é preciso ser um pouco inocente pra conseguir amar
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@toquei
é preciso ser um pouco inocente pra conseguir amar
todo mundo fala que quando não se cabe em algum lugar, devemos ir embora
mas ninguém fala da dor de não caber.
do desconforto de querer pertencer mas não conseguir se encaixar.
hipermnesia
era fácil rir pro mundo enquanto eu te inventava
queria te ter de uma forma diferente hoje.
queria poder abraçar teu peito e chorar todas as lágrimas que tenho guardado no último mês. queria poder te contar meus medos e inseguranças e ter certeza que você estava me ouvindo.
não sei como é possível que você tenha me visto tão de perto e não tenha percebido que meu peito quer gritar mil coisas pra você.
mas parece que você não reparou.
enquanto limpava a bagunça do jantar, me senti com 9 anos de novo:
meu corpo salgado depois de me sujar de areia da praia. aconchego de domingo em família, como se fosse férias. o coração como uma casca vazia depois de uma desilusão. a mente tentando entender o que era amar.
não consigo entender o que é te ter. o que foi te ter. como eu quero te ter.
tá tudo tão absorto. como um barquinho de papel a deriva.
é uma luta a cada segundo para me fazer ser suficiente parece que sobrevivo na dívida com quem tenho contato
sempre na tentativa de fazer alguém ficar
sempre na tentativa de acertar
sempre na tentativa de amar
sempre na tentativa de sonhar
sempre na tentativa de realizar
ok now organise
se eu fosse te redesenhar, eu te redesenharia de forma que você fosse menos racional.
você não pensaria muito no depois ou nas consequências de se viver um amor. você so viria e me amaria. você deixaria as coisas acontecerem leves como elas são e sempre foram entre a gente. você permitiria que eu descobrisse tuas feridas e não se preocuparia se eu vou ou nao sujar meus dedos de sangue.
você me deitaria naquela cama de novo e deixaria que eu fosse feliz em brincar na tua barriga.
se eu te redesnehasse, você não pensaria numa dor do futuro e, assim, me causaria menos dor agora.
gosto das nossas conversas longas, mas eu sempre saio um pouco mais machucada.
voce sempre me diz coisas que perfuram bem fundo nas minhas feridas. eu nunca sei se é minha falta de auto estima ou se você faz de propósito.
sempre fico me perguntando se não tenho me colocado como subalterna pra você e me pergunto também se você não já percebeu isso, mas gosta de ficar vendo até onde eu consigo ir, até onde posso me humilhar por uma migalha de atenção sua.
você é um otimo observador, certeza que ja percebeu. é por isso que estou indo embora um pouquinho mais a cada dia.
te desromantizar tem sido um processo muito longo. complexo. curioso. árduo.
gosto de poder observar esse processo com calma. pensar sobre como as coisas podem mudar. perceber que todos os detalhes podem ser grandes problemas íntimos. raciocinar se coisas banais são mesmo banais.
mas apesar disso, esse processo não tem sido mais fácil.
hoje ficou bem claro pra mim o quanto as coisas são voláteis e o quanto eu sou livre pra poder mudar de opinião e me libertar daquilo que não me acrescenta.
e no fim dessa conclusão, fiquei feliz de ter essas oportunidades. me fez entender que não estou fadada a viver um fracasso novamente.
o problema é que não é tão simples assim. além de mim nessa equação, tem você.
e eu sempre fui muito boa em me preocupar com a outra pessoa, a ponto se invalidar o que eu sinto. algo me diz que farei isso de novo e isso me dá medo.
acontece que o que a gente tem é tão novo e diferente que não sei como vou me comportar no fim de tudo.
hoje ficou bem claro pra mim o quanto as coisas são voláteis.
cada vez mais, me parece que a vida é feita disso, de um luto inexplicável por coisas que poderiam acontecer. se o multiverso for algo a se sonhar, torço para que, em alguma realidade, a gente permaneça.
No fim, ainda somos uma praga, e ainda vamos destruir isso tudo. Se você colocar o gráfico de crescimento bacteriano próximo ao gráfico de crescimento populacional humano um ao lado do outro, irá se surpreender com quão são parecidos. A espécie humana, em seu auge de egocentrismo, se retirou da natureza e se considera um fator externo.
O Livro das Coisas Que Nunca Aconteceram.
e mesmo estando ao seu lado eu nunca sou uma escolha
nunca fui boa o suficiente pra várias coisas, situações ou pessoas
infelizmente, com você não é diferente
tudo em nós é programado pra morrer. sei disso porque nossos rins vão perdendo capacidade ao longo do tempo, assim como nosso pulmão ou uma mulher que entra na menopausa.
se tudo em nós é programado pra acabar, porque nós dois não seríamos?
a garota que navega com maestria nos mares turbulentos de meu coraçãozinho