⋆.⋅ sjæl — fenravia⌟
⇝ᘠ⋄ . ❝ --- Holgersen, sua vez! --- A voz autoritária do instrutor de luta fez a alada tirar os olhos da briga entre dois primeiro anistas e finalmente olhar para o ringue central, onde os estudantes do último período costumavam lutar. Ver Fenrys ali não devia ser uma surpresa, o illyrian era presença constante no Centro de Treinamento. Houve um tempo em que Gustavia adoraria uma chance de lutar com alguém no nível do leal a Hela afim de provar suas habilidades, mas depois de um mês inteiro ao lado do Hotharn, tudo o que ela sentiu foi um tremor que ecoou da base de sua nuca até a última vértebra de sua coluna. Não, não pela luta. Afinal, a loira não era nenhum pouco modesta quando se tratava de suas táticas de combate, mas porque encará-lo, tocá-lo…. Tudo isso parecia acordar uma criatura perigosa dentro de si, e assim que deu os primeiros passos em direção ao ringue, ela sentiu seu estômago estremecer, um prelúdio de como as coisas com Fenrys costumavam se desenrolar.
Um mês no acampamento illyrian e eles não lutaram uma vez sequer. Não falaram mais do que palavras de uma amistosidade irritante e, principalmente, não chegaram nem perto de repetir o beijo que ocorrera depois da invasão em Fimbulvtr. O beijo…. Ela podia se lembrar com detalhes como quando, depois de derrotarem os elfos negros e desarmarem os estudantes, as espadas caíram ao chão, o tintilar do metal ecoando no silêncio penetrante do corredor, as mãos cumpridas dele envolveram sua cintura de maneira possessiva, necessitada, urgente… Desnecessário dizer que a cena visitou a mente da peregryn algumas vezes depois daquilo, lembrando-se de cada detalhe, desde como sua respiração se tornou ofegante em instantes, ou como os músculos definidos do abdome alheio se moldavam ao corpo dela em um encaixe perfeito demais para ser explicado. Por causa disso, toda vez que a respiração de Gustavia se tornava um pouco mais descompassada na cabana que dividia com o illyrian, ela tinha que se certificar --- apenas por desencargo de consciência --- de que o laço mental entre eles estava devidamente selado. Não por vergonha, mas porque eles não estavam sozinhos naquela cabana.
Bella e Dmitri estavam ali. O tempo todo. Gustavia podia sentir a ansiedade crescente nos nervos de todos, como se todas as coisas não ditas saltassem em cada gesto, ação, por menor que fosse. No final das contas todos sobreviveram…. Mas por um triz. Apenas mais uma palavra, um olhar, um toque e tudo teria explodido pelos ares.
Agora, estando frente a frente com o illyrian, Gustavia sentia a sensação estranha formigar na ponta de seus dedos e sua cabeça. Sabia o que aquilo significava. O moreno pedia acesso aos seus pensamentos, como se batesse na porta antes de entrar, e com um pouco de dificuldade, deixou que sua mente se abrisse para Fenrys. Por um segundo, o nada era tudo o que se podia ouvir. Talvez surpresa por ela ter aceitado depois de um longo mês de ausência, talvez porque nenhum dos dois soubesse de verdade o que dizer.
“O gato comeu sua língua, Hotharn?” A voz ecoou pelo laço junto com um sorriso --- mais confiante do que ela realmente se sentia ---, e ela notou que usá-lo ainda era fácil, e as eras que se espreguiçavam pelo seu braço, tornando a vida depois de tanto tempo adormecidas, provava que o vínculo que ligava os dois permanecia intacto.
“Você bem que gostaria disso, não é?” O riso dele era como um espelho do seu, arrogante e confiante. Fenrys não se dobrava as implicâncias da peregryn, inclusive, ela ousava dizer que se tornava melhor naquilo com o passar do tempo --- ainda que um suave sentimento de frustração diante das provocações dela pudesse ser sentido, vibrando através da ligação como um elástico reverberando depois de ser puxado muito forte.
Como sempre, o primeiro avanço foi da alada. O ataque flanqueado, rápido e ágil acertou a costela e maxilar do illyrian em um quarto de segundo, mas apesar do golpe, Fenrys não se moveu um centímetro para o lado. Se o movimento provocou dor, ele fez questão de não deixar aparentar e apenas trincou o maxilar e cerrou os punhos com força. A resposta veio tão rápido quanto o ataque da Holgersen, e com um bruto e forte soco, ele acertou seu nariz, fazendo-a cambalear para o lado com um sorriso maníaco no rosto. Podia soar um tanto doentio, mas ela gostava do fato de que o Hotharn não se segurava com ela. Ele a tratava como qualquer outro guerreiro ali e era esse nível de igualdade que a fazia sorrir enquanto cuspia o sangue acumulado na boca.
Em seguida, Gustavia estava novamente em cima do moreno. O fato dela ser resistente a dor a tornava uma competidora incessante, e ela normalmente ganhava pela exaustão, porém, quando ele a jogou no chão, fazendo um som estrondoso ecoar pelo Centro de Treinamento, como um raio, ela se lembrou de quando eles se encontravam em uma posição parecida demais com aquela, no meio da nevasca. A sensação da pele exposta dele a prensando no chão encheu seu baixo ventre com chamas e ela soube que a lembrança havia escapado pelo vínculo, sem sua permissão.
--- Você joga baixo, Holgersen. --- Admitiu ele, apertando os olhos azuis escuros --- O único indício de que havia sido atingido com a memória, mas foi o suficiente para que ela provasse que se quisesse, teria se libertado com facilidade no fatídico dia.
--- Eu nem comecei, Poppy. --- O nariz, já ensanguentado, acertou o do moreno com força, e ele afastou-se apenas o suficiente para que ela pudesse escapar da posição desfavorável, e antes que ela pudesse estar de pé novamente, Fenrys investia contra ela com força o suficiente para quebrar os ossos finos da guerreira. No entanto, Gustavia usava de toda técnica aprendida em décadas para usar os pontos fortes de seu corpo para se defender e atacar, por sua vez, usando da rapidez e da agilidade, já que ela podia ver qual era o ataque do mais velho antes dele o executar para esquivar e montar um contra ataque antes mesmo do movimento ser feito. Depois de algum tempo, os dois se envolveram em uma dança, quase sincronizada, já que havia duas lutas acontecendo. Uma visível, onde o sangue jorrava e os músculos já davam sinais de hematomas e exaustão, e outra mental, onde a mente dos dois trabalhava freneticamente uma contra a outra, tornando o resto da sala um borrão para ambos os alados.
As tatuagens se agitaram, avançando pela pele ainda lisa, marcando-a com eras e padrões antigos que completavam-se entre si. O fluxo da ligação nunca tinha sido tão ativa, e isso se refletia na velocidade com que as tatuagens cresciam, porém, nenhum dos dois parecia notar isso naquele momento.
Braço. Perna. Chute. Esquivar. Atacar.
Eles mal pensavam, se deixando levar para um modo quase automático de luta que por si só teria chamado atenção pela agilidade, sincronismo, força, violência e graça com que cada ação era executada. No entanto, foi quando uma névoa fria e escura, farfalhando com pontos de luzes brilhantes, começou a envolver o ringue, que todos que assistiam deram um pequeno passo para trás. Mas não Fenrys e Gustavia. Eles pareciam nem notar a mudança ao redor, cegos para o resto do mundo.
As vozes teriam os distraído, porém, de novo, eles tinham outras coisas em mente.
Sem que notasse, Gustavia deixava escapar pequenas lembranças, tomada pela raiva e concentração. Coisas que ela não diria, ou sequer mencionaria. Coisas que a magoaram.
A forma com que ele olhava para Bella quando ela falava algo, ou a maneira como suas mãos se tocavam enquanto cozinhavam. O sentimento dolorido, cheio de angústia e ciúmes só era possível porque ela não tinha que verbalizar nada daquilo, mas como o vínculo estava escancaradamente aberto, Fenrys podia visitar a memória através dos olhos verdes da peregryn. A maneira dura e crua com que cada sentimento se sobrepunha ao outro. Não havia máscaras ali, apenas a verdade.
A rapidez com que a mente dos dois trabalhava tornava impossível para a Holgersen simplesmente fazer a memória desaparecer e ela permaneceu até que Fenrys revisitasse todos os detalhes. Os punhos, socos e chutes não pararam apesar disso, na verdade, apenas se tornaram mais duros e intensos, como se não estivessem mais lutando um contra o outro, mas contra o sentimento que cada memória trazia.
Gustavia esperava apenas que aquilo terminasse, mas quando sua lembrança estava prestes a desvanecer outra surgiu no lugar. Dessa vez, seu rosto era o que protagonizava a memória. Como ela era simpática ao redor de Dmitri. Como os outros illyrians a chamavam de “Donndubhan” em virtude do noivado dos dois, e como cada palavra tinha um tom acusatório impregnado nelas. Gustavia tinha estado lá, vivido aquele momento e tinha absoluta certeza que, quando aconteceram, as palavras não tinham aquela entonação. Então, ficou claro para a loira de que aquilo não passava de como Fenrys havia interpretado aquilo. Como a traição da escolha pelo outro guerreiro ao invés da dele o magoaram além das palavras. O sentimento de acusação, traição,ciúmes, raiva e inveja… Tudo isso pareciam crescer rapidamente. Os socos e esquivas acompanhando a intensidade dos sentimentos até que os dois enxergaram a verdade e pararam de se mover. As tatuagens já cobriam todo o braço e peito dos alados, mas não foi isso que os fez encarar um ao outro. As respirações ofegantes, a pele suada e a feição assustada quanto tudo se conectava. O peito dos dois subia e descia a procura de ar, sincronizados, como havia sido toda a luta. Mas, dessa vez, foi Fenrys que tomou a iniciativa ao puxar a fêmea pelo pescoço e pressionar os lábios nos dela com ferocidade.
Gustavia se prendeu no abraço alheio, correspondendo ao beijo com a mesma urgência, e dessa vez não tinha sido nada parecido com a primeira vez que se beijaram ou com a nevasca, tampouco com o beijo depois do ataque. Aquele beijo era a única coisa que podia fazer. Era inevitável, necessário. Ela podia sentir seu interior se ligando ao de Fenrys, se conectando com cada pequena parte dele, como se sua alma se espreguiçasse para fora de seu corpo e se tornasse parte do Hotharn e ele se tornasse um pouco dela. Porém, outra coisa parecia pedir passagem. Um sentimento frio que congelava suas veias, arrepiando desde os dedos de seu pé até a ponta de suas asas. E, até para a Holgersen que era resistente a maioria das coisas, suas asas eram sensíveis o suficiente para que ela parasse o beijo e abrisse os olhos.
O instinto de virar para olhar as próprias asas foi suprimido pela visão alva do Hotharn, que já não mais ostentava as asas negras de morcego e agora tinha asas brancas como a neve, em penas como a sua que eram grandes o suficiente para que, abertas, ocupasse quase todo o ringue. Gustavia estava tão assombrada com aquilo, com a beleza com que seu Fenrys reluzia que ela esqueceu-se de olhar as suas. Mas, nem isso foi necessário. Já que, através do vínculo, ela soube que as asas uma vez castanho douradas, agora exibiam a mesma cor pálida da do illyrian.
Sem se afastar do abraço do mais velho, Gustavia tocou o queixo dele, os olhos verdes faíscavam em desejo, em paixão, em aceitação. Diferente do que ela achava que seria, não havia nada de assustador em aceitar que Fenrys era seu mate. Na verdade, sentia-se extasiada, em transe, como se nada importasse e a gravidade não fosse mais o que lhe mantivesse em pé. Fenrys era seu centro agora, sabia que morreria por ele, mas o mais importante: viveria por ele enquanto ambos respirassem na Terra.
--- Sjæl! --- Eles ouviram e, relutantes, tiraram os olhos um do outro. Os dois se viraram para encarar a feição assombrada do instrutor e de todos os alunos que pararam para ver o que acontecia.
--- Sj- o que? --- Perguntou Fenrys, e embora a voz do moreno soasse alta demais verbalizada, como se ele tivesse estado em sua mente desde sempre, Gustavia não pode deixar de piscar, curiosa com a resposta do homem.
--- Sjæl. As três almas. Dois elfos, um macho e fêmea e uma divindade. O casamento dos deuses. --- Explicou então, o sorriso débil de quem mal podia acreditar no que via. --- Antes… Antes de uma grande guerra, os deuses escolhem dois guerreiros para defender seus interesses e os unem, tornando-os mais fortes através de um vínculo inquebrável que os tornam, não mais dois, mas apenas um. A junção de três criaturas em apenas uma. Nunca mais se ouviu falar disso depois da guerra que acabou com nosso mundo.
Gustavia podia sentir que o Hotharn não gostava da ideia de ter a mente e corpo aberto para uma entidade, e dado as cores das asas dos dois, era claro quem havia ganho aquela barganha.
--- Então não somos parceiros? --- A voz da alada soava estridente até mesmo para ela, e ela se apertou contra Fenrys inconscientemente.
--- São e não são. De certa forma, a relação de vocês é tão forte quanto o de um matebond pode ser. Porém, é algo mais. Vocês foram feitos para alcançar um propósito maior. O desejo dos deuses.
--- O desejo de Loki? --- Guinchou alguém, a voz de uma ruiva que esbanjava nojo, e o pior, terror. Afinal, elfos negros, a destruição dos mundos… Se Loki havia os escolhido para uma grande guerra, eles não estavam do lado dos mocinhos. Os dois estremeceram, afinal, agora que eles finalmente entenderam que pertenciam um ao outro, eles tinham que encarar a verdade de que a mesma magia que os havia unido seria a mesma que destruiria o mundo.
ANGEEEEEEEEEEEL! Feliz aniversário!!!!!!!!!! ***Um milhão de pontos de exclamação para demonstrar minha empolgação***
Há meses atrás, *em setembro*, quando fiz o POV da Vivian, você disse que queria um POV e nós, até então, não tinhamos tido nenhum ship de sucesso. E ai, o universo nos presentou com não UM, mas DOIS ships lindos que me fizeram chorar e rir e morrer e bom eu só tenho que agradecer você por isso. Porém, o que eu queria mesmo agradecer é a nossa amizade. As conversas, os conselhos, os desabafos, os planos --- mesmo que eu saiba que você nunca vai vir me visitar! --- apenas a gente fingir já torna meu dia muito mais feliz. Saber que eu tenho uma amiga com quem eu posso contar é sem dúvidas o melhor presente de todos, e eu sei que é seu aniversário e quem devia ganhar presentes é você, mas o que eu posso fazer se sua existência é o maior presente de todos? **dá de ombros**
Como retribuição, fiz esse POV do nosso ship que o polvo escolheu. FENRAVIA que foi assim... ain nem sei como classificar esses dois. Eu me senti um pouco culpada de escrever esse momento sozinha, sem ser em turno, porque acho que era algo GRANDE demais para eu decidir tudo, por isso ele é um AU e podemos reescrever ele quando você quiser! É só um presentinho pra te deixar só um pouquinho feliz, uma coisa bem pequena se comparado ao valor da nossa amizade pra mim. Enfim... Eu te amo, eu desejo SEMPRE tudo de melhor pra você. Estar aqui por você quando você precisar, mesmo de longe, pra te ouvir, pra te dar forças.... Pra o que você precisar, really! E de novo: Feliz aniversário.













