Perdoa-me por ter te escolhido com a certeza de quem acreditava no para sempre. Não como uma promessa vazia, mas como quem encontra abrigo em outra pessoa e passa a chamar aquilo de casa. Perdoa-me por ter te imaginado ao meu lado em todos os dias comuns, nos silêncios simples, nos planos que nunca fizeram barulho, mas que eram inteiros.
Perdoa-me por ter acreditado nesse sonho todos os dias, mesmo quando a realidade já ensaiava me ensinar outra coisa. Às vezes, acreditar é um ato de coragem. Outras vezes, é apenas amor tentando sobreviver.
Perdoa-me por ter te perdoado quando talvez fosse mais fácil partir. Fiz isso não por fraqueza, mas porque amar, para mim, sempre foi insistir no que ainda pulsa. Perdoa-me por ter me preparado em silêncio, por ter me guardado com cuidado, como quem preserva algo raro, esperando o momento certo de entregar a você.
Hoje, escrevo não para cobrar, nem para pedir. Escrevo para soltar. Soltar o que precisa ir para que o que fica não doa. Não quero, nem posso, te obrigar a me querer. Amor não se impõe, não se negocia, não se sustenta à força. Ele acontece ou não.
Aprendi que, na vida, desenganos vêm. Chegam sem aviso, bagunçam tudo, mas também passam. Alguns deixam marcas, outros apenas lições. Eu não vou forçar sentimentos, nem tentar ocupar um espaço que não é meu. Gostar de mim precisa ser escolha, nunca insistência.
Talvez amanhã o tempo faça o que sempre faz: coloque tudo no lugar. Talvez eu espere. Talvez não. Ainda não sei. Há coisas que só o tempo responde, e eu aprendi a respeitar o silêncio dele.
Quem sabe aquilo que tem que ser simplesmente será. Sem esforço, sem dor, sem pedidos. Se nossos caminhos ainda tiverem algum ponto de encontro, que seja leve. E se não tiverem, que fique ao menos a verdade: eu te amei da forma mais honesta que soube. Obrigado
Com carinho, e imensa saudade.