* Tarographic *ENTREVISTA
Começando do começo, como o tarô apareceu?
Eu gostava do tarô desde que era criança, principalmente porque achava bonito. Mas foram anos sem entender nada. Quando adolescente, comecei a curtir mangás com o tema, exemplo Tarot Cafe.
Mais recentemente, eu tava no trabalho quando minha amiga chegou falando que estava “em sintonia com o cosmos”. A frase me marcou. A palavra me chamou pro Google. A partir daí, me abri para tudo que estivesse ligado a ideia de Cosmos. Dois livros que me ajudaram muito: a jornada arquetípica de Jung e o Tarô e a Meditação sobre os 22 arcanos maiores.
Foi o Marselha, o clássico. Eu comecei tirando só pra mim, tinha receio de tirar pros outros. A real é que você nunca sabe o que os outros estão esperando, e às vezes a pessoa espera um milagre.
Eu jogava muito na praça, no bar, na Roosevelt. Sei que vai um pouco contra as regras, mas sei lá. Aí comecei a tirar pras pessoas. Eu nunca cobrei. Eu sei que a gente precisa cobrar, porque assim a troca acontece de fato, mas eu não consegui chegar lá ainda. O que eu faço geralmente é cobrar pelo mapa astral – as pessoas estão acostumadas, aí coloco o tarô no pacote.
Tem algum amuleto, ritual, algo que acompanha vc no jogo?
Eu uso a minha guia. Pra mim ela é um marco de quando eu parei de brincar de jogar e comecei a tirar com um propósito mais sério. Eu tive várias guias, sempre pretas, da esquerda, das entidades que trabalham com limpeza. Uma vez uma pessoa me perguntou uma coisa, e a guia estourou na minha mão. Sinto que é meio onde bate a ‘barra’ das pessoas, sabe?
E a galera faz muita pergunta?
Eu jogo muito com a intuição, e o objetivo é trabalhar o espiritual, então eu falo o que vem na cabeça. Eu não quero nem saber o que a pessoa quer saber. Falo só pra ela se concentrar. Mesmo eu falando algo genérico, o importante é a pessoa estar confortável pra pensar na própria vida.
Fala uma carta que você gosta muito
O Imperador. Parece que sem ele nenhuma outra carta funciona direito. É a carta que dá estrutura. O número quatro, o quadrado, que dá a base. Não vejo esse lado de rigidez que falam, prefiro deixar a rigidez pro Papa.
Qual é o baralho que você mais usa hoje?
Rider-Waite. É exagerado, tem muita cor, mas é didático. Me acostumei. Pela cor você já sente tudo. Por mais que você estude, na hora pode dar um bug, e esse baralho tem essa farofa toda que ajuda na interpretação.
Tem algum baralho que vc queria ter? Baralho dos sonhos
O Golden. É maravilhoso. Com aquela cara de Renascentismo, a borda toda dourada.
Esse é incrível. Tem muita simbologia. Ganhei de aniversário quando fiz 20 anos. Os arcanos maiores são iguais a de qualquer baralho. Mas os menores não tem naipe e cada um carrega uma mensagem específica, com sentidos totalmente diferentes. Não tem rei, rainha, é outro mundo.
O mais legal é que as imagens trazem 3 degraus – intuição no céu, realidade no meio e a terra na base. Esses níveis aparecem mais fortes ou mais fracos em cada carta, e dessas interações que nascem as mensagens. Os símbolos estão subindo ou descendo. É um baralho bem racional e aconselhador.
Conta um episódio que você viveu com o tarô
Uma vez eu tava com minha amiga num hostel em Berlim, aquele friozão, ano-novo, e eu tava jogando pra saber do ano seguinte. Aí saiu o Enforcado como o resumo do jogo. Na minha cabeça era uma carta que pedia para se dedicar ao divino. Achei bizarro. Mas quando eu vi, um tempo depois, eu tinha virado de cabeça pra baixo tudo que eu acreditava e não acreditava. Me encontrei em várias seitas e religiões, e eu sempre fui muito atéia, era aquela no colégio que ficava dizendo “se Deus ama todo mundo, por que a África passa fome?”
Dica amiga pra quem tá começando a se interessar pelas cartas
Vem fazer workshop de tarô e astrologia comigo em Novembro. É barato. (rs)
É clichê, mas minha dica é: vai pelo coração. Não se preocupa se tem que enrolar o baralho no pano vermelho ou roxo. O lance é saber as simbologias e jogar sem pressão. Ninguém nasce sabendo, mas também não tem muito segredo, não é magia. A única coisa que eu não abro mão é a minha guia, pra não dar B.O. né?
Para conhecer a Denise melhor e tentar negociar uma consulta, é só trocar uma ideia com ela : *