let the memories begin. chester x alice x tarrant
Alice olhoupara o relógio mais uma vez, não que tenha mudado muita coisa desde dois segundos atrás (de qualquer jeito era sempre bom garantir), não era como se estivesse muito ansiosa para a viajem em família, ela apenas não conseguia pensar em outra coisa além de Disney… ou pôneis, mas isso não vem ao caso agora. Do seu lado Dinah dormia pacificamente, mal sabendo que qualquer hora Alice podia pular da janela por não conseguir conter sua energia. Alice tinha que ressaltar que a viagem não era única coisa que a deixava nervosa, o fatídico evento foi mais cedo, quando Alice foi matar uma aranha e ela logo sumiu, agora a loira presumia que a dona aranha achava que Alice era algum tipo de assassina de aracnídeos e planejasse uma vingança que envolvia Alice assistir Carros dois (aquilo foi um pesadelo para todos) ou ter de viver em um mundo sem filhotes. Mas a viagem era a ganhadora da noite por deixar Alice assim, oh sim, ela estava tão animada por isso que sentia que a qualquer momento seu coração ia entrar em pânico e desistir de ser o coração de Alice, se demitir, o que a assustava um pouco, ela amava muito seu coração, muito mesmo e faria de tudo para ele não ir embora, a menina olhou para seu peito, bem onde o coração ficava - Hey, camarada- sussurrou, não tirando os olhos do seu peito - Eu sei que ta difícil ai mas não vai embora não, juro que você vai ser recompensado depois disso- dando um sorriso, porém lembrando a si que coração não tinha olhos, bem, não o seu, ela achava. Tentou a voltar a falar com seu coração porém a viajem fazia ela ficar ansiosa de mais até para falar com si mesma. Era primeira vez que Alice viajaria com Chester e Tarrant juntos (não achava que aquela ida a cidade vizinha para comprar torta de amoras não tenha realmente contado como uma viajem em família), mesmo ela tendo ficado tão irritada com eles como um gato ficam quando é colocado na agua, Alice resolveu perdoa-los, pelo menos isso era o que alegava, mesmo sabendo que não conseguiria ficar brava com os dois nem por mais um segundo, tinha certeza que era por causa dos olhos dos dois, eram tão redondinhos e pidões que a fazia se derreter em um piscar de olhos, como se os dois fosse filhotinho… oh, isso seria tão fofo, Alice sabia que Chester poderia ser um filhote de gato mas o Chapeleiro, hm, talvez um filhote de ajolte, sempre tão fofo, ou cachorrinho mesmo. Estava tão feliz por finalmente estar de bem com a família. Família. isso soava tão bem, tão ótimo, tão… maravilhoso, e mesmo sendo imensa a saudade que sentia de seus familiares biológicos, suas irmãs, mãe, primas e primos, até mesmo Mabel ou Ada, as duas amigas que Alice achou que era quando chegou no País das Maravilhas (complicado demais para explicar) estava tão satisfeita com sua família aqui, era uma contradição, claro, mas nunca se sentiu tão feliz por ser contrariada.
Logo seus pensamentos voltaram a viajem. Pelas suas pesquisas o lugar mais feliz da terra. A loira lembra muita bem quando Chester e Tarrant a avisaram que iriam para o parque, no começo ficou confusa por não saber como iriam entrar na televisão, mas como já saíram de um livro Alice não duvidava que não existia o impossível, se ao menos soubesse por onde começar. Porém quando finalmente entendeu, a menina fez questão de usar sua melhor cara de surpresa e logo depois derrubando os dois por pular em cima deles. Alice nunca viajava, ao contrario de sua família. Até tinha ido a praia, apenas uma vez em sua vida e tirara a conclusão que em qualquer lugar da costa inglesa que se vá, você encontra cabines de troca de roupa, crianças cavando na areia com pás de madeira, e uma fila de hospedarias atrás, e uma estação de trem mais atrás ainda, assim sabia que se se perdesse no mar era só seguir a linha de trem para conseguir voltar para casa, esperava que também houvesse isso na Disney. Alice olhou para o relógio mais uma vez, achando melhor para com isso antes que ficasse como o velho coelho branco, não que não gostasse dele, não a entenda mal, ela só não queria ser um coelho, servo da Rainha que usava colete e olhava para o relógio toda hora. Irritada consigo mesmo, recou na sua cadeira e procurou por alguém, encontrando depois de um tempo, Tarrant. A loira começou andar nas pontinhas dos pés, já preparada para dar o melhor susto de sua carreira quando Dinah se esfregou em seus pezinhos e miou, fazendo Chapeleiro se virar bem quando Alice estava com os braços levantados e com uma careta costumeira -Oh, bem… eu não ia te dar um susto- disse mudando de postura tão rápido, entrelaçando as mão atrás das costa -Por que isso seria totalmente rude de minha parte… mesmo sendo muito engraçado, minhas babás sempre falavam isso pra mim- comentou olhando para baixo e rindo das memórias de toda vez que assustava as governantas. -Se bem que poderíamos fazer de conta… Oh, não, não, vamos fazer de conta que eu sou um cowboy, e, e que você também é um cowboy, só que de noite,a cada lua nova você vira um dinossauro de braços curtinhos, sabe?- No mesmo instante Alice diminui os braços como se fosse um T-Rex. -E como os cowboys são melhores amigos, eles deviam se ajudar…- Não levou muito tempo para a garota estar nas costas de Tarrant enquanto tentava ao máximo entrar no personagem enquanto gargalhava. -Para sala, bravo Dinossauro Cowboy- ao chegar na sala pulou das costas do amigo, e as gargalhadas foram substituídas pelos olhinhos parecendo holofotes de tão brilhante que estavam, e com um sorriso de orelha a orelha. Havia colchões na sala, com alguns de sus bichos de pelúcia e cobertores fofinhos, oh, Alice queria tanto poder nadar ali. A loira adorava dormir na sala, era diferente e tão divertido, não tanto como aquela vez que dormiu na varanda, mesmo pegando uma baite gripe depois. Observando Chester rolando ali, a pequena riu, levantando os ombros e fechando os olhos, aumentando ainda mais a risada quando o menino resolveu cantar, decidindo se jogar na cama, bem em cima do irmão -Ora- tentou falar sério - Ouço um tipo de zumbido mas eu simplesmente não consigo saber de onde vem- logo após isso, Alice desatou a rir. Não podia estar mais feliz.
A viagem tinha sido uma ideia fantástica. Ao menos, era o que o Chapeleiro admitia para si mesmo. Por que? Tarrant tinha três respostas na ponta da língua para essa pergunta: a) entretenimento; b) conhecimento; ou c) tentar tirar da mente de Alice a ideia de que tinha um caso com Chester. Era engraçado como uma viagem poderia ajudar e divertir tanto, apesar de que Chapeleiro ainda estivesse hesitante em conhecer seu... Intérprete? Não podia confirmar se era medo, mas temia que ele passasse a imagem errada de si mesmo. Tentando esquecer aquelas coisas, colocou uma música alta no quarto qual estava "hospedado" e dançou enquanto arrumava algumas roupas na mala. Com passos esquisitos, seguiu para o corredor, após ajeitar a bolsa de viagem, e olhou os retratos pendurados na parede -- alguns tão recentes que Tarrant ainda lembrava-se de cada detalhe dos momentos.
Um miado atrás de si logo chamou-lhe a atenção, onde também encontrara Alice numa encolhida pose nas pontas dos pés. Abrira um sorriso de "Não foi dessa vez" e a menina rapidamente tentou disfarçar a tentativa de dar um susto. -- Certamente, suas babás não gostariam de mim... Mas sabe de uma coisa? -- Questionou Alice, chegando perto de seu ouvido e sussurrando travessamente -- Eu não daria ouvidos para pessoas tão mal humoradas que não gostam de sustos. -- O sorriso malicioso continuara no rosto até ouvir a doce e criativa história da loirinha. Com um pulo, ela já estava em suas costas e o Chapeleiro segurava suas pernas para que não caísse enquanto ria da surpresa do ato. -- Ihá! -- Gritou num sotaque de cowboy e trotou até a sala com Alice atrás de si.
Chegando no cômodo, a menina soltou-se de suas costas e ele foi para a cozinha pegar o chá dos três, que havia preparado horas antes. Por consentimento de todos, o sabor do chá escolhido foi o de morango. Tarrant vibrava por ser sua bebida preferida e pela forma divertida de fazer. Pegou as xícaras com cuidado, deixando os pires para outra situação, e levou-as lentamente para a sala. Lá Alice e Chester se remexiam na grande cama improvisada, com feições alegres, o que fez o Chapeleiro abrir um sorriso de orelha à orelha. -- Ei, ei! Não me deixem fora dessa, trouxe nossas bebidas. -- Adorava vê-los tão felizes daquela forma. Afinal, era sua família.









