Ainda de olhos fechados, a mulher sentira uma dor como nenhuma outra em sua cabeça, o que a fizera repensar sobre o movimento de abrir os olhos. Indo contra suas vontades, Smith abriu seu olhos, ignorando tudo o que sentia em seu corpo. A cabeça havia batido contra uma pedra um tanto pontiaguda, causando-lhe uma lesão na parte posterior de sua cabeça. Piscou algumas vezes enquanto levava a mão até onde havia machucado, sentindo o sangue quente em seus dedos. O embaçado que prejudicava sua visão não estava mais ali, e ela então pode enxergar o horror a sua frente. Seu cérebro logo conseguira raciocinar diante das cenas que via, o avião havia caído, e para Tassy, aquele acidente não era o primeiro em sua lista. Olhou para a perna esquerda, vendo que a mesma estava sangrando devido a um grande pedaço de aço que a havia perfurado. A mesma olhou para o lado, enquanto posicionava as mãos naquilo que a machucava, e então, após um suspiro, ela o retirou, controlando o grito. ━ Bem, eu estou bem! ━A mulher sorriu, se apoiando em alguns destroços do avião para se levantar.
Parecia estar acordando de uma semana seguida de festa, sem dormir, e a ressaca vindo toda de uma vez. Demorou alguns segundos até ter coragem de abrir os olhos, e quando o fez, arrependeu-se. Natasha sentira sensações ruins antes de embarcar no avião, e dentro dele, momentos antes do acidente. A todo tempo na viagem pedira para que fosse somente um medo bobo, mas o destino se provara cruel. Com as mãos já no chão, tentou empurrar-se para levantar, mas uma dor aguda no braço inteiro lhe impediu e fez com que seu rosto voltasse a ter contato com o chão. Percebera também uma dor enorme nas costas, mas nada que lhe impedisse de ficar de pé. Deitou-se de barriga para cima, visualizando então um pequeno estilhaço de madeira em seu cotovelo, atravessando-o. Suspirou fundo várias vezes antes de retirá-lo, e quando o fez, não conseguiu conter um gemido de dor. ━ I guess I’m fine too… ━
O corpo voltara a realidade alguns minutos depois do grande impacto que havia sofrido, e como já era de se esperar, Valentina ao abrir os olhos e ver a enorme porta em cima de sua perna esquerda, começou a se debater, se utilizando do resto de força que havia em si. As mãos, próximas do quadril, procuravam algo para se agarrar, apenas para segurar o mais forte possível, pois assim, talvez, a dor aliviasse ao menos um pouco. O óculos que usava se encontrava agora com uma das lentes trincadas, dificultando um tanto sua visão que já não era muito boa. Os olhos verdes se faziam assustados, deixando transparecer todo o panico que a mulher sentia naquele momento. Procurou por qualquer rosto conhecido, mas tudo o que via era apenas destroços, pedaços do avião pegando fogo e a vegetação densa da floresta. Respirou profundamente, contando mentalmente até dez da forma mais calma que conseguiu, e então levantou seu tronco com dificuldade, ficando assim sentada. Procurou com os olhos qualquer coisa que pudesse utilizar para fazer algum barulho, até que achou uma pedra não muito grande próxima a si. Ainda por causa do trauma, a mulher não conseguia gritar, por mais que tentasse, e então começou a bater a pedra sobre a porta do avião tentando atrair a atenção dos outros passageiros do avião que agora se encontravam longe dali.