Corinne gargalhou com o trocadilho sobre dentistas e sorrisos, tinha que admitir que aquele tinha sido o ápice. “Você é bom em fazer piadas, Tyler, já pode se considerar muito bom em algo…” e ela mais uma vez se encontrava anotando a mais nova característica do rapaz em seu caderno ‘engraçado’, antes de rir levemente ao ouvir o outro comentário “Digamos que eu tive sorte… Eu consegui um ótimo trabalho que me rendeu ótimos contatos…” em partes, ela estava certa, mas no começo de sua carreira foi realmente complicado ter que arcar com as dívidas de morar em uma região assim, então precisou recorrer a única pessoa que ainda tinha credibilidade para ter uma dívida: seu pai, que apesar de todos os atritos, ainda era o único que estaria de braços abertos quando Nora precisasse de alguma coisa. “Eu amo o Queens! Eu adoro visitar as exposições de arte, grafite e até os museus que tem no seu bairro, e claro, um bom restaurante, usualmente eu sempre comia comida chinesa, talvez agora eu deva expandir meu paladar.” comentou animada, de fato, adorava andar pelo Queens, o bairro era quase o cartão postas de Nova Iorque, com a explosão gastronômica e cultural que abrigava, e a mulher era o tipo que gostava de experimentar coisas novas, vivenciar o diferente estava em sua lista de afazeres. “Não se preocupe, lavar os pratos é o mais fácil, tenho plena consciência que cozinhar é demasiadamente mais complicado que lavar e enxugar alguns utensílios.” ela brincou, concordando veemente com o que era proposto, em sua mente, sairia no lucro, pois teria comida e só precisaria deixar tudo organizado, para sua mania de limpeza, seria um prato cheio, quase que literalmente. Nora ouviu atentamente ao relato do homem sobre os encontros arranjados e da possibilidade de sua família achar ruim. “Você precisa sonhar primeiramente para que a ideia dê certo, acho que fez o certo em ter vindo escondido da sua família.” ela concluiu com um breve sorriso, gostava de dizer que os sonhos mais loucos conseguiriam se realizar se você tiver capacidade de suportar todas as ideias vindas com eles. Em suma, Tyler seguiu seu coração e ela estava feliz que ele não tivesse deixado sua família impedir sua vinda ao programa. Concordou com o segundo comentário do homem, realmente não sabiam o que os esperavam ao final da primeira parte do programa. “Espero que encontre sua esposa, Tyler, você me pareceu um bom rapaz.” falou em um quase sussurro, não queria soar como oferecida, nem nada do tipo, apenas desejava, do fundo do seu coração, que o melhor acontecesse ao outro. “Deveria visitar Jersey, Belmar, para ser mais específica, fica a 35 minutos da minha cidade natal, Princeton e se você tiver sorte, pode ver um golfinho…” comentou saudosamente, costumava visitar o outro distrito quando era mais jovem. Endireitou-se no sofá, sentando-se e abrindo os braços na parte de trás do sofá. “Ah sim, eu amo meu trabalho atual… Mas entrei há apenas 8 meses como redatora, antes eu era 'a garota do café’, sabe que o jornalismo esportivo pode ser bem cruel com uma garota, mas finalmente agora eu tenho uma chefe tomando conta da minha cabeça.” brincou, com uma pontada de alívio, quando o lugar exalava muita testosterona era um problema enorme, agora com a cabeça pensante do grupo sendo uma mulher, confessava que estava tendo a voz que não teve durante alguns anos. “Mas eu quero ser uma repórter no futuro, talvez até repórter de campo, estamos vendo as possibilidades.” Nora falou empolgada, o jornalismo tinha áreas muito boas e ela gostava de explorar todas as suas possibilidades, aparecer na TV não era seu foco antigamente, mas hoje em dia, algo lhe dizia que seria um bom futuro. Arqueou uma sobrancelha com o comentário do outro, o que quer que estivesse guardando, poderia ser um pouco delicado? Não se sabia ainda. “Acho que todos temos segredos… Mas vamos com calma, que tipo de segredo estamos falando? Em uma escala de 0-10 o quão preocupante você encaixa esse segredo? Sendo 0 não afetando em nada e 10 querendo me fazer queimar você vivo.” perguntou ligeiramente curiosa, sabia que a última parte era brincadeira, mas não custava nada saber se por acaso saber se o outro tinha uma esposa, grávida do terceiro filho e uma vida paralela, não era mesmo? “Meu plano sempre foi, apesar de tudo, formar uma família… Mas minha terapeuta costuma me dizer para viver um dia por vez e que eu não posso planejar meu futuro, mas vou ser sincera com você, depois do acidente, eu fiz questão de sempre planejar tudo na minha vida, talvez até jogue cartas de tarot tentando ter uma prévia do que estaria por vir” riu, um pouco envergonhada do que estava dizendo, mas logo respirou profundamente e continuou seu raciocínio. “Depois que meu futuro foi mudado eu fiquei até temerosa do que viria e por isso evito o conceito de 'deixar a vida seguir seu curso’, o que é bem contraditório, pois veja bem, agora não sei bem em que pé estou, afinal, estou no programa e nem sei se sairei daqui com um noivo e com a possibilidade de formar o que eu sempre quis.” e ela despejou todos os comentários que passavam por sua cabeça, por mais ridículo que pudesse parecer a cena, ela já não se importava mais se estava sendo filmada pelas câmeras ou até mesmo avaliada pelo rapaz do outro lado da porta, Corinne apenas não se importava. “Por que nenhum de seus relacionamentos anteriores deu certo, Tyler?”
“oh, então você costuma ir ao Queens? as exposições são realmente incríveis, quando tenho um tempinho livre sempre aproveito para ver as novidades que acontecem lá no museu do Queens. é um ponto muito bom e variado. só comida chinesa? poxa, desse jeito você me ofende, mas se está disposta a expandir seu paladar... posso até sugerir uns lugares ou, quem sabe, algum dia te levo também para visitar alguns” disse com um suave sorriso em seu semblante. “então o acordo está fechado?” riu e, muito provavelmente, se estivessem realmente no mesmo cômodo, até brincaria apertando a mão feminina. “hm, e qual foi a reação da sua família ao saber que viria? ou também não contou?” perguntou com curiosidade. a fala seguinte de Corinne o deixou um pouco sem jeito, sentia até seu rosto esquentar um pouco e não tinha muita ideia de como retribuiria sem utilizar as mesmas palavras alheias. havia gostado bastante de conversar com a mulher e, independentemente de como as coisas se desenrolassem, estaria torcendo para que ela encontrasse alguém que a fizesse feliz. “não queria roubar suas palavras, mas também espero que encontre o seu esposo, porque... sei lá, conversar contigo só me fez questionar o porquê de estar solteira... se não tiver sido uma escolha pessoal, claro.” acrescentou a última parte com medo de soar ofensivo. “eu nunca visitei por nunca ter tido um motivo, mas se você está puxando a sardinha para o seu lado e recomendando, com certeza irei dar uma chance. golfinho? tem muitos golfinhos por lá?” abriu um sorriso. “eu imagino que deva ser um ambiente bem escroto até por acreditarem que ‘esporte é coisa de homem’. acredito que sua chefe deve ter sofrido bastante para chegar onde está, então é bom saber que ela fez justiça e está cuidando de você. hm, repórter? então meu destino é te ver mesmo com o azar de não ser por aqui?” riu baixo e percebeu um pouco tarde a interpretação que suas palavras poderiam ter, mas preferiu não se corrigir. “não estou falando especificadamente de mim, mas de maneira mais geral mesmo. que tipo de coisa você considera que pode ser mantido em segredo ou ser dita independentemente da dor que possa ser causado?” tentou escapar da pergunta relacionada para si. talvez nem seja algo tão big deal por ter sido algo passado, mas não parecia algo bom de se falar num primeiro encontro. “ah, então existe uma razão bem interessante por trás do tarot...” murmurou. “mas para o futuro mudar, primeiramente é necessário planejá-lo e ver tudo mudar. acho que permanecer aberto para esse conceito pode ajudar muito na hora da frustração, mas, óbvio, viver totalmente dessa forma é demais porque todos nós precisamos de objetivos. ter um futuro é inevitável.” explicou seu ponto de vista até satisfeito em ter aquele tipo de conversa com a mulher, pois gostava de assuntos assim. “apesar dos meus trinta e um anos, eu não tive tantos relacionamentos sério assim. alguns não deram certo por diferença de metas de vida, outros por não concordarem com as minhas prioridades ou até mesmo a diferença de desejos. e você? perguntando porque vir ao programa é uma atitude de certo desespero, digo isso por mim, talvez.