Ei! Você viu o VINCENT ULVEN KINGSLEY por aí? você sabe, aquele aluno da graduação que tem 36 ANOS e se parece muito com JOSEPH MORGAN. Acho que ele formou com especialização em MEDICINA e em 2014 se parecia muito com BILL SKARSGÅRD. Dizem que ele era THE FALLEN ONE e Toda vez que passava pelo dormitório dele, ouvia WITHOUT ME (EMINEM) tocando pela porta. Todos que o conhecem dizem que ele costuma ser INFLUENTE, mas também poderia ser OPORTUNISTA. Será que em 2024 ele ainda é assim?
PORTFOLIO: 2010s + 2020s
MUSINGS
POVs
TASKS
RESUMO
Vincent é filho de um casal rico de family vloggers e cresceu em um trailler de luxo, tendo o final de sua adolescência inteiro publicado. Seus avós médicos pagaram por sua vaga na UCLA também em medicina. Finalmente podendo encarar a realidade do tempo perdido, ficou revoltado com os pais. Sua revolta se traduziu em uma "adolescência tardia" e cheia de decisões duvidosas, o tornando uma pessoa super fechada, o total oposto do garoto alegre e ingênuo dos vídeos. A influência na universidade o fizeram ter uma má fama horrível porque podia fazer o que quiser sem consequências. Depois de formado, tornou-se médico (e depois cirurgião) socorrista, especializado em casos de reconstrução facial. Com um case de sucesso, abriu uma clínica de cirurgia plástica onde só atende casos muito específicos ou pessoas dispostas a pagar muito dinheiro pelos seus serviços.
INVENTÁRIO
Chaveiro e uma chave de carro que parecia de um SUV
Cadeado de um dos muitos armários da UCLA, com um post it escrito "Armário 5834-C, Senha: 132124"
Diário de Robert Lockhart, diretor do Projeto Chronos I
GPS Garmin com 4 locais salvos, mas que precisa de senha para desbloquear
Barbie, ainda na caixa, da edição especial “Pretty In Purple” lançada apenas na Inglaterra, no ano de 1992, com a inscrição “Feliz Natal! Para minha filha, com amor, papai. JJH-1982”
Caixa de metal com estofamento de espuma contendo 6 unidades de um tubo de metal com uma tela de led indicando a quantidade de fluido dentro, com pino e um bilhete "Granada PEM aka "Noite Eterna" Emite um pulso eletromagnético que desativa dispositivos eletrônicos e cibernéticos. Ideal para imobilizar alvos com implantes tecnológicos e desativar equipamentos sem danos físicos no raio de 2m³. Não utilizar sem o uso de roupas de proteção. Acondicionar fora de calor ou de ambientes com muita luz solar. xoxo Milton."
TRIVIA
Tem 1.88 de altura (6'16), constantemente arredonda pra 1.90;
Morador do quarto andar (409) do Hitch and Saxon;
Participa do clube de Baseball (pitcher) e é Vice-Presidente do Governo Estudantil;
Depois da partida de Vince para a universidade, seus pais adotaram um casal de crianças e o canal decolou com o novo par. Hoje em dia continuam fazendo muito dinheiro e sucesso, além de estarem envolvidos em diversas controvérsias (o fruto não cai longe do pé). Vincent já há muito perdeu o contato com os pais e nem sabe se os irmãos mais novos sabem de alguma atualização da sua vida;
Já com os avós, depois do ultimato, virou um grude. O avô faleceu em 2019, vítima de pneumonia, mas a avó continua firme e forte. Voltar para 2014 e permitir que fale um pouco mais com o velho é muito gratificante;
O primeiro blog da família, iniciado em 2001, bem antes do family vlog, ainda está de pé! É uma ótima fonte de conhecimento para quem deseja saber em detalhes como foi toda a infância e adolescência de Vincent, com direito a muitas, muitas fotos e relatos que até hoje ele não conseguiu tirar do ar;
Odeia acampar com todas as forças. O faz lembrar de uma época que não gosta e quer deixar para trás;
Não é o maior fã de ter animais de estimação, mas por algum motivo gatos e pássaros gostam muito dele. Cachorros nem tanto;
BIOGRAFIA
ANTES DE 2014
Diana e Arthur Kingsley era um casal de herdeiros muito bem endinheirados que nunca quiseram trabalhar na vida; juntar o dinheiro das famílias para começar a vida em um luxuoso trailler e viajar o país todo era uma ótima ideia para o casal, e para o pequeno Vince, a criança que veio logo depois. Aquele sonho, porém, era apenas de seus pais. Mesmo que a van fosse luxuosa e não houvesse regras, a infância de Vince foi anormal, com certeza. Nunca passou por dificuldades financeiras e conheceu paisagens lindíssimas por estar constantemente viajando, mas também nunca teve um quarto que pudesse chamar de seu, teve apenas um amigo, Theodore Clarke (The Lothario), na cidade natal dos pais, aprendeu a conviver com quase nenhuma privacidade em uma sala apertada e racionando atenção dos pais que mais pareciam estar preocupados com a visão idealista de uma vida sem regras, relax e com pouquíssimas contas a pagar ou prestar para o governo. Eram americanos, oras, e se quisessem liberdade teriam até mesmo na "casa" sobre rodas que tinham! Era isso o que seus pais escreviam em seu blog, narrando não apenas seus dias sobre seu estilo de vida, mas também a convivência da família em grandes detalhes.
Crescendo com um vazio existencial e sendo mimado ao mesmo tempo, Vincent teve uma adolescência sem as experiências que se esperava, e muito menos a convivência com outras pessoas de sua idade. Tudo isso piorou severamente quando em 2005 seus pais decidiram ingressar em uma recente plataforma de vídeos para começar o famoso "family vlog"; as pessoas pareciam adorar o conteúdo de ostentação, mas teciam comentários maldosos sobre a falta de tato de um rapaz com seus já dezessete quase dezoito anos e baixíssima educação formal.
Conforme o canal ganhava mais e mais popularidade, Vincent começou a apreciar a realidade que a internet proporcionava. Nem tinha pensado em ingressar em uma universidade até ler opiniões bem duras de anônimos em um vídeo que seus pais questionavam seus planos futuros, mas subitamente tornou-se seu maior desejo.
A escolha por medicina veio por influência dos avós maternos, que eram justamente dois médicos muito bem conceituados. Mesmo com pouco contato com eles ao decorrer da vida, já que nunca aprovaram o estilo de vida da filha e do marido, os avós apoiaram totalmente a decisão do neto em entrar na faculdade, desde que fosse a universidade que os dois se formaram; sendo assim, a troca da vida no trailer pela vaga na UCLA veio, obviamente, não por esforço de estudos de um rapaz educado em casa, mas sim pelo sobrenome que doava generosas quantidades de dinheiro todo ano.
Ao final do primeiro ano, em 2007, Vince já havia mudado da água para o vinho. Os anos finais de sua adolescência, momentos embaraçosos, estavam para sempre na Internet. Teve dois semestres às duras penas sociais. Em parte, era legal ser famoso tanto pelos avós quanto pelos vídeos de relativo sucesso; por outro lado, as provocações e as fofocas corriam soltas demais, o que fez toda a rebeldia tardia vir em pompa.
Se encontraria como pessoa, por qualquer meios necessários.
Além de ter se fechado por completo, querendo se tornar a incógnita que a exposição do canal roubou de si, o Kingsley mais novo nunca experimentou qualquer consequência real por qualquer coisa que fazia. Reprovava em matérias a rodo, beirava a expulsão sem nunca receber advertência alguma. Se alguém ousava questionar seus hábitos, a falta de ética de um futuro médico ou pior, mencionar seus vídeos, Vincent não media esforços em fazer o inferno da vida do colega. Pagando bem, qualquer coisa que queria fazer, acontecia. Era incrível! Descobriu que gostava muito de ter poder. Até mesmo a medicina era um bom caminho; que outra área poderia ter mais controle sobre a vida de outra pessoa? Quatro anos foram necessários para transformar um garoto bobo em um homem incorrigível. Encontros a rodo, inclusive em horários de aula. Drogas, lícitas ou ilícitas, experimentou o quanto pôde. A má fama agora o perseguia não pelo passado ou pelo sobrenome, mas pelas suas ações do presente, e Vincent adorava aquela ideia.
EM 2014
2011 foi o quarto ano da universidade e Vince mal tinha terminado as matérias do terceiro ciclo. Foi então que seus avós finalmente o deram um ultimato: não apoiariam mais suas ideias mirabolantes e era para tomar jeito, que se tornaria um médico em breve. Esse foi o derradeiro ano que começou a levar a universidade a sério de verdade. Sua personalidade continuou fechada e um mistério para qualquer um que não fosse tão próximo, mas suas ações dos anos passados já haviam feito o suficiente para arruinar sua reputação. Não apenas o nome Kingsley carregava respeito dentro da UCLA, mas "Vincent Kingsley" impunha medo. Vince seria inserido onde quisesse, como quisesse, quando quisesse, e ninguém poderia reclamar. Isso tudo porque ele queria se formar médico, e queria todo o prestígio social que o título trazia. Queria, e ponto final. Então o teria, por qualquer meio que tivesse em mãos. E, no final, por mais que tivesse colado muito e comprado vários trabalhos, Vincent conseguiu tomar jeito e recuperar o tempo perdido para participar da formatura em 2014 junto dos outros colegas.
EM 2024
Logo depois da faculdade de medicina Vincent engrenou na residência médica em cirurgias, novamente por auxílio dos avós. Operou muitas pessoas como socorrista, pegando os mais difíceis casos sob pressão para conseguir vencer o estresse e a tremedeira das mãos pela fraqueza que sentia nos casos mais graves. Isso serviu para moldar a personalidade do médico de uma mais mimada e imprevisível em um maquiavélico (no sentido de os fins justificam os meios) capaz de manter bem mais as emoções muito mais sob controle. Nisso engrenou na pesquisa de reconstrução facial, conseguindo dentro da universidade um contato para se especializar na área de cirurgias plásticas, largando de vez a urgência para se dedicar à área da estética.
Mesmo com todos os poréns do seu passado, o ultimato dos avós em 2014 e os anos como cirurgião socorrista serviram para endireitar Vincent o suficiente para torná-lo um cirurgião plástico excelente. Excelente, inclusive, a ponto de abrir sua própria clínica ao lado de Ringo Miller, exclusiva para pessoas que precisam de serviços muito específicos ou que também tenham grande prestígio social, que era o que ele almejava desde o começo.
VOLTARIA PARA 2024?
Totalmente. Em 2024, a infâmia não o afeta mais porque Vincent conseguiu ter nas mãos o poder e a influência que sempre quis ter: vindas dele mesmo. Se sente confortável ao saber que seu nome causa desconforto já que as pessoas agora precisam dele mais do que nunca. Sentir que precisa retrabalhar isso em uma época que não tinha tanto controle assim é horrível, mesmo que em 2014 já tinha uma má fama que o perseguia em todo canto.
_ A gente conseguiu alguma coisa naquele dia do sequestro. Vai dar certo. - pegou o último cabo e saiu da sala. - Eu tenho que passar no meu quarto, aliás. - disse virando no lado oposto a saída.
─ O controle, Peralta. ─ Vincent pediu novamente, mais incisivo dessa vez. Inspirou fundo quando ele disse que ia passar no próprio quarto. Obviamente continuou o seguindo.
_ Tá sim, po. Eu quero pipoca. A maior, de chocolate. E cachorro quente. E um refrigerante grande também. - sorriu pra ele como uma criança empolgada. - Daqui a gente podia ir pro parque, né? Tem montanha russa e tal.
─ Mesmo? ─ tudo o que queria era um dia tranquilo antes daquele heist absurdo. Pelo menos a lista enorme de comias superfaturadas parecia o padrão. ─ Só isso? Não quer algo mais? ─ a ironia veio acompanhada de um sorriso rápido para indicar a falta de seriedade. ─ Claro, podemos sim. Desde que não me arraste para aquelas xícaras giratórias horrorosas, por mim tudo bem. ─
Sorriu pra ele, se divertindo com a reação e a auto censura, logo voltando a atenção pro telão. Era nítida a frustração em seu rosto. - Vou confiar em você. Além do mais, tem a Sandra Bullock, não pode ser um filme ruim. A gente pode ver ali no meio, é melhor, pega a tela inteira. O que acha?
_ Eu acredito na sua memória, só não acredito na sua noção de tempo. - provocou e apontou pra programação: Percy Jackson não estava mais em cartaz. - Mas acho que esse Gravidade parece bom. Tem um pessoalzinho bem bacana pra assistir, a gente podia fazer parte.
Ficou constrangido ao ter sido apontado a data correta. Pigarreou. — Eu sumi por quatro dias. — a argumentação era séria, mas saiu em um tom quase infantil. — Gravidade é uma boa, sim. Faz an... — percebeu no meio da frase o quão esquisito era dizer que fazia anos que não via um filme que acabou de ser lançado. Franziu o cenho. — ... Enfim. Pode escolher os lugares, por mim é indiferente. —
─ Ok, uma última vez: você não procurou nada na Internet, certo? ─ como não era mais semana de estreia de Percy Jackson: O Mar de Monstros, com certeza já havia dezenas de postagens no Facebook e posts no Twitter comentando sobre o filme. Ainda assim, havia uma boa fila a se enfrentar tanto para snacks quanto para a entrada no cinema. ─ Eu dei um gostinho naquele dia na enfermaria, mas não sei o quanto acreditou na minha memória. ─
_ Eu to... eu to. To na UCLA. Onde você tá? - parte da missão era estacionar a van na universidade, sendo o primeiro lugar pra onde foi enquanto fazia rotas alternativas pra despistar qualquer tipo de perseguição.
Soltou a respiração, que nem percebeu que havia prendido, ao ouvir a voz de Jacob e garantir que ele estava bem. ─ Perto do Olympic. Me encontra no estacionamento, vou te buscar e te levar pra casa. ─ ia falando enquanto já manobrava o carro até o local para buscá-lo. ■
_ Ai! - reclamou, mas não tirou a mão, assistindo ele remover o chip dali com curiosidade. - Dolorido, ensanguentado, nada eletrocutado. - pressionou o corte pra estancar o pouco sangue que escorria. - Me dá isso aqui. - pegou a escuta e levou perto da boca. - Escuta aqui, seja lá quem estiver ouvindo isso. Essa palhaçada acaba aqui, ninguém mais vai ser espionado, ninguém mais vai ser ratinho de laboratório. Se tiver alguma objeção, dê as caras, porque eu não vou deixar ninguém sem rosto controlar a minha vida. E se eu descobrir quem tá fazendo essa pataquada toda, vou dedicar os próximos 10 anos te caçando. - com os próprios dedos partiu a escuta ao meio. - Vamos, sua vez.
Entregou a escuta para Max quando ele pediu, erguendo as sobrancelhas durante o discurso ameaçador e posteriormente quando quebrou o eletrônico com os dedos. ─ Isso é anti-higiênico. ─ apontou o bisturi para ele, ainda com o filete de sangue alheio. ─ E eu já cuidei da minha. ─ puxou a manga do jaleco para mostrar um curativo pequeno no pulso. ─ Nos vemos amanhã por aqui, Jenkins? ─ deu um tapa amigável nos ombros dele, abriu a porta da sala e caminhou para a saída. ■
Quando subiu os olhos e viu Vincent com uma senhora no colo, a primeira reação foi um franzir de cenho. De onde ele veio? E de onde surgiu aquela senhora? Não importava, porque o segurança titubeou. Procurou por outro para poder ajudá-lo, mas não tinha ninguém por perto e ele preferiu ajudar a senhora, não sem antes empurrar Jacob pro lado. Correu um pouco pra enganar, mas assim que ele se distraiu com a mulher, voltou a passos leves pro carro que ainda estava com a porta aberta. Uma, duas, três tentativas até conseguir conectar os fios e ligar o motor. Olhou uma última vez pra Vincent fazendo sinal com a cabeça pra ele ajudar a senhora, antes de fechar a porta e sair com a van o mais rápido possível. À sua frente o portão estava se fechando, mas Jacob só tinha uma chance. Afundou o pé no acelerador e passou pelo portão a tempo de arranhar o final da parte de cima da van e conseguir sair dali.
Enquanto fazia os procedimentos padrões para tratar a pessoa com infarto, pediu auxílio ao rapaz enquanto a mulher falava no telefone com a amergência. Cruzou os olhos com Jacob pouco antes dele invadir o carro, revirando os olhos em resposta ao gesto de cabeça. Ajudaria a senhora, né, fazer o quê. Continuou ali com os outros até o socorro vir, poucos minutos depois. Depois de toda a confusão passar, agradeceu a ajuda dos dois "voluntários" (que mais foram obrigados a ajudá-lo pela gravidade da situação do que qualquer outra coisa), voltou para o próprio carro ainda na lateral do prédio e foi embora, nem querendo ficar ali e ter a chance de relembrar sobre o roubo do veículo. Sentou-se no carro com o coração acelerado, dirigindo de volta até a UCLA. Chegando lá, ligou para o celular de Jacob. ─ Diz que você conseguiu chegar em segurança e que está bem. ─
O que quer que Vincent tenha tentado fazer, não adiantou. Buzina, briga de trânsito. Tudo aquilo era normal demais em Los Angeles pra desviar qualquer atenção pra ele. O homem continuava a se aproximar e o segurança que estava ao lado de Jacob percebeu o que acontecia. Sequer deu tempo de lutar. Por mais que fosse mais alto, Jacob não tinha nenhuma noção de briga, fazendo ele rapidamente ser imobilizado enquanto a mulher chamava a polícia.
Foi quando Jacob foi ao chão que Vincent sentiu a adrenalina bater de verdade. Largou o carro ali mesmo, pulando pelo banco do motorista para ir até ele, quase que chutando a velha no meio do caminho. Isso piorou sua situação, já que ela foi atrás dele e continuou gritando. Até tentou segurá-lo, mas Vincent percebeu que havia algo de errado ali na hora que os dedos dela, agora pálida, não se afrouxaram direito no seu pulso. Tonta, caiu para a frente, no que Vincent a segurou. Teve de se segurar imensamente para não sorrir... Reconhecia os estados iniciais de um infarto de longe. ─ SOCORRO! AJUDA! ─ gritou, pegando a senhora nos braços para levar mais perto da mulher que ligava para a polícia e do segurança que prendia Jacob no chão. ─ Moça, pelo amor de Deus, liga para uma ambulância agora! A senhora aqui está tendo um ataque do coração! Moço, me ajuda aqui, por favor! ─ poderia ajudar sozinho? Poderia. Deveria, na verdade... Mas aquilo era outra história.
Passou a lâmina com destreza pelo pulso de Max; sendo a escuta colocada bem fácil sobre a pele, não foi nada difícil removê-la. A incisão do bisturi foi rápida e precisa, o corte sendo limpo e preciso o suficiente para não precisar tomar pontos. Do armário da sala, pegou um pequeno saco plástico para colocar a escuta ensanguentada dentro, e uns curativos para limpar o corte. ─ Como se sente? ─
"Você gosta sempre de estar certo né? E faz questão de repetir isso um milhão de vezes, uh?" ela arqueou as sobrancelhas, balançando a cabeça negativamente logo em seguida. Manteve a cara fechada durante o caminho e revirou os olhos logo em seguida, quando ele disse sobre luz no fim do túnel. "Dançar esse tango? Eu nem sei se estamos dançando direito, nem sei se faz sentido a gente se esforçar tanto pra algo que pode dar uma grande merda." ela olhou para ele, séria "Eu não quero morrer, Vincent. E eu acho que podemos salvar aqueles que morreram no passado. Acho que a gente pode arrumar muita coisa que deu merda." ela falou com os olhos fixos no rosto dele, até assentir "E acha que seu avô vai falar algo? Eu não sei... Não sei. Eu sei que estamos entendendo os envolvidos nisso tudo, mas não sei se é seguro" ela voltou a olhar pra fora "O que falaria pra ele? E dá pra acelerar? Eu não tenho o dia todo."
─ Se eu não repetir, não entra nada nessa sua cabeça dura. ─ reclamou, mantendo a mesma exata cara fechada que Victoria durante o passeio de carro. ─ Estamos nos esforçando para justamente não dar merda. ─ inspirou fundo e segurou o volante com força quando ela falou sobre salvar pessoas que morreram no passado. A olhou com o canto dos olhos. Sabia bem de quem estavam falando. ─ Eu também acho. ─ concordou, simples; aquele era o seu objetivo principal, afinal. Pelo menos, naquele sentido, tanto ele quanto ela conseguiam se entender. Por fim, com o pedido dae Vic sobre acelerar, dirigiu mais devagar que o normal, só de picuinha. Contudo, a loja já estava perto, então nem precisou esperar muito para estacionar o carro na frente da loja e voltar a conversar. ─ Não sei o que eu falaria. Acho que... Nada sobre isso tudo. Pelo menos não de primeira. Uma conversa normal, só. Eu sinto falta dele. Anda, desce. ─ segurou a chave nas mãos e saiu do carro, indo na direção da loja de armamentos.
_ Seu bolso tava esterilizado também? - arregalou os olhos e ergue uma sobrancelha, voltando a observar os gestos dele. - E o que te garante sobre o choque? Você já tirou a sua?
— O bolso do meu jaleco? Com certeza mais limpo que seja lá onde você guardou a lâmina de barbear para entregar para mim. ─ continuou aproximando o bisturi, sem mais hesitações. Se Max não fizesse mais nenhum movimento brusco, passaria logo a lâmina pelo pulso onde havia sentido o aparelho e o tiraria dali.
Demorou muito pra Jacob sair daquele prédio, mas quando finalmente o fez, estava um pouco sorridente e mexendo um copo de café, voltando na direção da mesma van. Apertou o passo pra ir na frente e ficou um tempinho na porta do motorista, o segurança anterior e mais uma moça baixinha com uma pasta o acompanhavam dessa vez. Enquanto abria a porta, um terceiro homem vestido com o uniforme do lugar entrava na área do prédio questionando o que tava acontecendo, ainda longe o suficiente do carro. Jacob precisava de mais tempo.
Vincent estava passando mal com o tanto da demora de Jacob, tanto que teve de parar um quarteirão à frente para poder controlar a própria respiração. Ok. Ok... Precisava pensar em um plano. Se Jacob não estivesse lá fora por uma última vez, Vincent provavelmente teria de entrar e conversar com alguém, antes que chamassem a polícia. Na volta, viu a cena se desenrolando, o homem se aproximando do carro. Sem pensar duas vezes, enfiou a mão forte na buzina, querendo chamar a atenção dos envolvidos para si. Acabou fazendo uma senhora quase morrer no meio da rua, e ela veio bem brava reclamar consigo, aproveitando o carro parado no sinaleiro. ─ Vá à merda, minha senhora. ─ elevou o tom de voz para que ela pudesse escutá-lo, e recebeu uma bolsada contra o parabrisas do carro, o fazendo pular no banco pelo susto causado pelo barulho alto da bolsa contra o vidro. Isso, e todos os palavrões que saíram da boca da velha.
"Ele só falou que era pra usar se alguém tentasse invadir ou entrar sem ser convidado. Só disse que era não letal. Deve ser como uma arma de choque, acho." Deu deu de ombros, pensando que talvez fosse uma boa idea ter perguntado antes o que a arma fazia. "Porque ele é rico, excêntrico, só vem macho atrás dele, as únicas mulheres que entram aqui tem cara de que são sapatão que se pegam quando ninguém tá olhando e se ele for gay também posso me candidatar a sugar baby dele no futuro." Passaram pelo solar da casa, com um teto de pé direito duplo, com uma escada circular que dava para o segundo andar da casa e uma estátua que parecia muito o Davi de Michelangelo, mas em menor escala no centro, até chegarem na sala de estar, onde havia um enorme sofá branco e uma televisão de Neo QLed, de 70 polegadas e algo que parecia ser um Playstation 5 ligado a tv. "Então, você pode esperar aqui, mas não toca em nada não porque o pessoal aqui fica meio irritado quando a gente toca nas coisas, e se quebrar descontam do meu salário e a eu já ganho bem pouco pra ainda ser descontado. A dra Quaqua tá ai também com a loira com cara de cu azedo, não incomodaria elas porque elas são o cão chupando manga e elas parecem mais irritadas que o habitual."
─ Deve ser mesmo. ─ concordou, só para não estender mais aquele assunto; preferencialmente, esperaria por Jean Luc para perguntar mais a fundo sobre a arma. Enquanto passavam pela mansão, Vincent admirava a beleza e a riqueza dos objetos, dos locais, de tudo. Até mesmo para ele que estava acostumado com artigos de luxo, aquele imóvel era surpreendente. ─ Huh. Esses são... Bons pontos. Eu acho. ─ concordou com o que o porteiro disse sobre Jean Luc ser possivelmente gay. Oras, como diabos saberia de tudo aquilo, se apenas teve uma única interação com o homem, e que ainda foi tão terrivelmente ruim e estressante? Agora, parando para pensar, o único contato do celular que entregou a Jacob era JJH; talvez aquilo também fosse um sinal? Se estivessem em 2024, Vincent provavelmente pensaria algo sobre como "os jovens de hoje em dia acham que tudo é gay" ou similar. Pelo visto jovens em qualquer época achavam gay em tudo. ─ Não vou tocar em nada. Inclusive, tem alguma expectativa de quanto tempo ele vai demorar? ─ segurou as mãos atrás das costas, novamente com o olhar perdido pela estrutura da sala. ─ ... Que loira? E estão por onde? ─ perguntou, curioso. Adoraria também ter uma conversinha com Quarks, fosse antes ou depois com o Dragna.
"Ha-ha, você acha que alguém acha isso além de você? Please, eu sou a maior gata e todo mundo sabe disso" falou com o riso forte - não caíria em provocações como aquela, ela sabia muito bem que cara tinha. E gostava muito dela. Revirou os olhos com o fato dele estar lendo seu celular e principalmente jogando os fatos em sua cara. "É claro que eu ia confiar, achei que seria mais fácil e eu não teria que me esforçar muito. Acha que vai ser fácil assim? Que eu vou arriscar meu pescoço, indo comprar essas coisas, simples assim?" mas logo que parou de falar, percebeu que talvez fosse exatamente o que aconteceria, pelo jeito que ele se afastava - e ela o seguia. "Você está tão engraçadinho" disse com rancor na voz, enquanto abria a porta do carro. Entrou no mesmo e fechou sem nenhuma delicadeza. "Acho patético você estar me obrigando a fazer isso. Por que você quer que dê certo, afinal? Como sabe que não é uma armadilha?"
─ Se você diz. ─ Vincent respondeu com o maior desdém. Ugh, havia momentos em que Victoria chegava tanto a lembrar de sua mãe que o fazia revirar o estômago. Deveria ter adotado ela ao invés dos irmãos menores. ─ Aprendeu da maneira difícil então que não se deve confiar em um Dragna. Qualquer um, menos eles. ─ a alertou, confiante; Lucien era um banana, Marcelo uma perigosíssima piada, e Jean Luc e Isaac eram mentes diabólicas. Ninguém se salvava ali. Soltou um pequeno riso anasalado quando ela o disse sobre sua gracinha, encolhendo o corpo quando ela bateu firme a porta do carro. Contudo, uma vitória era uma vitória, e ligou o veículo assim que possível para levá-la junto de si. ─ Porque não tem outra luz no fim do túnel sem ser essa. É dançar esse tango e conseguir informações por nossa conta ou ficar no escuro. ─ ficou em silêncio depois daquilo, focado na estrada. Contudo, as mãos apertando o volante indicavam que estava tenso. ─ Meu avô está vivo nessa época. ─ comentou; era por conta dele que haviam se aproximado em primeiro lugar. ─ Podemos falar com ele depois. Se quiser. ─
Max estava guardando seus equipamentos enquanto orientava um calouro sobre a higienização correta e como nunca devreiam usar esses equipamentos sem a limpeza correta da pele antes de ser chamado por Vincent. Se despediu do outro e foi atrás do rapaz, reclamando quando teve seu pulso agarrado. - O que? - seus olhos correram por todos os movimentos do mais baixo com um ar de dúvida no semblante. - Eu fiquei sabendo sim, mas não imaginei que o que você vai fazer com isso? - apontou pro bisturi. - Olha, a minha lâmina de barbear pelo menos era nova. Eu não quero levar outro choque não.
─ Eu vou abrir sua pele e tirar a escuta. ─ falou, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Só subiu o olhar quando Max inferiu sobre a qualidade do bisturi. ─ Esse é um bisturi da ala médica, Jenkins. Esterelizado. Feito para, sabe, abrir pessoas. Essa situação é melhor que a anterior, e você não vai levar outro choque, eu garanto. ─ falou com confiança, tornando a firmar o pulso dele na própria mão antes de voltar a aproximar o bisturi da onde sentia o eletrônico inserido para fazer a remoção do objeto.