Esse foi um dos livros mais difíceis de ler, sobre relatos do Holocausto. Eva tornou-se irmã póstuma de Anne Frank, e entender as dificuldades do pós-guerra, pós-trauma, foi uma visão que eu nunca tinha parado muito para refletir sobre. Comecei a ler achando que seria algo mais relacionado à Anne Frank, mas fiquei muito mais interessada ao perceber que não se tratava dela, e sim de Eva Schloss. Quando passamos por situações ruins, ou perdas doloridas, é um grande processo de aceitação e superação. Aceitar a dor, conhecer a dor, conviver com a dor, porque esse sentimento nunca te deixará. E superação pela continuidade da vida. Me sinto um pouco mesquinha em dizer que me vi em certos momentos no relato da Eva, porque eu nunca passei por uma situação semelhante. Mas, em questão de perda de um ente extremamente querido, uma perda inesperada e, de certa forma, abrupta... Sim, por isso, eu passei. Acho que todos nós passamos por alguma perda que nos traumatiza de alguma forma, em diferentes graus. Acredito que somente as pessoas que possuem esse sentimento sabem o peso dele, nós apenas podemos nos identificar ou não com os sentimentos alheios. Tenho algumas situações da minha vida que não compartilho com ninguém, mas que impactam no meu dia a dia até hoje. Coisas que machucam, e apesar de eu ter consciência de que eu não tive culpa, me sinto envergonhada em falar sobre. E fiquei admirada com a força e a coragem da Eva, mesmo após 50 anos, em falar abertamente sobre sua própria história em uma situação que a pegou totalmente desprevenida. Sempre achei o ato de “falar” libertador. Não para qualquer pessoa, obviamente. Se expor te deixa vulnerável, e por isso admiro ainda mais Eva, que fez essa exposição frente a uma plateia. Como diz o nome, é um livro que diz muito mais sobre as dificuldades e as depressões que sentimentos após um evento traumático. Em como isso impacta nos relacionamentos interpessoais, como isso te faz se retrair para dentro de si mesmo de uma forma que parece irreversível. E de como relembrar esses momentos, depois de anos trancafiando-os em um baú interno, pode trazer uma enxurrada quase devastadora. Sobre o livro Caso queria saber mais, clique aqui. Para comprar, clique aqui.













