Bewitch
Capítulo 01
Escuta-se um grito vindo de um dos quartos. Minwoo se levantou rápido da cama, mas não tão rápido quanto seu companheiro, Donghyun, que já estava na porta.
– Tudo bem, Kwangmin? – Perguntou Donghyun, esperando na porta enquanto Minwoo chegava ao lado de Kwangmin o abraçando.
– Foi só um pesadelo, eu estou bem.
– Isso não pode ser normal, toda vez que você medita você tem essas alucinações a noite, deve ter algo a ver com seu poder.
– Não, eu estou bem, já disse.
– O que você viu dessa vez? – Donghyun chegou perto, tocando em seu rosto e levantando para ele encarar o mais velho.
– Eu…eu não lembro.
– Está tudo bem, não está, Donghyun?
Donghyun concordou somente acenando e dando as costas. Eles deixaram Kwangmin sozinho de novo. Toda vez que Kwangmin treinava para recuperar seus poderes, ele tinha algumas alucinações, na maioria das vezes sobre o dia que seus pais morreram, mas dessa vez não foi isso. Ele teve um pressentimento de que as coisas mudariam essa noite, mas ele não sabia se era preciso contar ou não para eles, então ele decidiu guardar esse segredo.
Não muito longe de lá, Jeongmin estava tentando escrever seu livro. Ele estava com mais um bloqueio criativo que o frustrava. A editora já estava no seu pé para saber, pelo menos, o enredo da sua próxima história. Ele era um dos autores mais conhecidos sobre livros de fantasia, onde ele escrevia sobre tudo: lobisomens, bruxas, fadas…
Seu sonho era escrever sobre vampiros, mas ele não queria que fosse igual a todos seus livros, ele queria algo novo, diferente do que ele já fazia, mas não sabia o que.
Ele pegou seu maço de cigarro e ficou estressado de ver que tinha fumado o último sem se dar conta, obrigando agora ele a se levantar e ir comprar um novo, a essa hora da noite.
Andando em algumas ruas, a procura de algo aberto para comprar seu cigarro, ele entra em uma rua escura, que ficava atrás de uma balada, a fim de pedir ao segurança da saída se poderia ajudar ele com informação onde comprar cigarro até conseguir convencer ele a deixar entrar só pra comprar lá ou algo do tipo.
Ele avista, ao longe, dois caras que pareciam estar se agarrando, bêbados. Ele ignora, sabendo que logicamente é o tipo de coisa que ele encontra em vielas na madrugada, até o homem mais alto soltar o corpo do outro no chão, parecendo que estava morto.
Jeongmin, assustado, solta um grito, no impulso e acaba chamando atenção do outro homem que aparece em sua frente tão rápido, que parecia que ele estava ao seu lado e não longe. Esse homem pega ele pelo pescoço, empurrando com tudo na parede, levantando Jeongmin praticamente próximo da sua altura, que era muito diferente da do escritor, por vários centímetros. Ele tentava falar e afastar a mão do outro, mas esse homem era muito mais forte que ele.
Após olhar para o rosto de Jeongmin, ele o solta no chão. Jeongmin pode perceber, mesmo no momento de adrenalina, que o homem tinha sangue em sua boca e roupa. E seus dentes eram maiores do que de pessoas consideradas normais. Jeongmin se levanta, querendo fugir e o moço desconhecido segura pelo braço.
– Nem pense nisso. Não adianta correr, eu vou chegar antes de você pedir ajuda.
– O que…quem…eu…
– O que você viu?
– Eu? Nada, lógico que nada. Se tem uma coisa que eu vi, foi que eu não vi nada.
– Sério? Hmm.... – O homem começava andar em volta de Jeongmin, olhando ele de baixo pra cima – Você parece mais assustado de eu ter jogado alguém no chão do que eu estar com esses dentes aqui
– Eu…eu…
– Qual seu nome?
– Jeong-Jeongmin.
– Jeong Jeongmin, olha é o seguinte. Eu estou bonzinho hoje e vou te levar até meu chefe, pra ele fazer você perder a memória e esquecer o dia de hoje, seguindo livre por ai, fazendo o que você queria fazer em ruas escuras e estranhas.
– Não! – Jeongmin gritou, segurando o braço do homem, que o olhava assustado
– Ah não, é um homem suicida. Eu devia ter acertado essa olhando essa sua cara de alcoólatra. Olha, é o seguinte, eu não vou te matar, se você quiser morrer ao som de alguma música gótica triste pula na frente de um ônibus por favor.
– Eu…eu não quero te esquecer.
A pessoa olhava Jeongmin, tentando entender o porque ela preferia escolher morrer do que esquecer o que tinha acontecido. Isso o intrigava, do porque um ser humano escolheria esse tipo de situação quando se podia continuar vivo.
– Shim Hyunseong. Meu nome.
– Lee Jeongmin.
– Você já falou.
– Ah sim, certo.
– Você não está assustado comigo e com isso? – apontou para o sangue na sua própria roupa.
– Não…eu só…foi de repente que você matou aquele moço.
– Eu não matei, ele desmaiou de tanto que bebeu. Esse é o lado ruim de arrumar alimento em festas. Enfim, nossa conversa está boa mas eu preciso te levar para meu chefe, não posso te deixar livre.
– Ele vai apagar minha memória?
– Sim, você não vai lembrar apenas dessa noite.
– Então, me conta alguma coisa.
– Alguma coisa?
– Sim, eu vou esquecer, certo? Me conta algo legal que você gostaria de contar mas não pode.
Hyunseong limpa sua boca na própria roupa, pensando no que poderia contar para aquele humano curioso. Jeongmin esperava ansioso como se ele pudesse contar os números ganhadores de um sorteio ou um segredo do governo. O mais alto chegou perto de Jeongmin, passando a mão pelo seu rosto e segurando ele pelo queixo, de leve, fazendo o outro fechar os olhos.
– Sua boca é uma delícia, parece que tudo o que você faz com ela, você faz muito bem…como contar para todo mundo o que eu falar aqui, então não.
– Me morde então.
– Que? Meu deus, você é louco. Você não é um daqueles que vê filmes e acha que sabe tudo sobre vampiro não né? Olha, eu vou embora. Inventa isso ai e conta pra todo mundo, faz o que quiser. Pelo jeito um louco como você ninguém acredita mesmo.
Jeongmin tentou segurar na mão do Hyunseong, mas ele respondeu com um ataque brusco, o empurrando com tudo na parede novamente.
– Olha aqui, pirralho. Eu não sou o seu amigo e muito menos conhecido, se você quer ser abusado desse jeito, ótimo, eu mato você aqui mesmo. Eu estava tentando ser simpático com você mas não me sobra alternativa além dessa.
– Leve-me até seu chefe então, eu quero esquecer você porque eu sei que se você for embora eu vou ficar atrás de tudo que eu posso até encontrar você de novo.
– Você é louco mesmo. Ótimo! – Hyunseong golpeia Jeongmin, deixando ele desacordado.









