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@tocomamor
Aprendendo e ensinando...
Aprendi que em Terapia Ocupacional (e na vida) quando estamos dispostos a ensinar algo a alguém acabamos aprendendo muito mais do que imaginamos... Ensinar engloba entender a si e ao outro, saber o que agrada, o que faz sentido em ambas as vidas envolvidas e para isso, mesmo que indiretamente, exploramos a vida das pessoas, passando por sua identidade, seu contexto, sua rotina, seus gostos, seus desejos, seus medos. Para ensinar aprendemos um pouco da vida do outro.
Na minha curta experiência como estudante de Terapeuta Ocupacional e pensando no que vivenciei com diversas atividades que me foram propostas compreendi que coisas que pareciam sem ligação direta (pensar na minha identidade, na identidade de um grupo, nos contextos das pessoas, nas rotinas...) acabam sendo essenciais juntas no desenvolvimento das atividades terapêuticas (e também da vida), pois para que alguma atividade seja feita e surta o efeito necessário, ela precisa fazer sentido na vida de quem a pratica e esse sentido (ou a falta dele) é fruto das vivências de cada um, o que engloba todas as pequenas partes vistas separadamente, mas que agora, fazem todo o sentido juntas.
Referências: Caroline Cristina Bruno; Data: 14/02/17
Meu dia... seu dia.
Sou um pouco atrapalhada com a organização dos meus horários, por isso, para não me perder nas minhas tarefas diárias costumo seguir uma rotina semanal, separando cada dia da semana para uma determinada atividade. Esse fato facilitou muito a minha elaboração do relógio de atividades, pois eu só desenhei e colori no papel o que já costumo fazer todos os dias.
Para mim, o que mais valeu nessa atividade não foi minha percepção dobre mim mesma, mas sobre os outros, pois vi na prática que as pessoas são sim muito diferente na sua organização do cotidiano. Vi que apesar de termos horários e alguns objetivos em comum, cada um vê e interage com eles de uma forma (alguns chegam mais cedo na aula, outros mais tarde, alguns estudam durante o dia, outros a noite, alguns dormem mais, outros menos, alguns praticam atividade física, outros não).
No final das contas o dia é o mesmo para todos, mas o que fazemos dele não. E acho esse fato muito importante para a atuação do TO, pois saber o que nossos pacientes fazem/faziam no seu dia a dia, saber quais papéis ocupacionais eles tinham é de fundamental importância para conseguirmos melhorar a qualidade de vida deles, seja quais forem suas necessidades.
Pesquisando mais sobre o assunto, encontrei o estudo de Takatori (2001) reflete sobre os alcance da reconstrução do cotidiano de pacientes (pós acidente ou doença) no processo de reabilitação física.
O estudo acabou por me mostrar outro recurso terapêutico da TO, que pode ser utilizado até mesmo em processos de reabilitação física.
Referências: Autoria - Caroline Bruno. Técnica - foto de máquina fotográfica. Data - Janeiro de 2017
Takatori, Marisa. "A terapia ocupacional no processo de reabilitaçäo: construçäo do cotidiano." Mundo saúde (Impr.) 25.4 (2001): 371-377.
Dança circular e TO
A prática de dança circular sagrada me despertou a curiosidade sobre como eu poderia utilizar essa ferramenta na minha atuação como Terapeuta Ocupacional. Na busca pela resposta, encontrei um estudo de Fleury e Gontijo (2009) buscou ver quais contribuições essa prática, juntamente com a atuação da TO( que segundo Fleury e Gontijo busca a manutenção da autonomia e da independência do indivíduo, bem como sua interação social) poderia trazer para a vida de idosas.
Acompanhando 12 idosas que faziam dança circular no Centro Livre de Artes, em Goiânia (GO), as pesquisadoras observaram que a prática desse tipo de dança traz tantos benefícios físicos (melhorando a disposição física e mental, a flexibilidade, a postura, a resistência, o esquema corpora, dentre outros) como também emocionais (trabalha a atenção, a memória, a cognição, a expressão, a socialização...). Dessa forma, segundo Fleury e Gontijo as danças circulares sagradas estão se tornando uma ferramenta para que TOs trabalhem com idosas para conseguir um aumento da qualidade de vida.
Ter realizado a dança circular em sala me abriu caminhos para conhecer uma ferramenta da Terapia Ocupacional, bem como um dos campos em que posso usá-la, o que foi muito enriquecedor.
Referências: Fleury, Tânia Maria Assis, e Daniela Tavares Gontijo. "As danças circulares e as possíveis contribuições da terapia ocupacional para as idosas." Estudos Interdisciplinares sobre o Envelhecimento 9 (2006).
Família... o tempo muda, a cultura muda, o modelo muda.
Família... uma palavra que parece de fácil classificação, mas que na verdade é muito complexa, pois nela está contido todo um contexto sociocultural.
A ideia de família não anda separada de seu tempo... ela caminha com ele e evolui com ele, bem como com a cultura dos que nele vivem.
Antigamente na sociedade ocidental o patriarcalismo era o modelo de família, com o homem a frente de tudo e a mulher e os filhos sempre submissos a ele. Hoje em uma época de quebras de tabus estamos abrangendo nossa noção de família, saído da ideia de quem a compõe para a ideia do que a compõe... o amor e a união entre seus membros, não importa quem sejam eles.
No entanto, mesmo nos dias atuais, podemos ver diferentes modelos de famílias definidas pelas crenças culturais de alguns povos... povos que acreditam que pensar e agir por conta própria é loucura, por exemplo, e que ser louco gera a exclusão da pessoa do seio familiar.
A montagem das fotos tem por intuito passar a ideia que os diferentes tipos de família nada mais são do que pecinhas de um mosaico que se juntam e formam a essência do que é a FAMÍLIA, se baseando nos sentimentos existente entre seus integrantes (na visão da sociedade em que eu vivo).
A ideia de família abrange muitos aspectos e influencia muito no modo de cada um agir, sendo, portanto, um público alvo para o trabalho do TO, já que para que possamos realmente ajudar um paciente, precisamos entender o meio em que ele vive e atuar de acordo com a realidade dele.
Referências: Autoria - Caroline Bruno. Técnica - montagem de fotos no aplicativo “fotor” disponíveis em - https://www.google.com.br/search?q=tipos+de+familia&biw=1366&bih=662&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwiSiNyYprHRAhXElJAKHWfvCpAQ_AUIBigB . Data 07/01/2017.
Dança circular: minha conexão com o outro.
Acho que essa imagem traduz muito bem como me senti ao praticar a dança circular.
Primeiramente me senti em contato direto com o outro, aquele com quem eu estava dividindo um segurar de mãos, a vergonha de dançar, o embaralhar das pernas, o desenrolar da dança e a satisfação em conseguir seguir os paços.
O contato das mãos já não é mais tão temido depois da aula de reconhecimento do outro e a convivência semanal diminui um pouco da vergonha. Com isso, consigo pensar em como me sinto realizando a dança e estranhamente me sinto em contato com a natureza, com as nossas raízes. Não sei se por que os passos me remetem a ideia de danças indígenas que tenho, se pela simplicidade dos passos que me lembram a simplicidade com que a natureza se apresenta a nós... só sei que me senti em contato com o mundo e a sensação foi muito boa.
Referências: Autor - desconhecido. Disponível em: http://4.bp.blogspot.com/-BTeNDWFxXFQ/TbBs6ktvkrI/AAAAAAAAABM/vPKUuiMCAns/s748/06371_vector-stock---happy-kids-holding-hands.jpg. Acesso em: 07/01/2017
Argila e TO
Não consegui encontrar nenhum artigo sobre o uso da argila na Terapia Ocupacional, porém encontrei relatos de estudantes de TO, como a Ana Luiza Sampaio, que em uma aula de utilização de argila para trabalhar o sentido do tato relatou que a atividade serviu como um meio de se expressar, ser criativo e criar peças que tem um significado próprio para cada um.
O relato da estudante bate exatamente com a forma como me senti e como senti meus colegas trabalhando com a argila. Eu pude me expressar e ser criativa, criando algo que expressou o meu significado de família e vi as outras pessoas fazendo o mesmo... tentando por meio de suas mãos criar coisas que as representassem. Alguns começaram tímidos e sem ideias, mas no final, todos conseguiram pensar e criar algo único. Foi uma experiência marcante.
Referências: Sampaio, Ana Luiza. Tátil: Argila. 2012. Disponível em: http://laboratorioato.blogspot.com.br/2012/12/utilizando-argila-tivemos-possibilidade.html. Acesso em: 08/01/2017.
O meu... o seu... o nosso... minha família!
Saí (quando minha mãe faleceu) de uma família de pai, mãe e filha única para fazer parte de uma família formada por pequenas partes que se somam e se reconhecem como família pelos laços do coração: os sentimentos.
Meu trabalho final em argila expressa exatamente essa ideia... as setas representam cada um dos membros da minha família e estão pintadas com suas cores preferidas: meu pai (azul escuro) e eu (rosa) logo abaixo dele, minha mãe (madrasta) (laranja) e meu irmão mais velho (enteado do meu pai) (verde) abaixo dela e no meio dos meus pais meu irmãozinho (filho dos dois) (azul claro). Todas as setas apontam para um coração central, que remete aos sentimentos que nos une e nos permite fazer parte dessa família.
Obs.: Adorei trabalhar com esse material e aprender uma forma tão gostosa de se expressar.
Referências: Autor - Caroline Bruno. Técnica - foto de máquina fotográfica digital. Registro do produto final de cerâmica. Data: janeiro/2017.
O espelho das lembranças
A imagem mostra exatamente como me senti no decorrer da aula... olhando para o meu passado através do espelho das minhas lembranças, tendo o espelho de lembranças um duplo significado, pois ele me mostrou que eu fui e também serviu como base para formar quem eu sou hoje.
O relaxamento induzido, onde nos foi proposto exercitar nossas lembranças sobre nosso passado e como nos sentimos sobre ele me colocou de frente com um dos meus maiores muros... meu bloquei de sentimentos sobre as coisas que acontecem comigo.
Posso rever perfeitamente cenas de momentos vividos na adolescência, na segunda infância e ter até uns flashes da primeira infância. Podem ser momentos bons ou muito tristes... os vejo perfeitamente, mas não os sinto. É como se o sentimento tivesse ficado preso ao passado juntamente com o momento, com a pessoa que eu era. Trago isso comigo desde sempre como uma estratégia para não deixar que as pessoas que me cercam saibam que estou triste, com medo ou assustada... para que elas não sofram por mim.
Pensar nisso me fez mais uma vez me sentir presa em uma caixinha da qual não sei como sair (e nem sei se quero sair).
Hoje tenho um ponto fraco (ou forte) que me faz sair um pouco da caixa... que me faz viver e mostrar meus sentimentos. Mas ainda estou aprendendo a lidar com isso.
Referências: Autor desconhecido. Disponível em: <www.epopnaweb.com.br/wp-content/uploads/2015/06/liberte-se_do_passado1.jpg> Acesso em: 05/01/2017
Consciência de grupo e TO
O estudo de Cunha e Santos (2010) trabalha, por meio de apontamentos bibliográficos, com os benefícios que o trabalho terapêutico em grupo pode trazer clientes com transtornos psicóticos, começando com a vantagem que se tem só por formar um grupo, que acaba funcionando como um ampliador e facilitador de objetivos propostos.
Este estudo se revelou uma grande novidade para mim. Como leiga, a última coisa que imaginaria realizar seria um atendimento em grupo com clientes com transtornos psicóticos. Na minha concepção antes da leitura do artigo, seria muito melhor trabalhar com cada um separadamente, me atentando a suas demandas particulares. Após a leitura do artigo consigo enxergar que apesar de suas particularidades eles também tem suas semelhanças e estar no meio de iguais acaba facilitando o acesso do terapeuta aos paciente, da mesma forma que estar no meio de pessoas que eu sei que tem vergonha de dançar, mas que estão dançando acaba me encorajando a dançar também (situação real).
Referências: Cunha, Ana Cristina F., and Thais Fernanda dos Santos. "A utilização do grupo como recurso terapêutico no processo da terapia ocupacional com clientes com transtornos psicóticos: apontamentos bibliográficos." Cadernos de Terapia Ocupacional da UFSCar 17.2 (2010).
Meu eu e o eu no grupo
Me sentir como igual e ao mesmo tempo como diferente dentro de um grupo... é a ideia que quis passar com a imagem a cima e também como me senti no decorrer da aula.
Movimentando partes do meu próprio corpo, me atentei a ele para que eu pudesse tomar consciência dele, para que eu pensasse em mim separadamente do meio em que vivo (mesmo que por poucos momentos). Ao fechar os olhos, me senti em um mundo paralelo onde apenas minha consciência e meu corpo habitavam. Me vi melhor... me senti muito melhor ao dialogar com meu corpo.
Quando me encontrava em uma boa sintonia com ele, relaxada e deitada, fui convidada a chamar mais alguém para habitar o mundo paralelo junto a minha consciência e ao meu corpo... o corpo de uma outra pessoa. De olhos fechados, fui reconhecendo pelo tato a “nova” pessoa e nela pude reconhecer semelhanças e diferenças. O sentimento de individualidade foi dando espaço ao sentimento de reconhecimento e pertencimento a um grupo. Passei a ver que alguns sentimentos eram compartilhados (como a vergonha do toque) e a me entender como parte de algo maior... tomei consciência da minha identidade de grupo.
Obs.: Não me sinto muito confortável quando tenho que ter contato físico com pessoas que não são muito próximas a mim, por isso, começar a aula com atividades para a minha tomada de consciência do meu próprio corpo foi fundamental para que eu entrasse no clima da aula e conseguisse alcançar o nível de tomada de consciência do corpo do outro.
Referências: Autor desconhecido. Disponível em: https://www.google.com/url?sa=i&rct=j&q=&esrc=s&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwjywZ2IqqzRAhVCgpAKHb0BCFMQjRwIBw&url=http%3A%2F%2Ftrabalhadoresdaluz.altervista.org%2Funicidade-e-identidade-individual-sao-incompativeis%2F&bvm=bv.142059868,bs.1,d.Y2I&psig=AFQjCNENjdSt8OYP-TOKdoRccjBNwigJdA&ust=1483750529006663. Acesso em: 05/01/2017
Autor desconhecido. Disponível em: www.luzdegaia.net/outros/diversos/unicidade.jpg. Acesso em: 05/01/2017
Árvore da vida... nossas bases e suas consequências em nossa identidade.
Referências: Autoria- Maria Silvia Leal. Técnica - foto de celular. Data - novembro/2016.
Minha vida em palavras
Nasci em 1994, quando a Medicina Neonatal ainda não era tão desenvolvida quanto hoje, com uma má formação congênita: Síndrome de Vater. Fui encaminhada para tratamento na UNICAMP aos 5 meses de idade e de lá até 15 anos, passei por 17 procedimentos cirúrgicos.
Eu e meus pais vivemos boa parte de nossas vidas entre médicos e hospitais, o que nos deu base para poder enfrentar o câncer que minha mãe teve em 2008. Apesar de todos os nossos esforços, minha mãe faleceu.
Em 2013 o maior e melhor presente chegou em minha vida, meu irmãozinho Vitor, que me ensina muito todos os dias e por quem busco diariamente ser uma pessoa melhor. Hoje vivo com meu pai, meu irmão e minha madrasta, com quem tenho um ótimo relacionamento. Faço Terapia Ocupacional, curso no qual me encontrei totalmente e pelo qual me apaixono cada dia mais.
Quem sou eu...
Não acho que exista uma maneira de pensar em quem eu sou sem pensar primeiramente no maior e melhor presente que ganhei na vida e que me mudou completamente: o Vivi. Uma coisinha pequena e cheia de amor que me cativou instantaneamente... ele está presente em todas as minhas decisões e ações.
Também não seria nada sem minha família, que sempre está por perto, seja para me aplaudir ou para me ajudar a levantar. Me trazem o conforto necessário a cada retorno para casa.
E para finalizar o tripé que é a base de mim, temos a cozinha... AMO cozinhar e alterno meu tempo livre entre brincar com o Vivi e cozinhar, as duas atividades que mais me agradam e alegram no mundo!
Refletir sobre meus gostos e o que sou através deles é um exercício que costumo fazer com frequência e ter a percepção de que me norteio na vida por meio deles me ajuda muito a tomar decisões quando se faz necessário, pois sempre tenho um ponto de partida definido para pensar na decisão e em suas consequências.
Quem sou eu... em imagens
Vivi, Família, Cozinhar... o resumo de mim!
A escolha do formato da colagem reflete a importância dessas pessoas e coisas na minha vida... são “fragmentos” que constituem o me eu!
Referências: Autoria - Caroline Bruno. Técnica - Fotos de celular. Momento com Vitor. Data: 2013.
Autoria - Caroline Bruno. Técnica - Fotos de celular. Momento com Vitor. Data: 2014.
Autoria - Caroline Bruno. Técnica - Fotos de celular.Momento em família. Data: 2015.
Autoria - Caroline Bruno. Técnica - Fotos de celular. Jantar do Vitor feito por mim. Data: 2016.