bart-maestro:
Era fácil rir com Tony e Bart o amava por isso. - Fique tranquilo, hermano, não pretendo ficar fora tanto tempo. - respondeu em um tom casual, mas sabia que Antonio compreenderia que o seu compromisso era sério. Podia dizer a ele que não podia deixar a loja fechada por tanto tempo, que seria irresponsabilidade deixar os gatos sozinhos no apartamento por um período tão longo, que sentiria falta da sua casa e de seus amigos… E tudo seria verdade, mas Tony o conhecia bem o suficiente para saber que aqueles fatores não eram empecilho quando Bart colocava algo em mente. - Sabe, tío pergunta de você as vezes, se você já tomou jeito na vida. Acho que ele esquece que não somos mais adolescentes sem casa. - falar sobre família sempre era algo complicado para eles, mas o coração do músico se aquecia com a lembrança do seu tio, ainda que o período que passaram juntos não tivesse sido fácil para nenhum deles - nem para Tony, que havia sido acolhido pelo velho guatemalteco quando necessitou.
A pergunta de Antonio não surpreendeu Bartolomé e ele devia uma resposta sincera ao amigo. - No estoy a huir, no esta vez. - parou alguns segundos antes de continuar, tomando um grande gole da bebida que descia queimando. - Você sabe da última vez que eu e Oliver estivemos juntos. Eu achei que depois daquela conversa as coisas iam melhorar, mas para a surpresa de ninguém, eu estava errado. - tinha demora uns dias para Bartolomé digerir o último encontro com o mais novo, mas não demorou para que contasse à Tony o quão cru e esclarecedor o reencontro havia sido. - Ya no me reconozco, Tony. Eu não sabia quem eu era quando estava com ele e agora não sei quem eu sou sem ele. Creo que puedo decir que este viaje es mi búsqueda. - era estranhamente satisfatório verbalizar aquela conclusão que rondava sua mente há semanas e uma parte de si esperava pela reação de Antonio.
Saber que Dominique ainda perguntava sobre ele aquecia o coração de Tony, que sempre teve o homem como uma figura paterna. O homem tinha lhe adotado, tanto quanto tinha adotado Bartolomé. Quando deixou a loja para o sobrinho e foi embora da Grã-Bretanha, Antonio prometeu que um dia iria visitá-lo, mas nunca conseguiu cumprir a promessa. - Tenho certeza que ele ainda lembra de todas as merdas que fizemos quando ele estava aqui. - Sorriu a medida que as lembranças retornavam. Apesar de tudo, apesar de ter sido renegado pela família, de ter abandonado sua filha e carregado esse peso durante toda a vida, Tony teve uma boa juventude ao lado do melhor amigo e boas memórias não faltavam.
Ao ouvir Bartolomé falando sobre seus motivos para a viajar, um peso que Antonio nem sabia que carregava em seu peito se aliviou um pouco. Tinha assistido o músico se abrir para Oliver, mesmo que pouco, e vê-lo feliz como ele estava junto ao rapaz não tinha preço. Porém a alegria tinha durado pouco e seus encontros com Bart vinham se tornando cada vez mais carregados de emoções mal resolvidas e complexidades. Queria saber ajudá-lo, mas ele mesmo tinha seus problemas mal resolvidos que não sabia exatamente como lidar. Talvez devesse tomar o amigo como exemplo e viajar em busca de si mesmo. Buscou a mão de Bartolomé, apertando-a carinhosamente. - Espero que te encuentres y vuelvas pronto, hermano. - Cuidaria dos bichanos, da loja, da casa e do que mais o músico quisesse, se isso significasse que ele conseguiria fazer as pazes com seus próprios monstros. - Como você está se sentindo com tudo isso? - Perguntou, a fim de dar espaço pro amigo falar sobre.

















