se você deixar o dentinho debaixo do travesseiro, talvez nossa nova habitante coloque uma moeda... ela costumava se chamar toothiana, do conto jack frost, e antes da névoa da maldição arrastá-la até storybrooke, ela estava em pixie hollow, lá em neverland. aqui na cidade você talvez a encontre se procurar por uma tal de sunisa "nisa" kinnaree amarin, a curadora de memórias pessoaisde vinte e quatro anos ( resumo )
o personagem está acordado? sob o minucioso olhar da maldição, toothiana permanecia a mais ignorante entre os habitantes de storybrooke, até que os portões do submundo se abriram. tomada pelas sensações de terror ao ser perseguida e ameaçada, os eventos retirados de filmes de suspense não foram os responsáveis pela leve mudança de percepção de nisa, mas a visita de um espectro tão etéreo e belo que doía em sua alma. o fantasma de rashmi desencadeou uma sucessão de memórias desconexas em sunisa, imagens tão vívidas e regadas por uma luminosidade que apenas amor poderia gerar. familiares de uma maneira que nem mesmo a mente fértil da amarin era incapaz de explicar, mas que, de algum modo, ressonaram em seu cerne como verdadeiras e instauraram uma pequena chama em sua consciência. a flama é como a caixa de lembranças de um passado encantado, limitada às recordações das irmãs do voo quando ainda vivas, e compartilhando de uma única consciência, até esvanecerem após a luta contra o marajá e seus caçadores, quando tooth foi coroada rainha das fadas dos dentes. em noites particularmente exaustivas, nisa é assaltada pelas cenas de uma garotinha em plena alegria, da mesma menina, mas então com asas de fada, elefantes voadores, um rei macaco e amargurado e uma jovem rainha com os mesmos olhos da pequena figura com asas coloridas e determinação em seu olhar.
em storybrooke...
um tanto parecida com sua versão mágica, a amarin estava fadada à grandezas não fosse um pequeno detalhe, o amor verdadeiro. antes de sequer saberem de sua existência, kinnaree era alvo de um dos inúmeros banimentos reais, prática comum aos chefes da dinastia siamesa, que a colocava, até então, neta do rei rama, como uma figura non grata, indigna de sua linhagem e desleal ao trono. a ambição de sua avó, a segunda consorte real, não fora páreo para os sentimentos que nutria por um condecorado general das forças reais, muito menos para a calorosa relação entre os amantes. o caso mantido às costas do monarca por décadas colocaria a vida da mulher em risco, como seria passível, caso assim o rei desejasse, mas em um ato de bondade, ou não, ao saber dos anseios de sua esposa, bani-la do reino da tailândia, e destituí-la, junto dos filhos e filhas da união real, de todos os títulos e privilégios, foi a punição escolhida e para sirivannavari a morte era preferível. todo o seu esforço e influência esvaindo por entre seus dedos e incapacitada de agir ou retaliar, viu-se ensandecida, cogitando um atentado contra a vida do tirano rama ix, mas rapidamente dissuadida pelo militar que guardava seu coração. também rechaçado publicamente e exonerado da alta patente, chakriwat traçou um futuro em que pudessem usufruir dos sentimentos que compartilhavam. por sorte ambos vinham de famílias afluentes dentro da sociedade tailandesa, e dificuldades foram mínimas ao fixarem raízes na pensilvânia, onde ninguém seria capaz de encontrá-los. entre os ex príncipes e princesas, a antiga consorte e o antigo general, uma nova família era construída em philadelphia. uma família de oito integrantes, que dali sete meses se tornaria nove com a chegada de sunisa. em uma relação similar à da matriarca com o militar, a mais nova das princesas trocara noites passionais com um dos funcionários do palácio chitralada, onde e das quais a pequena fora concebida. por alguns dias após a descoberta da nova vida, com a antiga mentalidade monárquica ainda vigente, repudiaram o ato da jovem, mas algumas lágrimas por parte de savang e a noção da nova realidade que viviam, foram suficientes para que mudassem suas falas e nisa fosse ansiosamente aguardada.
os chaiya, como preferiram adotar após banidos, no jewelers' row de philadelphia deram início à adisak jewelers, onde graças às densas conexões que ainda mantinham na tailândia, importavam ouro e pedras preciosas, que com habilidades artísticas e de negócios, em pouco tempo, expandiram a pequena joalheria para um império. notoriedade adquirida que logo trouxe a atenção de suas origens para os holofotes, e com ela novas perseguições políticas. philadelphia havia se tornado pequena demais para se esconderem, então tomaram nova iorque como sua nova casa quando nisa mal completara quatro anos. no distrito do diamante entre a quinta e sexta avenidas, conquistaram o feito da prosperidade mais uma vez, era como se nada pudesse abalá-los. por oito anos permaneceram nos círculos mais afluentes da grande cidade, com investimentos em diversas áreas, desde imóveis à bancos privados. e vivendo a melhor vida que o dinheiro pudesse comprar, a kinnaree cresceu mimada, com um alto espírito inabalável, e uma visão por detrás de óculos cor de rosa, que logo foi massacrada. o tempo da família na metrópole logo provou ser finito ao terem a vida de um dos antigos príncipes e da mais nova das princesas, a que gerara a pequena garotinha, tomadas em um terrível assalto. um acidente, que logo foi descoberto ser um aviso da monarquia que a todo custo tentavam se livrar. um crime que sunisa presenciara com os olhos de uma criança.
na urgente necessidade de fugirem para, dessa vez, jamais serem encontrados novamente, tropeçaram na cidade do maine. pequena, desconhecida e pacífica, mas aparentemente infinita, storybrooke era o lugar perfeito para darem início a mais uma identidade. agora conhecidos como amarins, a família de sete se instalou em uma residência modesta para a vida luxuosa que outrora levaram, mas ainda distinta o suficiente na cidade, junto da mais nova, e menor, filial da adisak. por mais que à kinnaree nada faltasse e em suas tias e avó encontrasse traços da mãe, as memórias do assalto a perseguiam, tornando a personalidade doce e despreocupada da adorável menina, em uma melancólica e atribulada, fechada. assim permanecera até completar dezesseis anos, quando em um sonho teve a visita de savang envolta em enormes e brilhantes asas e em roupas dignas de uma guerreira. sussurrava que sua nova vida era esplêndida, sorrindo e dizendo a nisa que os mundos precisavam dela, que sua existência jamais fora acaso, e sua energia e presença eram essenciais ao equilíbrio de tudo. da noite para o dia era como se um interruptor, que por longos anos estivera desligado, houvesse ligado mais uma vez, e a luz da amarin novamente brilhava com irradiância inigualável. seu espírito tomava uma nova atitude. seus sorrisos os mais impecáveis, sua risada a mais comum. sua ingenuidade restaurada, e suas reações as mais cômicas. o mundo antes cor de rosa, depois cinza, agora era multicolorido em novas matizes e intensidades. atendo-se ao breve e criativo sonho, a jovem desvencilhou-se do único momento trágico em sua vida, optando por manter junto ao seu coração as melhores memórias de sua infância, e a partir destas moldar seu futuro.
psicologia fora a clara escolha quando questionada sobre seu caminho, logo intrigada pelos efeitos da ansiedade, estresse e depressão desencadeados em indivíduos com perda de memória. com a veia artística correndo em si, criatividade nutrida desde tenra idade e inteligência ávida pelo não descoberto, a amarin dedicou-se a uma nova profissão, curadora de memórias pessoais. com conhecimento acerca da mente humana, uma breve aprendizagem em design e técnicas de realidade virtual e realidade aumentada, e empatia singular, propô-se a recriar memórias sensoriais e visuais de ambientes, experiências e momentos especiais para aqueles em idade e condições avançadas de perda de memória. não era uma área ampla, muito menos conhecida, um trabalho demorado, minucioso e árduo, mas extremamente satisfatório ao ser retribuída com enormes sorrisos e lágrimas de felicidade. tais são o que a mantém sã em meio a recentes pesadelos e a saúde precária de seus avós. assim como toothiana fora muito além de apenas a fada dos dentes, mas a guardiã das memórias, nisa vai além da fachada supérflua e bon vivant que insiste em assumir, mas tal sua versão encantada, a positividade a consome, prezando por bons momentos, quase sempre enérgica, graciosa, carismática e passional, devota aos seus deveres e defensora ferrenha, até mesmo levemente feroz, de seus ideais.
token...
com traços delicados, incrustada com rubis e entalhada em madeira, a pequena caixa foi presenteada à toothiana por seus pais antes de perdê-los para o marajá. contendo seus dentes de criança, o dente de uma criatura mágica e poderosa, e um bilhete de rashmi e haroom que explicavam a ela a importância das memórias contidas nas diminutas formações calcificadas, lembranças de dias felizes, profunda esperança e deles em momentos de alegria. o dente de grande poder ao lado do seu foi utilizado na criação das suas mini fadas em um momento de profunda necessidade e perigo. guardada pela magia da rainha dos exércitos das fadas dos dentes, jamais fora vislumbrada se não pela própria fada ou suas fiéis companheiras, com exceção de jack, por um breve momento. em luz da nova dimensão, o símbolo de seu passado e a promessa de suas memórias já não mais pertence à nisa, encontra-se em uma dimensão do mais puro breu, longe o suficiente de seu alcance, impedindo que a consciência de toothiana retorne à sunisa.













