Da Oficina para a praia. Videoclip de Karlon NP.
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Da Oficina para a praia. Videoclip de Karlon NP.
Parece Halloween, mas é apenas a prossecução de um espaço escuro no meio da grande cidade. Um espaço de autonomia, também colectivo e, como economia real, vive do seu escuro.
Improvisação de Jaqueline Almeida da Oficina URB / Pólo Talaíde baseada no Poema “Estilo” de Charles Bukowski:
O ESTILO
o estilo é a resposta para tudo.
o modo fresco de encarar um dia chato ou perigoso.
fazer uma coisa chata com estilo é preferível a fazer uma coisa perigosa sem estilo.
fazer uma coisa perigosa com estilo é o que chamo arte.
as touradas podem ser uma arte.
o boxe pode ser uma arte.
o amor pode ser uma arte.
abrir uma conserva de sardinhas pode ser uma arte.
não há muitos com estilo.
não há muitos que possam manter o estilo.
já vi cães com mais estilo que homens.
todavia poucos cães têm estilo.
os gatos têm-no em abundância.
quando hemingway pôs os seus miolos numa parede com uma shotgun, isso foi estilo.
às vezes as pessoas dão-te estilo.
joana d´arc tinha estilo.
joão baptista tinha estilo.
jesus.
sócrates.
césar.
garcía lorca.
conheci homens na prisão com estilo.
conheci mais homens na prisão com estilo do que fora dela.
o estilo é a diferença, um modo de o fazer, um modo de ser feito.
seis pássaros em silêncio numa poça de água, ou tu, saindo da casa-de-banho sem me veres.
Opções para um serão URB em Lisboa.
E o URB criou o seu próprio #shotgunseries
Improvisação sobre excerto de "Os passos em volta" de Herberto Hélder. Realizada nas oficinas de representação, no Bairro dos Navegadores, para o projecto Mini-Série URB.
Novos movimentos e itinerâncias do URB. A caminho da Margem Sul, Vale dos Chicharos, Jamaica City.
Música produzida por Primero G e escrita durante a residência de Rap do URB no Bairro dos Navegadores em Talaíde com: Wine, Papo Reto, Soldjah M e Keef.
Se eu te contar detalhadamente a minha realidade / eu juro! tu vais pensar que não é verdade / ilegal no pais onde eu nasci / sorriso na minha cara esconde tudo o que eu sofro e tanto sofri / tive falsos amigos que me enganaram / mentiram , pelas costas me apunhalaram / foi por isso que eu me afastei! o que que tu querias / eu vejo fome na minha zona todos os dias / sofrimento misturado com alegrias / enquanto um chibo tira fotografias / no coração guardo saudades do meu tropa aleixo / e isso é um capitulo que eu não fecho / sou teimoso eu não deixo de ser assim / não acredito muito em Deus mas reza por mim / sou teimoso eu não deixo de ser assim / não acredito muito em Deus mas reza por mim
Wine
Um mapa, planta, itinerário, pensamento e histórias para partilhar, discordar e viver em conjunto.
Oficinas URB, pólo Bairro dos Navegadores, Terças e Sextas às 17h30 no Centro Comunitário do Bairro.
Improvisação de Carina Maocha da oficina URB do Bairro dos Navegadores, baseada em excerto de "O Anão" de Par Lagerkist.
PICTURE THIS
Vídeoclip produzido durante a residência de rap do URB em Abril de 2013, entre os bairros do Pendão e Navegadores.
O slide já pára na mão canhota, a destra já tinha a bala que definiu quem usa a outra. Na luz, o court de ténis traz Bin Laden à conversa. Há mais bala que court neste imaginário. Mesmo com as regras do jogo definidas á partida, é a destra que alavanca a ficção. Coage a bala a primeira, e o Bin Laden a segunda. Primeira e segunda, falamos ainda de ficção.
Se o slide é a para primeira história ensaiada, onde pára o jogo?
Improvisação de Euclides Almeida. Exercício desenvolvido a partir da oficina URB no Bairro dos Navegadores em Oeiras. As Cidades Invisíveis de Italo Calvino.
As cidades e o desejo. 5.
Dali, ao cabo de seis dias e sete noites, o homem chega a Zobaida, cidade branca, bem exposta à lua, com ruas que se viram sobre si próprias como num cotovelo. Conta-se isto da sua fundação: homens de nações diferentes tiveram um sonho igual, viram uma mulher correr de noite por uma cidade desconhecida, por trás, de cabelos compridos, e estava nua. Sonharam que a seguiam. Ora um ora outro, todos a perderam. Depois do sonho andaram à procura dessa cidade; não a descobriram mas encontraram-se uns aos outros; decidiram construir uma cidade como a do sonho. Na disposição das ruas cada um refez o percurso da sua perseguição; no ponto em que tinha perdido o rasto da fugitiva ordenou diferentemente do sonho os espaços e as paredes de modo a que ela já não lhe pudesse fugir.
Esta passou a ser a cidade de Zobaida em que se estabeleceram à espera de que uma noite se repetisse aquela cena, Nenhum deles, nem em sonhos nem acordado, voltou a ver essa mulher. As ruas da cidade eram as mesmas em que eles iam para o trabalho todos os dias, já sem nenhuma relação com a perseguição sonhada. Que de resto já tinha sido esquecida há muito tempo.
Chegaram mais homens de outros países, que haviam tido um sonho como o deles, e na cidade de Zobaida reconheciam algo das ruas do sonho, e mudavam de lugar pórticos e escadas para que se parecessem mais com o caminho da mulher perseguida e para que no ponto em que desaparecera já não tivesse saída.
Os primeiros chegados não compreendiam o que atraia a Zobaida, a esta feia cidade, a esta ratoeira.