OUR LIFE AFTER WE CAME TO THE HUMAN WORLD.
PONTO DE VISTA ― SABRINA.
Como todos sabem, vir ao mundo não é tão fácil. Passar 9 meses dentro de um útero ouvindo coisas, comendo o que sua mãe come e tendo que sair por um buraco que mal passa sua cabeça em condições normais é complicado. Agora pensa ter que sair de um meio aquático para um meio cheio de seres com duas pernas? Bizarro!
“ ― Psiuu! Ei, Sabrina! Você prestou atenção no que eu disse? “
Lá estava eu desligada novamente do que minha irmã estava dizendo. Era tudo muito novo para ambas que nunca haviam ao menos saído debaixo d’água e nem se comunicado com nenhum humano se quer. A primeira vez que nós aparecemos no mundo de vocês foi bem constrangedor. Imagine-se numa praia, sem roupa onde todos te olham como se fossem te comer com os olhos? Isso aconteceu comigo e com a Alicia.
“ ― Han? O que você disse? “
Muitas coisas aconteceram ao longo desse tempo...Conhecemos pessoas, nos decepcionamos com muitas, visitamos diversos lugares, aprendemos outras línguas e até aprendemos sobre o amor. Sobre o meu ponto de vista, esse sentimento não pode ser medido e muito menos preso. Posso muito bem dizer isso por diversas experiências onde eu me doei demais, por ser intensa demais, e acabar me desiludindo. Mas, teve uma coisa que aconteceu que fez tudo mudar.
“ ― Sério mesmo que temos que colocá-la em uma creche? Mal sei pra que isso serve, Alicia! “
Noelle. Esse era o nome daquela pequena menina que havia cativado meu coração bem depois de descobrir o que era um orfanato e quais eram as suas funções. Já era de se esperar de alguém cujas responsabilidades de mãe caíram cedo em seus braços: cuidar da pequena e indefesa Alicia. O desejo de ser mãe sempre esteve presente e agora foi realizado pela chegada de um novo membro na família Bourgeois.
PONTO DE VISTA ― ALICIA.
De todas as sereias existentes no mundo, nós duas fomos “escolhidas” para visitar o mundo humano. No começo, estranhei e achei que iria me dar muito mal. Um ambiente completamente diferente. Cultura diferente. Língua diferente... Céus, eu pensei que fosse fracassar. Entretanto, eu não havia perdido o cardume todo. Ainda tinha Sabrina, minha irmã mais velha. Vou contar, ser a caçula me fazia ser privilegiada. Eu adorava, afinal quem não gostaria de ser a pérolazinha preciosa do papai?
“ ― Ah, não sei, Sasa. Ela precisa fazer amigos e, bem... Nem sempre poderemos estar presentes na vida dela por conta do trabalho... “
Porém, ser a caçula nem sempre era bom. Eu não podia fazer muitas coisas e também tinha de obedecer as ordens de meus pais, sem discutir. Uma vez, no meio de uma discussão, eu balancei a cauda e jurei que iria pro mundo humano, que nunca mais voltaria, mas ao chegar aqui, nua, com todos me olhando, voltei nadando como um peixinho indefeso. Com a Sabrina aconteceu quase o mesmo, porém não foi por birra. Ela foi procurar nossos pais e acabaram olhando-a do mesmo jeito. Ironia do destino. Estamos no mundo de vocês de novo.
“ ― Ok, Licca. Vamos ver isso depois. Eu preciso voltar para dar aula. Cuida da Nono pra mim? “
Quando a Noelle chegou, eu achei que fosse explodir de felicidade. Cara, voltar de viagem depois de assinar um contrato importante e ter uma garotinha sorrindo pra você é maravilhoso. Uma sensação incrível. Foi até mesmo uma situação engraçada. Cheguei, olhei para Noelle e perguntei se alguém tinha encolhido a Sabrina sem eu saber. Então minha irmã chegou na sala e sorriu pra mim. Eu travei. Como assim? Agora eu tenho duas Sabrinas? Uma nanica e outra maior que eu? O que está acontecendo? Nós rimos bastante naquele dia e no dia seguinte, saímos para que eu pudesse conhecer a pequena.
“ ― Claro que cuido! Vem com a titia, meu amor! Ah, Sabrina, vou precisar trabalhar amanhã na parte da manhã, consegue levar a Nono para o trabalho contigo? O escritório precisa de mim para resolver algumas coisas. “
Ela, com toda certeza, veio como uma luz para gente. Ser tia... Nossa, é muito bom. E depois que ela chegou, a minha vontade de também ter uma filha apareceu. É a coisinha mais fofa ouvir a Nono chamando a Sabrina de “Maman”. Fico inteiramente soft, como aprendi com os seres humanos. Ainda que eu não pudesse ficar com ela 24hrs por dia, pois ser embaixadora da Chanel me ocupava bastante, eu adorava os minutinhos, poucas horas, todos os momentos com a minha sobrinha.
“ ― Sim, sim. Tudo bem! Vou indo! Tchau, minha pequena. Mamãe te ama. “
E todos os dias desde então tem sido assim.











