A Primeira Realidade do "Eu"
Escondida em uma caverna, capaz de dissenir apenas sombras, me privando da realidade, pela mais crua ignorância. Quando enfim me desvencilho das amarras substanciais que me mantinham prisioneira de minha propria conciência, vejo luzes e formas, sinto o vento e o sol. Mas espere o que é isso? Minha mente não acompanha os meus sentidos. Tudo se embaralha dentro de infinitas espirais. Corro de imediato rumo as privações de qualquer sentimento exterior. Digo a mim mesma que as luzes ferem os meus olhos que o vento lacera a minha pele e as novas formas golpeiam o meu ser.Tudo isso, apenas para mitigar a culpa por reduzir minhas infinitas chances. É tarde? Hoje, aqui! Ainda é tarde? Oque fazer? O que desejar? São essas as perguntas pertinentes? Sinto a metanoia incrustada nas entranhas deste corpo que anseia a evolução, mas que se limita em um ergástulo da humanidade. E ainda assim não sei o que fazer. Então pergunto: aqui, agora, é tarde?
YARA VALENTE









