A voz de Bartolomé narrava os pensamentos de Oliver sobre o dia que tinham se conhecido. Sabia que tinham se passado poucos meses, porém parecia muito mais. Ele estava muito nervoso ao entrar na loja, como normalmente costuma - ou costumava - ficar em situações novas. O homem tinha lhe despertado interesse imediato, com seu jeito despreocupado e livre de ser, tão diferente de si. Ainda tinha os negativos daquelas fotos, tinham sido os únicos a escapar do seu luto e da sua raiva depois do término. Uma parte de Oliver se recusou a imacular qualquer recordação do momento que tinha alterado a trajetória da sua vida. — You're too humble, my love. — Respondeu, sentindo o rosto quente com os elogios e deixando o carinho sangrar nas palavras. — I remember that day. — disse, com suavidade. — You kept pretending not to notice me walking around, but you were listening to every shutter click. — um meio sorriso, quase cúmplice. — I think that was the first time I realized you hear places before you see them.
Oliver sentiu o peito se contrair de um jeito doce e perigoso com o toque das mãos. Não se afastou. Ao contrário: deixou que Bart o tocasse, o gesto pequeno enviando um arrepio lento pelo braço inteiro. Ele olhou para as mãos por um segundo, depois para Bart, sem pressa. — I feel it now as well. — disse, firme, honesto. — The wanting. The quiet kind. — respirou fundo. — And I like that we’re not rushing it. That it’s allowed to just… be here. — Apesar disso, a decisão já tinha sido tomada pelo corpo e pelo coração, não pela mente. Ollie não achava que seria capaz de tolerar mais um segundo sem colocar as mãos no homem a sua frente. — Would you like to come in and have a nightcap? — Perguntou, tímido pois certamente Bart perceberia as suas intenções. A rua estava silenciosa, com a exceção de poucos noitívagos e as luzes do seu prédio estavam quase todas apagadas. Seria muito fácil estender as mãos e tocá-lo, roubar um beijo pelo qual estava desesperado, mas já tinha esperado até ali. Poderia esperar um pouco mais pela privacidade e o luxo de tê-lo como quisesse.
O termo veio de maneira tão natural que, por um instante, Bart quase não percebeu o impacto. My love. O corpo reagiu antes da mente; um aperto suave no peito, um calor familiar que ele não sentia há tempo demais. Não era apenas o que Oliver dizia, mas o que aquilo permitia existir de novo. Bartolomé sentiu falta de ser chamado assim. Sentia falta, também, de chamar Oliver por nomes que não precisavam se explicar. Guardou o sentimento em silêncio, como fazia com tudo o que era precioso demais para ser exposto de imediato. - I’d like that. - respondeu por fim ao convite, a voz baixa, firme, sem esconder o quanto queria dizer exatamente aquilo. A subida até o apartamento foi tranquilo, quase cotidiano. Oliver seguiu à frente, conduzindo com naturalidade e Bartolomé o acompanhou sem urgência, apreciando a simplicidade daquele equilíbrio recém-descoberto. Não precisavam provar nada um ao outro ali - apenas continuar.
Dentro do apartamento, o silêncio os recebeu como algo vivo. As luzes suaves, o ar parado, o mundo do lado de fora finalmente distante. Tiraram os casacos com gestos calmos, quase coreografados pela familiaridade. Quando mais velho se virou, Oliver já estava ali, próximo, de frente para ele. Por um momento, nenhum dos dois se moveu.Então Bart deu o passo que vinha adiando desde o início da noite. Estendeu a mão e tomou a de Oliver com cuidado, como se ainda estivesse aprendendo o peso daquele gesto. Com a outra, envolveu-a por completo, trazendo as mãos juntas até perto do rosto. Inclinou-se apenas o suficiente para depositar um beijo lento e delicado sobre os nós dos dedos de Oliver - um gesto antigo, íntimo, carregado de memória. - I missed this. - disse em voz baixa, sincera, sem precisar especificar. O toque, o direito ao carinho, os nomes que não eram ditos. Ergueu o olhar devagar, encontrando o de Oliver. - I missed you letting me do this. - permaneceu ali, as mãos ainda unidas, o corpo próximo, sabendo que não havia pressa alguma. Aquela noite não pedia definições, apenas presença.













