Bailes não eram o tipo ideal de diversão na visão de Albus, aliás, ele não gostava nem mesmo de música um pouco mais alta pois sempre acabava tendo que prestar atenção com mais afinco no que queria realmente. Seus olhos observavam todos ao redor enquanto ainda comia sua varinha de alcaçuz, o sonserino surpreendentemente tinha pegado uma boa parte do estoque e mal estava se importando com a escrita em seu braço. Diante de várias possibilidades, ele não tinha a mínima noção do que poderia acontecer, mas, graças a vida, Scorpius estava ao seu lado quando foi a sua vez. A poção o fez sentir-se como se fosse flutuar, no momento, ele não percebeu o que estava acontecendo e então seu corpo foi ao chão, deixando-o inconsciente.
O que se passou pela cabeça do moreno não foi o que se esperava em um filme de romance mas sim as perturbações, medos e frustrações que acercavam a sua mente. Albus sempre foi um menino nervoso, com medo e desconfiado de todos a sua volta. Ele conseguiu criar uma casca em volta de si para se proteger, mas, sabia que haviam duas pessoas com o acesso livre para entrar e sair dentro do seu mundinho. Não soube quanto tempo passou desacordado e nem mesmo o porquê estava assim. Albus Potter não desconfiava que a semente podre mais uma vez estava dentro do recinto onde ficava quase todos os dias. Sua Casa amada nem sempre guardava todos os corações bondosos. Quando abriu os olhos, ele tossiu algumas vezes antes de olhar para os olhos desesperados de Scorpius.
Os olhos cintilantes do loiro eram tão bonitos que o relembrou muito dos tempos passados, como quando se conheceram no primeiro ano ou quando ele teve a certeza de que estava amando. Sem falar nada, ele apenas se levantou, sentando na maca da enfermaria. Não quis olhar ao redor e sua preocupação não passava dos olhos azuis na sua frente mesmo que seu corpo já estivesse mostrando sinais de que estava preocupado com o acontecimento. Ele não se lembrava de ter ido pra enfermaria. Já estavam se abraçando quando o cheiro invadiu as suas narinas e o deixou ainda mais atordoado, pois, ele não tinha noção do quanto estava apaixonado. Quando se separaram, o sonserino segurou o rosto do Malfoy perto de si, piscando algumas vezes. – O que aconteceu? – perguntou confuso, olhando para onde estavam. – É a enfermaria…?
O tempo de espera para Albus acordar foi torturante. No plano de fundo conseguia ouvir pessoas conversando sobre o ocorrido, oferecendo possíveis explicações, chegando a conclusões. O mundo continuou à sua volta, mas o foco permanecia em Albus. Só mudou o alvo de sua concentração quando foram dar a poção ao Potter, e somente para exigir saber o conteúdo do frasco. Sabia que era paranoia; a enfermeira queria que os alunos melhorassem, não o contrário. Mas depois do acontecido, não confiava cegamente em ninguém.
Voltou a concentração para Albus, sua imaginação brincando consigo e o fazendo ver o moreno perder a pouca cor que ainda tinha, ou seu peito parar de subir e descer com a respiração fraca. Mas nada produzido por sua imaginação foi capaz de copiar o efeito dos olhos de Albus abrindo. Foi rápido; num instante Albus olhava para si, quieto, deitado, e no seguinte estava sentado, o puxando para um abraço muito forte. Abraçou de volta, o alívio sendo tão grande que se tornava fisicamente doloroso. E então Albus segurou seu rosto entre as mãos, e por mais que tivesse consciência de palavras saindo da boca do Potter, ele não conseguia racionalizá-las.
Porque Albus estava ali, presente, consciente e vivo, e mais de mil vezes naquelas horas (quantas horas haviam sido? Ele não sabia dizer) os ‘e se’s se apossaram da mente de Scorpius, perguntando ‘e se ele não acordar’, obsessivamente, uma vez atrás da outra. Porque eles estavam muito próximos, e era possível sentir a respiração de Albus contra seu rosto, e porque fazia muito tempo desde que Scorpius se sentira tão feliz.
Foi por causa disso, somado ao óbvio amor que Malfoy cultivara pelo moreno pelos últimos três anos que, ao invés de responder, Scorpius levou as mãos ao rosto de Albus, aproximou-se sem hesitação, e o beijou.