
“E a correnteza arrastou Kyeva para os braços da morte como se a ossuda anfitriã já a aguardasse com as órbitas igualmente saudosas”, pelo menos era o que dizia o livro. Ela não poderia morrer dessa forma. Não poderia de jeito nenhum! Ainda estava na metade! Certamente voltaria. Neil provavelmente a salvaria. Mas não. Aquelas escrituras não faziam parte de romance algum. Era apenas a história de um casal de revolucionários muito conhecidos que viveram há séculos atrás em Wonderland. Equiparavam-se ao Romeo e à Julieta do mundo mortal, obra tão aclamada de Shakespeare. A única diferença era que Kyeva e Neil realmente existiram, que tolice! Também destacavam-se os fins deveras mais trágicos que ambos tiveram. Aquele volume nas mãos da princesa era um documento real, reescrito com capricho por Heidgard Barcholett. A escrita da mulher deixava tudo ainda mais divertido. O apreço de Isobel por páginas com histórias reais, cartas sobre leis, livros de política era desproporcional a quantidade de notas que tratassem de tais assuntos no reino. Já havia devorado as folhas amareladas de cada singular volume na biblioteca real. Certos livros Elizabeth preferia manter afastados e muito bem escondidos de sua filha mais nova, afim de não dar-lhe idéias parvas como as do casal revolucionário sobre os quais agora lia. Era um verdadeiro ato de rebeldia longe da fortificação vermelha onde morava. O mais longe que Isobel chegaria de desobedecer sua rainha. No fim, a curiosidade era sempre maior que o medo.
O rapaz que adentrara o ambiente empoeirado não passava de um estorvo qualquer. Havia um rígido costume em Wonderland que pregava a conservação do lazer de qualquer cidadão sem que outra pessoa -- ou metamorfo, ou criatura -- o interrompesse de forma tão brusca e absorta. Onde estavam seus modos? Ora essa! Que absurdo! Teria que ignorá-lo também como fazia com os demais inferiores que tentavam perturbá-la nesses momentos sagrados de puro reconforto? Detestava ter que fazê-lo. Era até difícil controlar seu primeiro impulso de rolar os olhos ou até mesmo rir do garoto expondo-se ao ridículo cada vez mais. Estava tão distraída e absolta em sua leitura que nem ao menos notou no impostor seu débil e estranho jeito de falar. Passou mais uma página e continuou a ler. Mas era difícil quando havia uma voz latejando em sua cabeça. “Ei, me dê atenção! Olhe pra mim! Eu preciso te incomodar!” Era insuportável. Estava mais do que claro que o desconhecido não pararia tão cedo. Resolveu finalmente direcionar o olhar para ele. Fora um ato cético e calculado, até mesmo digno de pretensão. O poema que recitara era bonito. A lógica do mesmo a preocupava, a confundia. Nunca lera ou ouvira nada parecido. Não eram versos intraterrenos. Isobel ligou os pontos quase que automaticamente, arqueando uma das sobrancelhas e crispando os lábios para disfarçar um ranger de dentes. Muito bem. Vamos ver até onde isso vai dar. Sentiu a súbita necessidade de estudá-lo. Sendo assim, ergueu o dedo indicador e apontou para uma prateleira repleta de livros dedicados apenas às Carmesins, todas as gerações de monarcas vermelhas. Mas havia um especial para o qual referia-se silenciosamente. Uma de suas edições prediletas.
new romantics * @willobell
A pancada o botou em um sono praticamente obrigado, sua cabeça doía um bocado mas durante a sua estadia no mundo dos sonhos e inconsciência, Will nem chegou a perceber. Aliás, ele estava tendo mais uma daquelas visões esquisitas que tinha tido enquanto ainda estava na Inglaterra. Tinha uma menina loira, uma caçamba e um sorriso enorme em seu rosto. Ela estava carregando coisas na caçamba que Will nem pode ver o que era, só que sua mente focou no seu magnífico rosto de boneca com as sardas favoritas de William bem perto do seu rosto. A franja lhe caía pelo rosto enquanto ela fazia esforço para puxar a droga da carroça que estava um tanto emperrada. A satisfação do seu rosto estava tão radiante que Will sorriu, murmurou alguma coisa mas sem que fosse algo decente. E depois disso ele apagou novamente, sentindo a pancada na cabeça mais forte.
Quando William voltou a si, estava em um lugar úmido, suas mãos estavam atadas atrás do seu corpo, a visão não era das melhores, estava tudo tão escuro que não conseguia ver nada. Gemeu, sentindo dor tanto na cabeça quanto no seu corpo, parecia que tinha sido arrastado lá para dentro, como um saco de pancadas. Ele respirou pausadamente para analisar os danos no seu corpo, eram poucos e por isso ele tratou de relaxar. Não havia nenhum motivo para ter medo ou algo assim, tinha? Claro que não. Não era como se o que ele tinha visto fosse verdade e… Seu pensamento parou assim que a menina loira dos seus sonhos apareceu em sua frente. O seu rosto era duro, como se tivesse com raiva, olhava para Will como se ele fosse um prato de carne que ela iria comer. E ele nem percebeu isso, só olhava o quanto ela parecia com a garota que tinha sonhado desde sempre e sempre procurava! Finalmente ele a tinha achado! – Bell!
Isobel estava com calor. Arrastar um corpo pesado como aquele desde a floresta até a Gruta Arco-íris era uma tarefa difícil para uma dama. Mas ela conseguiu cumpri-la utilizando atalhos que conhecia muito bem. Sua testa gotejava e sua respiração estava um caos quando chegou perto da gruta. Não demorou muito para abandonar o rapaz desacordado no interior da mesma para se refrescar na água cristalina que Alice havia formado anos atrás com suas próprias lágrimas. Que irônico. Aquele era o único lugar em que poderia interrogá-lo sem ser surpreendida. E por que a garota não o teria levado para sua mãe de uma vez só? Estava no caminho quando o rapaz murmurou algo que a deixara subitamente curiosa. Seu nome e um pedido. Como ele sabia seu apelido? Um estranho como ele? Então ligou os pontos. Certamente era um espião de Nivee. Se o levasse para Carmesim Grun sua mãe o mataria sem nem mesmo questionar suas informações. E Isobel era curiosa. Tinha a oportunidade de ficar à frente de Elizabeth pela primeira vez em algo tão importante. Não desperdiçaria tal fatalidade.
Rasgou um pedaço de seu vestido que já a estava incomodando, próximo ao colo. Aquilo a estava fazendo respirar com dificuldade. Era um verdadeiro carma ser obrigada a utilizar aqueles malditos espartilhos. Aproveitou a tira de tecido arrancada para amarrar as mãos do rapaz atrás de si. Se deitou de bruxou no chão de pedra lisa que formava a gruta úmida, olhando para baixo, onde o lago se escondia e começava a aparecer se você olhasse do jeito certo. Os peixes e as plantas daquele lugar eram tão coloridos quanto um arco-íris. E brilhavam. Faziam isto lindamente e toda sua graça refletia no teto também de rocha lisa. Vez ou outra molhava o dedo e sentia os pequenos peixinhos beijando sua epiderme delicada. Um sorriso despreocupado escapou de seus lábios. Bell quase se esqueceu de que havia uma pessoa desacordada pouco longe de si. A alegria e inocência esvaíram-se de seu rosto angelical quando o Liddel tornou a chama-la. As bochechas coraram de raiva, o rubor tomou conta de suas unhas.
“Quem você pensa que é pra me chamar assim?! És um espião da maldita de marfim, não é mesmo?” Ela praguejou, abrindo sua bolsa para pegar um punhal. Chegou perto o suficiente do rapaz para impedir que ele tentasse se soltar, empurrando-o sentado contra a parede úmida e mucosa. Uma mão em seu ombro e a outra segurando a lâmina rente ao seu pescoço. “Vamos! Fale a verdade! Quem é você? Um Liddell, não é? Confirme, eu não tenho o dia todo! De onde você veio, uh? Onde está o restante dos descendentes de Alice? Desembucha!” Começou, tentando parecer destemida e inabalável como sua mãe. Não era tão difícil quando tinha mesmos olhos impassíveis e tão gélidos da soberana vermelha. Mas no fundo, Isobel estava apavorada. E se precisasse matá-lo? E se ele não dissesse nada útil? E se não conseguisse intimidá-lo o bastante? Talvez ele até ousasse mentir para a princesa. Não queria ter o sangue imundo do garoto sujando suas mãos. Por um momento, o pensamento de que ele fosse tão inocente naquela história quanto ela passou pela sua cabeça. Uma mecha de seu cacheado cabelo dourado teimou a cair na frente de seu rosto. Mas Carmesim não o retirou. Continuou ali, parada e carrancuda enquanto ainda podia manter a pose. O conflito interno da menina chegava a ser palpável. “O que fazes aqui? Pelo amor da árvore! Responda!”
São negócios. Eu não vejo problema nenhum em punir alguém que não cumpriu com suas palavras.
E se eu acabar não cumprindo minhas promessas um dia, huh? Vai me por de castigo?
YOUR LOVE IS A LIE!!!!!!!!
I never felt something true, to be honest.
I even fake orgasms. Sorry, Lovyn.
Vem mostrar o meu tigrão então martela martela martela o martelao
Mas eu ia acabar quebrando algum dos seus ossos com o martelo, nony!
LEVANTE A MÃOZINHA NA PALMA DA MÃO É O BONDE DO TIGRÃO
you're better than this | bellyra
Deveria ter ao menos imaginado que, para Isobel chegar àquele estado deveria se tratar de Elizabeth. Desde quando as três eram crianças via a princesa mais nova tentando, a todo custo, chamar a atenção e atrair qualquer tipo de carinho que fosse de sua mãe. Mas quem é que consegue ao menos imaginar Elizabeth dando carinho à alguém? Por mais errado que fosse, ao ver a forma como as meninas eram tratadas, Lyra pensava que mulheres como Elizabeth não mereciam o talento de procriar.
— Oh, minha querida… — A criada murmurou, se permitindo acariciar os cabelos loiros e sedosos da princesa com carinho. Tudo o que Isobel precisava, no fundo, era de carinho. Permitiu que a menina falasse tudo o que tinha para falar, assim como permitiria que chorasse tudo o que tinha para chorar. Não sabia como aliviar aquela dor, ou o que dizer para ajudar. Como poderia afirmar que as coisas nem sempre seriam assim? Afinal, Elizabeth sempre seria a mãe de Isobel, e qualquer um que conheça um pouco da rainha do país das Maravilhas sabe que ela jamais mudaria.
A carícia nos cabelos loiros da mais nova se manteve mesmo quando os braços alheios envolveram o corpo pequeno de Lyra, e esta prontamente retribuiu o ato. Apertando a loira em seus braços, dando-a o abraço terno que ela precisava. Queria poder dizer que tudo ficaria bem, acalmar seus soluços e amparar suas lágrimas, mas preferiu ficar em silêncio enquanto apenas a abraçava. — Ela é uma tola por não te dar o valor que você merece, minha flor. Eu sei que você não é uma criança imbecil. — Murmurou, deixando um selar breve na testa da princesa. Lyra então se afastou um pouco, apenas o suficiente para que pudesse tomar o rosto sardento da prima entre as duas palmas delicadas. Fitou-a seriamente nos olhos azuis, apreciando a cor fixa desses tão diferente dos próprios que aderiam uma tonalidade castanho escuro no momento. — Você é incrível, Isobel. É inteligente e encantadora. É linda. E você é muito melhor do que isso, é muito melhor do que qualquer coisa. É melhor do que mil coroas, está me entendendo? E eu amo as suas flores. — Foi sincera como sempre era em relação o seu carinho para com a menina, e tornou a abraçá-la. — O jardim ficou muito mais lindo depois que você começou a cuidar dele. Todos adoram suas flores.
Enfim notou a verdade nas palavras de Lyra. Percebeu que todo o seu esforço fora em vão. Aquelas lágrimas eram apenas um reflexo da tristeza refletida no cinza de suas unhas e pupilas. Sua mãe nunca iria amá-la de verdade. Haveria sempre algo impedindo-a, um incômodo e eterno obstáculo. O pensamento ocorreu-lhe como um choque. E se estivesse de pé, certamente cairia sobre os próprios joelhos. Umedecia os lábios secos e matinha as pálpebras bem fechadas agora que seu rosto estava escondido no ombro esquerdo de Lyra. Era um alívio poder compartilhar isso com alguém, por mais vergonhoso que parecesse. Ao menos alguém ali dava valor ao seu esforço. Realmente achava que os jardins estavam bem mais bonitos agora que Isobel podia cuidar deles. Mas essa era a única coisa boa numa sucessão drástica de notícias ruins.
Aquilo só deixava a princesa mais amarga. Talvez sua mãe já tivesse sido uma pessoa doce como ela e o tempo a corrompera. Porque é isso o que ele faz de melhor. Suas unhas agora se banhavam num vermelho vivo, tão ardente quanto seu sangue. Bell sentia a famosa insanidade Carmesim subir-lhe à cabeça. Afastou-se de Lyra com cuidado, acenando com a cabeça para mostrar que havia compreendido tudo. Essa fora a última coisa pacífica que fizera. Os momentos que se seguiram foram a personificação do caos. Haviam cacos de vidro espalhados pelo chão. Vasos de porcelana fina quebrados pelo piso. O corredor estava uma bagunça. Um surto rápido e devastador. Coisas assim só aconteciam por detrás das portas do quarto da princesa. Ela era a responsável por fazer isto em público dessa vez. “Maldição! Mas está tudo errado! Eu sonhei com as rosas, elas seriam a solução! Tinham que ser!” Numa fração de segundos, se levantou, caminhou alguns passos para longe de Lyra e explodiu próxima a uma taça de vinho que estava sobre uma das mesas. E foi assim que tudo começou.
ai não chora miga vamos ser feliz
Marque minhas palavras, nony. Um dia, não muito distante deste, não haverá uma única pessoa tão feliz e sorridente quanto eu em Wonderland. É uma promessa. Palavra de Carmesim.
Talk about your biggest insecurity.
Não ser boa o suficiente. Nem para Elizabeth, ou Lyra ou até mesmo para o povo intraterreno. É por isso que eu estou sempre lendo sobre Wonderland, afiando minha mente.