Você leitor, pode me chamar de Macabéa, mas antes que você decida que não gostou do meu texto quero que saiba que eu, como autora, "não tenho a obrigação de satisfazer as suas expectativas". Já que aqui, entre o vasto céu e o inferno onde a solidão impera, aprendi, com um grande mestre e amigo, que não faz diferença a sua boa ou má opinião. Tu, no entanto podes achar isto que te escrevo muito Barroco, entretanto esta é uma belíssima escola literária e uma das quais mais me inspiro. Enfim, peço ajuda às musas do Olimpo para que me guiem nesta construção de palavras e sentimentos. Assim, como o vento que passa silencioso entre as frestas de algum monumento sem que ninguém o receba, eu ando pelos corredores de um imundo labirinto de sentimentos onde nem o monstro que vive trancafiado, aqui dentro, se incomoda em perceber minha humilde presença. Assim sou eu, um alguém que vive entre estrelas, mas sem o direito de toca-las. Uma morte sem consolo, sem amor, apenas expelindo, a cada dia, uma estrela de mil pontas. Então sendo Macabéa sinto, nas entranhas da minha alma, apenas a mais profunda dor que queima e consome cada fragmento do meu ser. As vezes me pergunto o que fiz para merecer "viver" em miséria, até postumamente. Só acompanhei a vida de uma pessoa que carregou o mesmo fardo que eu, ele era conhecido, "O Fantasma da Ópera". A sua dor me impressionou e sua força de vontade de ter a mulher desejada foi mais do que fiz em minha vida e morte. Certa vez meu amigo Brás Cubas me disse para relembrar os sentimentos que tive sobre a minha aparência, lembro-me de nunca chamar a atenção de um homem, pois nunca fui bonita. Lembro-me de comer apenas pão e me sentir satisfeita, será que minhas origens tem relação com i fato de eu não achar merecedora das coisas boas da vida? Espero um dia alcançar essa resposta. Como uma de tantas Macabéas, vejo o tempo como o senhor das transformações e como argumento para persuadi-lo, caro leitor, uso o quadro de Salvador Dali, "Persistência da Memória", o qual mostra relógios com os seus ponteiros em movimento passando a impressão de constante mudança. Porém, Kronus, o senhor do tempo, não me alcançou, pois meu coração continua, até após a morte, imutável. Minha alma queima, porque, hoje, quando olho a vida que a Macabéa em mim teve, vejo o quão infeliz fui, e não sabia. Hoje eu pago pela minha ignorância, estou entre o Tártaro e Os Campos de Eliseo sem ter um lugar à qual pertenço. Um poeta, chamado Augusto dos Anjos, uma vez disse que a solidão é uma Pantera que, quando se torna amiga, é inseparável. É isso que há em mim, Panteras que não conheço ou sequer compreendo. No dia da minha morte enterraram comigo minha ultima Quimera, pois, hoje, no lugar em que me encontro não posso mudar o meu destino, já que agora sou apenas uma defunta que passa seu tempo pensando no quanto se arrepende por não ter lutado por uma estrela diferente. Me sinto agora saindo de uma Caverna e vendo o Sol pela primeira vez, pois agora eu sei o que sinto e, neste momento, sei o que quero deixar para trás, por mais que minha vida estrela não se modifique, e que mudar a minha a minha condição, seja impossível, creio que fará com que eu não me sinta tão covarde por não tentar. É assim, caro leitor, me despeço e agradeço por sua paciência de acompanhar esta metamorfose de sentimentos, pois eu, Macabéa, estou como Gandhi disse, " presa, mas livre". #YARAVALENTE