S,
consegui realizar grandes tarefas hoje, como todos os dias da semana tenho feito, assim que levanto arrumo minha cama e organizo o quarto para que meu dia não siga bagunçado, nem acabe em confusão, porque é aquela coisa que minha mãe colocou na minha cabeça, sabe? Se você não arruma seu quarto, sua vida fica bagunçada igual ele. Daí fiz com muito esforço as tarefas que separei pra fazer durante o dia, tentando manter concentração mas falhando por muitos momentos, me dispersando com Instagram e tirando fotos pra guardar na minha galeria porque não gostei de nenhuma. Hoje o pai não viajou, mas vai amanhã. E toda a nossa rotina, minha e da minha mãe, volta a ser como tem sido no último mês. Ficamos só nos duas na casa, minha mãe grande parte do tempo resolvendo seus problemas e arranjando mais e eu tentando não procrastinar mas falhando várias vezes ao dia. Se bem que isso tem mudado, como não tô trabalhando (e isso me deprime), tô fazendo as atividades da faculdade no tempo certo, sem atrasar e fazer mal feito. Semana passada fiz 5 dias de yoga matinal, mas hoje não deu tempo, o tempo que não estudei não quis fazer outra coisa senão fosse mexer no celular. Apesar de algumas dificuldades e de precisar insistir pra conseguir terminar o que comecei, fiquei feliz e satisfeita com meu resultado diário. Me empenhei e consegui ver o que eu fiz sem estar sob pressão pra isso. Foi uma conquista pequena, poucas tarefas, mas só eu sei o quanto isso foi difícil por longas semanas passadas.
Mas, em outra parte do dia me senti incompetente. Incapaz de controlar meus comportamentos voluntários que me fazem mal e eu tenho total consciência deles. Me xinguei de burra, senti nojo de mim mesma, senti um desamor que eu não gosto de carregar no peito, mas ele anda comigo escondido. Ao mesmo tempo que sinto que estou caminhando a diante, parece que estou dando passos pra trás e esse percurso é sempre em círculos. Dias bem, dias mal, horas do dia feliz e outras horas insuportável. O dia vai acabando e eu sinto que também vou, o calendário vai virando a página mas eu não. Vivo no passado e isso me dói porque um dia eu só soube viver no presente e como era bom. Não sei o que me tomou estômago, a cabeça, mas tenho anseas e dor que não passa fácil, não sei.













