Morar na roça é um eterno se vira. A vida do mato flui conforme o clima. A lida com os bichos e com as plantas é que dita o ritmo, seus ciclos, seu tempo. Nada mais oposto a rua (cidade), com um tempo marcado por relógios de ponto, contas, horários de banco e lotação. É o choque dos tempos que faz com que quem vive do mato vire pau pra toda obra. Metade no tempo dos bichos, metade no tempo dos homens, tem hora que é preciso ser um pouco veterinário, zootecnista, engenheiro, eletricista, jardineiro, mecânico, advogado, cientista, contador, saber contar caso, descascar laranja e tirar nível pra viver uma semana na roça. Na falta de uma loja aberta na esquina, no custo alto do frete pro interior, no pouco que o leite vale a gente vai arrumando jeito de dar jeito nas coisas, de continuar no nosso pedaço de chão. Com parafuso, cola, prego, um trator, solda e um bocado de tentativa e erro a gente encara o que vier. Gambiarra como modo de vida, viver na e da terra faz a gente criar raiz. De jeitinho em jeitinho lançamos nossas sementes, passamos pela passagem do tempo, resistindo a juros, seca, carrapato e eleição. Nosso olhar pro céu é oração, mande chuva que a gente dá fruto! (em Fazenda Ipê) https://www.instagram.com/p/BxLkvIkgMYn/?utm_source=ig_tumblr_share&igshid=ye5umfo3og35