Os olhos de Kasey imediatamente pareceram brilhar enquanto suas mãos pareciam sedentas por uma tentativa de empilhar garrafas. Ele olhava o balcão e notava as demais garrafas à sua volta e logo voltou a olhar para o rapaz ao seu lado — Tá desorganizado. — Ele respondeu num olhar rápido — A mesa… a ordem… tá desorganizado! — Kasey tinha seu autismo diretamente ligado à ordens das coisas, tudo deveria estar em alum tipo de ordem, seja ela numérica, baseada em altura, largura, cores, letras, ou até ordem de uso e descarte, para tudo havia uma ordem e seu cérebro não o deixava em paz enquanto a ordem não fosse seguida. Ele imediatamente começou a catar algumas das garrafas pelo balcão, colocando-as alinhadas à sua frente e tentando lembrar-se de quais ele havia notado que haviam sido usadas primeiro, começando a montar uma base quadrangular à sua frente até ver uma mão entrar em seu caminho seguido de um “wow, opa!”, seus olhos guiaram-se para frente e o barman, alguém que lhe era familiar, o interrompia com o argumento “Kasey, não, cadê seu caderninho que o Matteo sempre te diz pra escrever quando você tiver assim?”, o sujeito era um amigo em comum e logo Kasey virou os olhos para o bolso traseiro da calça onde sentia o caderninho. — Tá desorganizado… — ele repetiu e logo virou ao garoto que havia falado com ele antes do barman. — Você concordou! — Kasey logo voltou-se novamente para o barman e depois de olhar rápido à sua volta, lançou um comentário de volta. — Cadê o Erick, Heilyn? — Perguntou ao homem — Eu acho que eu vi ele dando cantada no meu irmão de novo… e ele é policial, e casado com o prefeito. — Notificou. O barman logo se dispersou dos dois sentados alí e saiu à procura de alguém, deiando Kasey e Thomas novamente sozinhos. — Eu conheço esse cara… o namorado dele dá cantada no meu irmão porque ele é policial, e porque meu irmão apresentou uma vez um amigo que é do FBI e é casado com aquele Dougie Swift, o cara da Broadway… aí já imagina. — Ele suspirou, voltando a olhar para a mesa. — Eu tô falando demais?
Nada do que o outro dizia fazia sentido para Thomas. Desorganizado? Certo, mas e daí? Era uma festa com jovens que já estavam bêbados, nada ali estava mais organizado. O moreno manteve a expressão confusa e ainda mais curiosa focada no homem mais velho. Mesmo bêbado, dava para observar alguns detalhes singulares que deixavam-no intrigado, mas não o suficiente para que acabasse lhe questionando ou pressionando sobre o que aquilo tudo se tratava. E bem, quando o barman resolveu interferir, as sobrancelhas do estudante subiram em surpresa. Homens bonitos atraem homens bonitos, porque caramba! Os dois eram ótimos para se encarar. Exceto que quando o marido do outro foi mencionado, rapidamente Thomas tratou de tentar limpar os pensamentos torpes, focando apenas no que estava a sua frente. "Ah, não, não está. Sua vida parece muito interessante." comentou, o riso baixo lhe escapando. "FBI, barmans, prefeito e caras da Broadway... uau, isso é tão diferente."