Ficção 1: corpo é topos. Lugar do mundo que habitamos e construímos. É com o que nos movemos e para onde vamos.
Ficção 2: corpo é ficção. E não existe fora dos regimes técnicos e discursivos que o elaboram.
Ficção 3: corpo é faixa de gaza. Território em disputa, onde múltiplas forças imperiais coatuam contra a potência de vida.
Ficção 4: corpo é colônia. Terra saqueada e mapeada pela colonialidade de médicos, sistemas de identificação, nanopolíticas genéticas, redes de vigilância, indústrias farmacêutica, de alimentos, pornográfica, midiática + estado policial, narcopolítica e crime como paradigma de governo.
Ficção 5: corpo é quilombo. Comunidade dissidente para onde convergem as gentes despossuídas.
Ficção 6: corpo é xamã. Ser-em-conexão com as redes de coisas e gentes, que se move entre espécies e gêneros, entre o místico e o material, o ancestral e o contemporâneo.
Ficção 7: corpo é ocupação. Temos que tomá-lo ou senão deixá-lo permanecer tomado pelo império racista, cis+supremacista, heterocapitalista e corpo-colonial.
Ficção 8: corpo é drag. Montação, apenax.
Ficção 9: corpo é transformer. Androide de guerra, com farda da polícia ou com capucha negra.
Ficção 10: corpo é ciborgue. Máquina tecno-orgânica, cheia de próteses e extensões conectadas à informática da dominação, mas também às informáticas da resistência.
Ficção 11: corpo é monstro e escapole para fora dos cercados, desconcerta ficções, resiste às tentativas de definição, cruza fronteiras e está sempre em via de tornar-se outrx.