com @naovaleumraul.
onde: casa da ópera.
Podia se dizer que a ficha de Gabrielle em relação ao seu futuro estava finalmente caindo: adeus, planos de especialização de restauração de artefatos, adeus, casa de verão no litoral sul da França, olá, sapatilhas de balé e coreografias exaustivas novamente, olá, um papel na história de O Fantasma da Ópera. Não era um sonho bêbado, não tinha sido internada e estava à base de remédios fortíssimos: aquela era a sua vida. Em algum momento, esqueceria de tudo que tinha vivido em seu mundo e seria simplesmente a sapatilha, parte do corpo de balé, encarregada de acordar Christine de seu transe. Talvez não estava internada, mas deveria ser, se realmente acreditava naquilo. De qualquer forma, gostava um pouco da fantasia: vinha passando cada vez mais tempo na Casa da Ópera, se aproximando de Christine e Raul. Julgava engraçado ter acabado no lado dos mocinhos, quando a Gabrielle adolescente teria feito qualquer coisa para auxiliar Erik (ou ficar no lugar de Christine). "Eu falo isso com honestidade! O Raul do filme não é tão bonito quanto você, fizeram de má fé." Sorriu. Imaginava que tinham feito aquilo para deixar Erik mais atraente e realçar a tragédia da história de amor entre ele e Christine, mas não podia falar isso a Raul! "Se eu pudesse voltar ao mundo real," as palavras saíram com tanta naturalidade de sua boca que só percebeu quando tinha as proferido, seu sorriso se tornando um pouco mais triste, "faria uma campanha ao seu favor."







