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e eu prometi que jamais faria isso novamente, mas não deu para evitar. os cortes em minha pele já estão ardendo e estou me sentindo muito bem com isso. foi estranho, depois de tantos meses sem fazer, mas já sinto a dor reconfortante, a dor que leva minhas preocupações, a dor que me faz sentir um pouquinho melhor. a dor que eu queria que me levasse embora também, talvez, quem sabe...
só acho que fiz a maior merda da minha vida. simplesmente isso.
"Eu sou tão devagar, que para eu perceber que alguém tá gostando de mim, a pessoa tem que desenhar."
"Fria e calculista, sim. Não nego. Cansei de agir por impulso, amar por impulso, me entregar por impulso e acabar me fodendo por causa do maldito impulso."
portgas d. ace, by Raphaella Campos ;*
eu quero me controlar. na verdade, eu tenho que me controlar. não posso encontrar refúgio em nenhuma dessas asneiras, como cortes em minha própria pele, ou em chorar tanto até meus olhos ficarem inchados. mas é meio que impossível, às vezes. eu queria colocar tudo para fora, mas absolutamente tudo, porém é como se nada saísse de dentro de mim, e eu tivesse que ficar me aliviando aos poucos. quando estou com as outras pessoas, eu sei que tenho que sorrir, sei que tenho que fingir que estou bem. agora, ficar sozinha é outra coisa. ficar sozinha, é me sentir presa, acuada, como um animalzinho encurralado. eu quero fugir, mas não me deixam. por vezes, me sinto uma marionete também: é como se todos amarrassem cordas em minhas mãos, em minhas pernas, e não me deixassem movimentar. eu quero ir embora daqui, eu quero fugir, eu quero esquecer dessa cidade. eu quero esquecer das pessoas que estão - pessoas, essas, que apenas me fizeram mal. que me fizeram, e ainda fazem, chorar. pessoas que me oprimiram, que me fizeram sentir como se eu fosse uma aberração, por ter nascido do modo como nasci - aqui. em certos momentos, é como se o mundo caísse em minhas costas, e eu sei que há muita gente no mundo, com problemas mais sérios que os meus. problemas de saúde, passando fome, morando sob pontes, sem ter uma família. mas, acredito que, algumas situações são frutos de nossas escolhas, e outras tentam nos testar. e a situação em que estou agora, para mim, é uma das piores do mundo. estou agonizando sozinha, me afogando em meus próprios pesadelos, e, ainda por cima, sendo julgada. ninguém me estende um braço, ninguém me estende uma mão. e eu acho que não conseguiria alcançar ninguém, mesmo se quisesse, porque eu estou longe. hoje eu estava dirigindo, e comecei a chorar. por um momento, desejei tanto que o carro parasse, ou que algo acontecesse, mas então eu paro e penso em como isso é ridículo. ou não. quando se está à beira do abismo, você quer apenas se assegurar que não cairá. sinceramente, espero não ter mais decepções, de verdade. senão não sei o que pode acontecer comigo. não sei o que serei capaz de fazer. sinto, às vezes, que minha própria mente quer me estrangular, com memórias, com pensamentos, que eu reluto tanto para não ter. de qualquer modo, eu tenho a esperança que ainda terá um amanhã. por mais mínima, miúda e quase se apagando, sinto que a esperança ainda está lá. de uma forma, ou de outra, as coisas irão melhorar. ou não.
aí você vai lá, rala a bunda, as pernas, os braços, o intestino e seus neurônios, estudando, e depois não passa na merda de um exame. e aquela pessoa que não mexeu um simples dedo, que nem estava preocupada, passa. valeu vida!