"There’s a very fine line between pleasure and pain."
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"There’s a very fine line between pleasure and pain."
Jamie Dornan by Alex Bramall
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Go deep, imma throw it at cha can't catch it // @Trevanne
Agora sim Anna Laura estava assustada.
E muito, por sinal. Porque mesmo que tivesse tentado impedir o gesto do irmão, de livrá-la da peça de roupa, tentando manter seus braços abaixados diante disso, assim que percebeu seus seios sendo expostos completamente, suas bochechas coraram. E foi isso que acabou com ela, porque sem maquiagem ficava muito mais fácil perceber uma coisa como aquela. Tornou-se mais quente do que nunca, tanto pela sensação agradável dos toques dele, quanto pelo rubor que parecia tomar conta de todo seu interno, e não só de seu rosto. Chegou, inclusive, a perceber que seus olhos tornaram-se estalados, e foi quando notou isso, que encolheu-se ainda mais.
Teria tentado sair, então, de qualquer maneira, se não houvesse algo a impedindo de fazer isso. Algo que todos os membros da família McGuire, pareciam compartilhar: orgulho.
Com isso, mesmo assustada, e morta de vergonha, seu gesto de encobrir os seios - ligeiramente pequenos, aliás -, foi mais do que automático. Como bem sabia fazer, ergueu a cabeça, chegando a empinar o nariz, e olhar o irmão com toda a pompa que não sabia se ainda tinha naquele momento. Como se não bastasse, ainda teve a brilhante ideia de cuspir as palavras seguintes, tentando recuar um pouco que fosse, em seus passos:
— Eu já vi o seu pior, Trevor McGuire. Não acho que vá mudar muita coisa.
O homem simplesmente negou com a cabeça. Não pela fala ou pelo orgulho, mas pelo gesto de encobrir os pequenos seios. Era uma visão bonita e excitante. Os olhos estalados, os seios empinados e a fricção dos dedos na intimidade da irmã parecia dar resultados.
Trevor então soltou a intimidade da irmã, segurou o rosto dela com o polegar e o indicador. -- Não esconda. -- Ordenou ele, claramente. Não estava querendo perder o controle, mas estava começando a ficar difícil. Os olhos de dele estavam cheios de luxúria, era claro. Apesar do cansaço, de não ter ido ao Secrets para sua apresentação diária, mas estava se divertindo. Mais do que imaginava.
Então ele simplesmente estapeou, sem aviso, nos seios da irmã. Não era algo fraco, muito pelo contrário, no primeiro tapa, a pele da garota se encheu de vergões bonitos com os cinco dedos do mais velho. Ele repetiu o tapa por algumas vezes. Ele queria a garota em pânico para levá-la do mais profundo medo ao mais profundo prazer.
-- Não era você quem queria me ver perder a cabeça? -- Ele questionou com um sorriso psicótico no canto dos lábios. -- Me prove que você pode ser sedutora. Porque não passa de uma criança mimada.
Jamie visiting the dry cleaners in London (September 25th)
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— E não é como se você pudesse diferir a Anne que você criou, da Anna Laura que está louca pra te tirar do sério. — Quando pronunciada, aquela frase soara mais suja e baixa do que quando estava somente na mente da loira. Droga. E ela percebera isto, por isso a expressão de sobrancelhas erguidas, em resposta à sua surpresa interior, assim como um gesto automático para enfatizar o que acabara de dizer.
Então, logo estava sentindo a mão do irmão entre suas pernas. Usando somente a camiseta simples que estava usando antes de colocar o moletom por cima, juntamente com a calcinha, sentiu mais do que deveria, os dedos do mais velho friccionando o lugar. Com isto, foi por puro impulso que tentou fechar um pouco mais as pernas, ao mesmo tempo que corria as mãos para os braços nus de Trevor, fincando-lhe a unha na carne, tão forte quanto conseguia.
— Você não tem escolha nenhuma, Trevs. — O tom debochado estava presente, ainda que falhasse, devido ao modo como fechara mais as pernas e, com isto, passasse a sentir mais os dedos do irmão muito próximos da onde a sociedade cristã e totalmente contra o incesto, julgava que não deveria estar. — Se isso é o melhor que pode fazer… — Tentou recuar alguns passos, mas estava sendo bem segurada. Ainda assim, abriu um pouco mais as pernas, procurando desvencilhar-se dele. Não com muito sucesso também. — Sinto muito lhe dizer que, novamente, eu não sou mais a Anne de cinco anos de idade.
Não, não era certo, mas entre ter a mão dele entre suas pernas e agora onde ela colocara, seria melhor ali. Sendo assim, procurou usar de uma das mãos, para guiar a de Trevor até a altura de seus seios. Sua camiseta do pijama era fina, e roçava em sua pele, o que causava uma sensação gostosa junto do toque do mais velho, sobre a peça, ao que a loira maneava sua mão por cima da dele.
O loiro ergueu as duas sobrancelhas diante da frase alheia. -- Eu quero vê-la tentando o máximo que puder. -- Disse. Era muito complicado que alguém despertasse nele a fera que tinha. Normalmente, ele apenas se deixava conduzir por seus instintos até a fera acordar. Dessa vez, sentiu vontade de se deixar ser seduzido ao invés de dominar até isso.
Poderia simplesmente parar ali e deixá-la tentar seduzi-lo, mas não. Trevor era bastante auditivo, provocado por palavras e atitudes, mas Anne estava conseguindo levá-lo para outros meandros. Não queria perder o controle com ela, ser o Grandioso Shadows do Secrets. O homem desejado por sua violência e domínio dos pobres indefesos que frequentavam aquele bar. Se perdesse o controle, Anna Laura saíria dali aos prantos e assustada. Não sabia se valeria a pena pela mágoa que sentia da garota.
Sentia a pele do seio da irmã, a pele da vagina que começava a reagir ao toque dele, molhando os seus dedos.Mantendo seus olhos nos dela, Trevor apertou o seio da irmã com mais força que o necessário. Queria jogá-la na cama e fodê-la até não poder mais, mas ainda assim, mantinha sua pose por mais um tempo. Tinha que parecer inatingível.
-- Você não começou a ver o que eu realmente tenho de melhor, novinha. -- Ele a soltou por completo, afastando apenas o suficiente para arrancar aquela camiseta que impedia que ele desfrutasse da visão do corpo de sua irmãzinha.
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Christian Grey
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Anne sempre fora tratada como a boneca que era e todos deveriam reconhecer que continuaria sendo. Mesmo quando ficava com os bad boys, eles pareciam ter receio de tocá-la como se tocaria em uma garota comum, com pontos fracos considerados “baixos” ou extremamente excitantes, como cabelos ou o meio de suas coxas. E apesar de Anna Laura não permitir, jamais, que eles fizessem isto, não era como se ela não gostasse que eles tentassem. Então, talvez o maior motivo para que a garota não tivesse mantido um relacionamento digno por mais de dois ou três meses, fosse aquilo. Se nem mesmo os considerados perdidos da vida, sabiam o que fazer com seu corpo, imagine os outros?
Então estava Trevor ali, puxando-a pelos cabelos como jamais fora puxada. Sua cabeça pendeu para trás e seus olhos fecharam-se, com um gemido baixo escapando por entre seus lábios. As mãos que antes estavam nos ombros do mais velho, foram parar na nuca dele, por reflexo, procurando enfiar as unhas ali. Não estava reclamando da dor. Muito pelo contrário. Era como se seu incosciente quisesse provocá-lo mais ainda, para continuar recebendo mais daquilo. Fosse só o mesmo que ele fazia em seus cabelos, ou coisa menos significativa, desde que não brigasse com ela ou mandasse-a sair sem mais nem menos.
Olhando-o quase por entre os cílios, seus pensamentos foram interrompidos, por um segundo, pela voz dele. Depois disto, o sorriso que normalmente seria de vitória ou de deboche, tornou-se mais lascivo, possuidor daquela lascívia característica de quando Anna Laura queria tirar um dos jogadores do time da escola, do sério, para depois deixá-lo na mão, literalmente, em algum canto dos vestiários.
— Não acho que tenha muita coisa. — Retrucou com o sorrisinho ainda firme em seus lábios. Com as unhas na nuca dele, moveu-as para frente, trazendo-as para a curva de seu pescoço e descendo com o toque. Se estivesse melhor posicionada, veria os vergões fazendo-se presentes. — Não é você quem manda aqui, irmãozão.
Existia uma imensa diferença entre o garotinho de 17 anos que saiu de casa para uma faculdade e o homem feito diante de Anne. Certos segredos faziam dele diferente, simplesmente porque ele havia parado de lutar contra algo que havia sido transmitido em seu DNA. Desde que perdera a amizade que tinha com o pai e das sucessões de coisas que aconteceram entre eles: como crer nas mentiras que ele contava sobre as surras diárias que recebia, não queria ser igual ao pai em nada. Tudo o que ele pudesse evitar de Jacob, evitaria. Mas a necessidade de ter dor em suas parceiras não era algo do qual podia fugir, mesmo que tentasse com todas as forças – e ele havia tentado mesmo.
A reação foi um deleite para os olhos alheios. Trevor sorriu com luxuria e isso poderia ser perigoso pra quem quer que ficasse perto dele. Adorava ser provocado, mas não tinha certeza se a irmã suportaria tanto.
-- Você não conhece o irmão que tem. – Manteve o tom, arrepiando-se completamente por conta das unhas alheias. Ele poderia continuar provocando a garota, mas tudo o que fez foi puxá-la para mais perto de si ainda pelos cabelos. Havia sim uma queda pela irmã guardada por anos a fio, mas agora podia liberar tudo o que sentia e dar um tipo diferente de educação para a garota. – Só se eu te respeitasse. – Respondeu. Ele sempre havia respeitado a irmã, as vontades dela e sempre a respeitaria. Aquelas palavras foram ditas apenas com um propósito: assustá-la. Causar temor era a forma mais lenta e doce de conseguir uma entrega total.
-- Não tem escolha, irmãzinha. -- Continuou, deixando que uma das mãos conhecesse o corpo da garota e parasse entre as pernas dela enquanto intercalava os puxões de cabelo. Não sabia qual seria a reação dela, mas qualquer uma seria apreciada por ele.
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— Eu sou o mimo em pessoa, como papai e mamãe costumavam dizer. — Anne deu um sorrisinho que não possuía muito ânimo. Estava começando a ficar entediada com tudo aquilo, mas do mesmo jeito, aproximou-se da cama, pronta para abandonar um beijo de boa noite na testa do irmão e ir para seu quarto, quando Trevor voltou para perto e abandonou um roçar de lábios rente aos seus. Com isto, encolhendo-se um pouco, colocou-se na ponta dos pés para abandonar um selinho estalado nos dele. Não era um gesto tão típico entre os dois, mas ela não via maiores problemas.
O que veio a seguir é que foi impensado e ela só se deu ao trabalho de se preocupar com o que havia feito, quando poderia ser tarde demais.
Depois de afastar um pouco a cabeça após o selinho, cravou os dentes, sem força demais, no lábio inferior do maior. Com as mãos livres, apoiou-as nos ombros dele, ainda mantendo-se na ponta dos pés e procurando olhá-lo nos olhos, ao que ia apertando mais seus dentes contra a boca dele.
Não havia expressão alguma em seus olhos, senão a de desafio.
Justamente por saber que o irmão não fazia o tipo de quem gostava de sentir dor, mas sim, de quem gostava de causá-la.
Trevor, nem de longe, esperava o que aconteceu. O selinho foi algo provocado, poderia acontecer como reflexo, mas o resto não. A mordida que veio em seu lábio e o desafio vindo da caçula. Um milhão de coisas passaram em sua cabeça durante os segundos seguintes. Os olhos se fecharam num instante, tentando discernir certo de errado, mas era muito difícil.
Não era a coisa mais clichê do universo o nerd da escola ter uma queda pela patricinha? Ah, era. Clichê e corriqueiro. Por mais que as coisas tivessem mudado entre eles, que umas e outras mágoas existissem aqui ou ali, era num imenso clichê que ele se sentia.
Só que era Anne quem o estava provocando e sabia que se perdesse o controle de si, ela sairia seriamente machucada e provavelmente sem olhar em sua cara pelo resto da vida. De qualquer forma a mordida estava ali, a dor corroía dentro de si de uma forma gostosa e estimulante. Não estimulante para insistir por mais dela, mas para brincar de quem era capaz de ferir mais o outro. Ele fez um gesto negativo com a cabeça como se dissesse a irmã que ela estava procurando chifre em cabeça de cavalo.
De qualquer forma, Trevor não separou-se da irmã. Poderia bater, repreender com palavras, mas tudo o que ele fez foi pôr as mãos por entre os fios loiros e acariciá-los gentilmente por alguns segundos antes de puxá-los com força pra trás, mantendo os olhos dentro dos dela.
-- Cuidado, irmãzinha. -- Disse ele com um sorriso sádico no canto dos lábios. -- Você pode não suportar tudo o que posso ter reservado pra você. -- E desafiou, imaginando que sua irmã, possivelmente, seria instigada a continuar com aquilo, embora ele fosse sincero em dizer que achava que ela não o aguentaria.
Jamie Dornan
Deixando-se ser puxada, apesar daquilo, não aninhou-se no peito do irmão, nem passou seus braços ao redor dele. Ainda estava emburrada. Ligeiramente chateada. Era exatamente por quase nunca ouvir meio termos ou coisas do gênero, que estava tão frustrada. Sabia da personalidade de Trevor e de todo seu jeito “especial”, mas ela também tinha o dela. Em sua concepção, por serem irmãos, ele deveria amá-la e sentir sua falta mais do que qualquer outra pessoa.
Mas tudo bem. Tentaria se livrar daqueles pensamentos.
Suspirando ao que o mais velho jogou-se na cama, Anne tentou achar um motivo para não continuar ali.
— Se eu ficar, você não vai dormir. Não estou com sono e, visivelmente, você prefere sua cama, à mim. — Estendeu a mão, gesticulando para a posição dele. — Tem certeza disso? — Com os lábios torcidos, não era como se ela fosse cooperar de acordo com a vontade dele.
-- Você está fazendo leituras muito mimadas do meu sono. -- Disse de forma simplória. Não dava para competir com o cansaço e preferência, definitivamente. Se fosse por sua preferência, poderia virar a noite tomando sorvete e tentando ensinar a irmã em algum truque de tecnologia qualquer ou mesmo linguagem de comando, para envolvê-la em seu universo, entretanto, ele mal conseguiria prolongar uma conversa.
Ele havia se esquecido que compreensão era algo unilateral, e Trevor havia herdado algumas características marcantes do pai, a maior delas, era o orgulho e o modo de não pedir desculpas. Não gostava da tristeza da irmã, mas não poderia mudar isso. -- Eu tenho. -- Continuou ele, dando um beijo gentil no canto dos lábios da irmã.
— Chegou. Está em cima da mesa. Eu já comi um pouco. — Longe de ser aquelas meninas cheias de neuras com o próprio corpo, Anne comia o que seria capaz de matar sua fome, como fora o caso com a comida japonesa: servira só o que lhe convinha e depois voltara para assistir seu filme. Entretanto, não era como se ela desperdiçasse comida: já havia guardado tudo na geladeira, separando principalmente o prato que Trevor pudesse vir a comer.
Levantando-se, Anna Laura se livrou da blusa que o irmão lhe dera. Decidira que não, não dormiria com ele. Por isso, estendeu-lhe a peça e fez menção de voltar para seu quarto, depois de desligar a TV.
Sim, ela estava chateada com o "um pouco".
-- Obrigado. -- Disse ele sorrindo de leve para a irmã caçula. Trevor sempre fora alguém de princípios, mas também de fases. Houve momentos em que ele odiou a irmã, mas segundos depois a adorava com a mesma intensidade. Claro que ele sabia perfeitamente que sua irmã tendia a ser intensa e a parte de um pouco não era algo com o que ela tinha aprendido a lidar em sua vida.
Mas ao invés de ir comer, o homem simplesmente permaneceu no mesmo lugar por um tempo. Reprimiu o bocejo pelo cansaço do dia e levantou-se. Não tinha fome alguma e se fosse comer seria apenas se a garota insistisse demais. Pegou a blusa e a puxou por ela, andando abraçado a irmã. Primeiro, pelo sono que estava dormiria ali mesmo, segundo porque não aceitaria aquilo de bom grado. Nem que tivesse que ir dormir no quarto da irmã.
Ele podia ser mais teimoso que mula empacada quando queria. -- Vem. -- A conduziu para seu quarto e jogou-se na cama. Não se importou muito com o fato de a irmã possivelmente achar aquilo ruim demais por motivos dos quais eram absurdos para Trevis, mas se ela fosse discutir, um passado doloroso poderia ser desenterrado e ela teria que voltar a morar com os pais.
Sendo abraçada, Anne escondeu o rosto no peito do irmão. Suas bochechas ainda estavam um pouco quentes, mas tudo bem. Agora poderia usar a desculpa de que fora por conta das vestes dele, que aquilo acontecera, se Trevor questionasse.
— Um pouco? — Sua voz saiu abafada, por conta do corpo do outro. Anna Laura sempre vivera à base de intensidades a respeito de sua pessoa: era a procurada, a melhor, a queridinha. Na escola, um dia que faltasse, e todas suas amigas, juntamente com o time de basquete ou de futebol, notariam sua ausência e baixariam a bola diante dela. Assim que ela, Anne, voltasse, a situação estava aparentemente resolvida: o que parecia dar a eles a permissão imaginária que necessitavam, para agirem como perfeitos babacas.
Tanto as Pinky Girls, quanto os metidos a bad boys.
Afastara só um pouco seu rosto, para poder erguer o olhar, a procura do dele. Cinderella ainda estava chorando suas pitangas.
— Vamos para a cama, antes que isso fique pior.
O mais velho ficou um pouco abraçado com a irmã. Não fechou os olhos porque se não, dormiria, mas voltou seus olhos para a televisão. Ratos costurando era algo que ele não conseguia aceitar porque não existia nada na lógica que os faria costurar. Apoiou o queixo na cabeça da outra e ajeitou seu abraço. -- Um pouco. -- Confirmou ele. Claro que o garoto sabia da necessidade que a irmã tinha de ser a melhor e a principal de tudo, mas Trevor havia fugido disso quando saiu para estudar fora. Não teve problemas em se virar, mas descobriu que de um jeito estranho, a irmã também fazia parte da vida dele mais do que ele queria. -- É, vamos. -- Assentiu. -- E a comida chegou? Achei que tava com fome.
— Eu até te desceria uma unhada na cara, como disse que faria, mas lembrei que retoquei meu esmalte hoje. — Ainda assim, com toda aquela vergonha, conseguia brincar um pouco. Principalmente quando sentiu as bochechas tornarem-se um pouco mais frias. Aparentemente, estava voltando ao normal.
Quando Trevor disse que ela poderia dormir com ele, Anna Laura encolheu os ombros. Não gostava muito de dormir com outras pessoas, porque tinha uma forte tendência de machucá-las, chutando-as, durante a noite. Suas amigas, vizinhas de seus pais, sabiam bem disso.
— Não estou mais em condições de usar seu colo como travesseiro. — Apontou para ele, tocando-lhe a coxa. — Principalmente, porque metade do meu corpo fica pra fora, se eu inventar de dormir como dormia com você.
Apesar do tom risonho, falava sério. Quando era mais nova, dormia apoiada próxima do baixo-ventre de Trevor, com os pés rente às laterais da cama. Por ser pequena, não corria riscos de ter seus calcanhares puxados por qualquer ser sobrenatural.
Mas agora crescera e parecia que toda posição não era a melhor. Ao menos, para a frescura de alguém como Anna Laura.
Trevor deu uma pequena risada, sabia que ela não lhe dera a unhada porque sobrara um pouquinho dos dois dentro dela. Não que eles tivessem uma relação ruim, mas a relação deles já tinha sido melhor antes do maior se mudar. Antes de ele começar a malhar e viver mais sozinho do que antes. Ele passou os braços pelos ombros da garota gentilmente, abraçando-a.
-- A escolha é sempre sua, novinha. -- Disse ele. Embora não gostasse de sair dando escolhas às pessoas ainda era melhor do que não ter sua irmã perto de si. Mordeu o cantinho dos lábios, olhando para a mão da irmã momentaneamente. -- Só sinto um pouco da sua falta.
Tinha um pouco de contenção. Ele sentia muito a falta da irmã, mas não ia dar o braço a torcer tão cedo assim.
Quando ouviu a voz dele, Anne conteve a vontade de empurrar a almofada que servira de personagem aleatório, contra seu próprio rosto. Suas bochechas estavam realmente quentes e, se as luzes estivessem acesas, talvez o irmão visse como estavam vermelhas. Não que ela tivesse algum problema com sua própria voz, só não gostava do fato de tê-lo acordado, já que ela mesma odiava ser acordada.
— Nenhuma. — Respondeu de pronto. Mas por se julgar uma dama, Anna Laura sabia que não deveria mentir. Então, retomando sua postura, sentou-se como devia, cruzando as pernas e deixando a almofada cobrir a porção de pele em suas coxas. — Digo… Só de passar um tempo contigo. — Por mais que quisesse, não conseguia olhá-lo. — Mas não consegui. Não tem problema… Eu entendo.
É, ela até entendia mesmo. Mas odiava admitir que aquilo a fazia querer chorar; como quando ele lhe deu a notícia de que iria mesmo estudar, ficar longe, o sentimento de agora era equivalente ao que ela sentira antes. Porque os anos poderiam passar, mas Anne nunca iria deixar de fazer questão da presença do irmão, por mais que tivessem algumas brigas sérias agora que viviam juntos sem os pais.
Trevor achava que pessoas constrangidas ficavam lindas. Talvez fosse esse motivo de ser proprietário de um bar como o Secrets. Via as pessoas serem constrangidas diariamente e ainda não havia desgostado da sensação de superioridade que tinha quando isso acontecia. Só que achava sua irmã tão bonita assim que seria capaz de pagar o cachê dela só pra ter mais daquele constrangimento. Quando essa sensação lhe invadiu, ele simplesmente balançou a cabeça para tentar dispersar seus pensamentos.
-- Eu achei que você ia me acordar caso eu dormisse. -- Ele dizia, encolhendo os ombros. -- Fiquei esperando uma almofadada na cara e nada.
O mais velho não estava bravo ou qualquer coisa parecida. Ele estava desapontado consigo mesmo por não ter conseguido se manter acordado. Sempre gostou de passar um tempo com a irmã, mesmo que fosse pra reclamar da lógica dos contos de fadas (ou falta delas).
-- Você pode dormir comigo, depois, se quiser. Como nos velhos tempos. -- Propôs ele, erguendo as duas sobrancelhas. Tinha boas lembranças dos dois dormindo na mesma cama. Sempre que podia, tentava passar um tempo com a irmã, mas os horários deles raramente batiam. Vendo que a irmãzinha parecia abalada, Trevor abriu um sorriso e deu um beijinho na bochecha dela. Por mais longa que fosse a distância entre eles, nunca a deixaria, mesmo que tivesse motivos para odiá-la.
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