Abre teu coração ou eu arrombo a janela.
Chico Buarque. (via oxigenio-dapalavra)

ellievsbear
Phantogram Three
2025 on Tumblr: Trends That Defined the Year
let's talk about Bridgerton tea, my ask is open
Sade Olutola
The Bowery Presents
Fai_Ryy

izzy's playlists!
One Nice Bug Per Day
Cosmic Funnies
$LAYYYTER
macklin celebrini has autism
Interview Vampire Daily
No title available
ojovivo

@theartofmadeline
🪼
Cosimo Galluzzi

Jar Jar Binks Fan Club

#extradirty
seen from Vietnam
seen from United States
seen from Russia
seen from India
seen from United States

seen from United Kingdom
seen from Albania
seen from United States

seen from United States

seen from United States
seen from France

seen from United States
seen from Singapore

seen from United States

seen from Germany

seen from Philippines
seen from Türkiye
seen from Ukraine

seen from United States

seen from United States
@verborize
Abre teu coração ou eu arrombo a janela.
Chico Buarque. (via oxigenio-dapalavra)
A Ultima Epístola
As linhas a seguir foram retiradas de uma carta de despedida escrita nos anos 80 e encontrada em uma antiga caixa de papelão há poucos dias atrás. Peço desculpas ao dono dessa façanha, de fato não o conheço, mas de qualquer forma não pude deixar de compartilhar tal feito. “[…] Desculpe por aquela noite que te fiz esperar no portão por horas seguidas, mesmo que você se recuse a acreditar, me sentiria muito mal em não velar meu cachorrinho Espoleta. Agora você deve estar se perguntando o porquê dessa carta, mas lamento em te informar, minha querida, será a ultima. Não digo isso por falta de gosto em te escrever, mas sinto que daqui a alguns dias meus dedos estarão muito frios, não meu amor, eu não vou quebrar minha promessa de não ir para a Noruega, até porque também não poderia chegar até lá, ou talvez eu fosse, mas a Noruega é muito longe e não valeria a pena. Agora eu estou ouvindo nosso disco favorito, aquele dos Beatles, não sei porquê eu ganhei uma radiola nova, lembra que a minha estava quebrada? Enfim, vou parar de enrolar e falar logo de uma vez. Catarina, eu te traí, e me arrependo amargamente por isso, lembra naquela outra noite que te fiz esperar? Me desculpa, eu não estava de castigo, na verdade meus amigos e eu bebemos até cair e resolvemos perder nossa virgindade com uma prostituta, garanto que eu só pensava em você, não que aquela mulher parecesse contigo, mas eu queria que naquela noite você estivesse em cima de mim. De qualquer forma não vou entrar em detalhes e até hoje eu me arrependo por aquilo, na verdade isso já faz um ano e eu só tinha 15. Você tem que me entender. Agora eu já sei que você seria a única mulher em todo mundo que eu deveria ter feito isso e parece que Deus também pensa assim. Eu ando meio distante e já faz um mês que a gente não se vê, te digo que é por causa da escola e que meus pais andam pegando muito no meu pé, mas na verdade eu descobri que aquilo que eu tinha não era um resfriado. Há dois meses fui ao médico e depois de vários exames nós descobrimos pelo pior meio possível que aquela prostituta não tirou só a minha virgindade. Contraí uma doença e só tenho mais umas duas semanas de vida, tempo em que provavelmente essa carta chegará em suas mãos, para que você não venha correndo me ver, eu estou horrível e queria que a lembrança que você vai ter de mim seja daquele cara ridículo que ria da própria piada, que tinha mais amigos que cabelos, enfim. Vou te dar algumas instruções: no dia que eu morrer, vá ao meu velório e veja quem está lá, quando chegar em casa, fale baixinho que eu vou ta lá te ouvindo. Na minha mesinha de cabeceira tem um pacote de camisinhas que eu planejava usar com você, dê pro seu filho. Coloque o nome do seu filho, Paul, ia ser o do nosso, lembra que a gente pegava seu primo no colo e fingíamos? Bons tempos. Essa hora você já deve estar chorando, mas já é tarde baby, agora levante e vá até a cozinha, dê um gole numa caixinha de leite condensado, vou sentir muita falta disso. Pegue todos os meus discos dos Beatles e chore escutando eles, conheça um cara legal, claro que ele não vai ser tão bonito e inteligente quanto eu, mas você ainda ta viva né?! E antes que eu me esqueça, dê soco no Sérgio, ele roubou minhas figurinhas. Enfim, acho que é isso meu amor, boa vida, eu te amo. Com amor, Mathias." Tudo bem, Tia Catarina se casou com um Sergio, eu espero que não seja o mesmo. Mas só hoje eu entendi porque ela tem uma vitrola e de vez em quando se tranca no quarto, abre um leite condensado e escuta Beatles enquanto chora.
Meu bem, não sei o que dizer
Mas eu sei de você.
Sei mais até mesmo do que tu
Pois, meu bem
O teu verde é azul
Eu não nego
Eu me entrego
Eu ia te escrever
Mas você, nem sequer ia ler
Eu imploro
Eu te adoro
Não sou o dono refrão
Mas tá aqui, pra você
Mais uma canção
Não achei palavras pra dizer
Do que foi, do depois e do que vai ser
E até quem vê
Você aí
E eu aqui
Jura que, somos dois
Eu me entrego
Eu não nego
Eu já fui, mas vou voltar
Pra te dar um abraço melhor
To tentando, melhorando
Pra voltar pro coração
Vou chegar
No final de mais uma canção.
Desate o Nós
Vem, me fala como você conseguia
Vem, me fala tudo o que você queria dizer
Vem, e me abraça com um novo dia
Me desata que nós não teria, se não fosse você
Mas antes vai, me prova o quanto você me desfaz
Me mostra que não teria mais paz
Me mostra onde que fica teu cáis
E me diz onde posso te ver
É que eu sei, que na verdade você não me ama
Você e diz, e só some e me engana
Você só me quer pelo prazer
Mas eu vou te dizer:
Eu me entreguei, eu me doei
Eu fiz e tudo até chorar, eu já chorei
Bati na sua porta, eu te acordei
O seu nome eu gritei, eu estrapolei
Parei de comer chocolate pra emagrecer
Cortei o meu cabelo pra te convencer
Eu dançei e me humilhei, te chantegiei
Eu mudei, me moldei, fui tudo o você quis
E querendo uma vez te fazer feliz, te comprei até um bis
Mas aí você não quis
E eu vi que você não merecia meu amor
Me pisou, me chutou, me humilhou
Meu bem, o meu coração você despedaçou
E agora...
E agora senta que você me ouvir
De tudo o que eu vivi, o que eu mais sofri
Foi com meu coração despedaçado
Foi meu amor disperdiçado
Mas nada me tira o prazer estipulado
De te ver na rua e buzinar do meu carro blindado
De olhar você sozinha e eu com a mulher do lado
E lembra o nó que você deixava amarrado?
Hoje quem desata nós aqui sou eu.
Pelo que Pude Notar
Notei nas notas que me deixava notar, pelo cheiro, pelo jeito. Metade das coisas que me dizia não rompiam as barreiras da pupila. Pelo zelo, pude notar, pela música, pelo cd, pude notar pela falta de ponto final. Pude notar pela repetição, pelos "pelos", pude notar pela semelhança, pela música. Pela preocupação, pelas diferenças, pelos opostos de uma forma geral, pelo que pude me perdoar por escrever, pelos motivos que me deu na auto-piedade. Pude notar, principalmente pelo que pude perdoar do teu primitivo vocábulo, pela tua insegurança. Pude notar que tinha um imenso coração, quando coração minha razão tornou. Pude apreciar teu poder de transformação, pela forte aleatoriedade que se apresentou a mim. Pude notar, porque não noto em vão, pude perceber depois de um tempo que além de parecer, era. Pude notar pela nossa resistência, eu te afastava e você me lembrava a todo momento que somos opostos. Pude notar pelo caos que se enfatizou quando quase te perdi. Pude notar pelo desespero de me perder. Pela necessidadade, maturidade, mas era de se esperar que fossemos findar assim. Pelo cigarro, pelo que não era, pelo que foi, pude notar pelo que será. Pude notar porque não da pra ver amor onde não há, porque tentei te mandar pra lá, pude notar pela sua maestria de me conduzir pro canto que te jogava, contigo. Pelo que pude notar, não me destes outra alternativa, pude notar pelo violão, pelo cordão, pelo sim, pelo não, pude notar agora que antes foi e depois que fossemos entender o que havia acontecido já teríamos nos perdido nas notas que deixei pelo caminho quando pude notar que antes que pensássemos que seria, já era. Pude notar ainda, quando me mandou calar, quando mostrou que também falava, notava, podia, pelo que pôde notar, ainda que fosse amor, não seria, pelo que pude ver, seria ainda amor perdido no que na verdade não se sabia. Seria? Ainda que se soubesse, teria que resistir, pelo que pude notar, seria mais amor do que você aceitaria. Pelo que pude aceitar do seu primitivo pensamento, pelo que pude notar do seu orgulho, da sua mania de ser maior mesmo quando de uma forma escancarada, vacilava até no que era mais simples, conjugar. Pelo que pude notar não te aceitaria assim tão fácil, e foi muito fácil ver, que antes que eu pudesse notar já teria me perdido.
Maria Joana
Hoje vim como quem canta declarar o meu amor. Cabocla de jeito doce, menina que me furtou. Eu tava perdido, parecendo pescador, faltava linha, isca e peixe, tava no barco sem remador. Tava sozinho como condor, sem andorinha ou revoada, me parecia que a madrugada nunca mais ia ter fim. Meus olhos eram sem cor, faltava fome, era sem graça, era sem tudo, era senhor. Até que me surge ao longe, aquela flora, aquela flor, uma menina me aparecia e me fazia um amador, tentei não me aproximar, parecia perigoso, mas como pude me negar, àquela paz, aquele gozo? Era tudo maravilhoso, era divino, era gostoso, ela me trouxe o que faltava, ela me fez viver de novo. Fora que nem falei, da sua linda feição, era em tudo singular, era o acento do não, fazia as ondas do mar ficarem perto do chão. Seu cabelo dança no vento, como uma flor colorida, corrida, cumprida, acelerada no tempo. Antes que percebesse, eu já teria partido, pois essa linda mulher roubou até meu sentido, perfumada, arrumada, indolor, o mais lindo nos seus olhos é que mudavam de cor. Compreensiva e delicada, louca, linda e desvairada, quando demora demais ela fica angustiada, se fica na mão dos outros parece que tá casada "como é que é irmão, vai ser de véu e grinalda?". Com ela rola de tudo, passa, pega, tapa, mata, leva, puxa, prende, solta, salta, volta, arrasta, tosse, arde, muda, cega, esquenta, esfria. Puxa, pega, prende, passa. A massa, a minoria, o que é do bom, é bruxaria, a menina é carioca, é paulistinha, Ave Maria! Se teu problema é muito sério, experimenta dar um tapa, ela volta e te derruba, mas depois ela te cata, arrasta pro mundo dela, puxa o laço e te ata. E aí não solta mais, quando a mina te amarrar, faz a mala e desfaz, é só comprar a passagem que depois ela te traz. Depois de ter o seu sabor a vida ganhou sentido, a fome enfim voltou, eu senti seu calor, e os meus olhos que eram pretos, também mudaram de cor.
Foi-se o Tempo
Solidão. A distância, a saudade, quantos artigos definidos formam um presente perfeito? Do que é feito um pretérito? Quanta indefinição seria necessária? Um dia, um cheiro, uma cama sequer. O fato é que querendo, ou não, um dia todo mundo vai ter que ir embora, viver de memórias. Um dia vamos acordar e nos perguntar porque não somos mais felizes, porque nossos pais não estão mais em casa esperando, um dia teremos que aceitar que somos os errados e não poderemos mais culpar ninguém. E eu não falo de ir embora de casa ou da sua cidade, falo de mudar-se. O corte de cabelo, a roupa, o celular, os amigos, os sonhos. Com o tempo a gente se acomoda ao possível e esquece o que realmente se quer. Não terão príncipes e princesas, morar sozinho não é tão bom assim, e é difícil quando se é sexta feira e você não vai sair, agora porque não sobrou dinheiro. Todos os seus amigos estão namorado ou encontraram outros amigos, mas eles já não fazem mais sentido, só que os novos não são tão verdadeiros. Você sente falta quando seu problema era a maldita matemática, ou o mundo ia acabar por você terminou um namorico com uma pessoa estranha e safada. Sente falta de quando seu bairro era suficiente e quando todos os seus amigos estavam do seu lado. E ainda pensa que se fosse hoje, certamente teria ficado com aquela pessoa que você tava afim. O seu playlist, como você pôde ter um poster daquela banda na sua parede? As loucuras, as descobertas, os sonhos, os planos. Tudo isso vai, voa, seca. É vento, é cachoeira e passa.
Métrica
Bem que eu queria ser parnasiano Fazer a rima se tornar bonita Feito um bordado que se faz no pano E colocar no fim aquela fita Bem que eu queria fazer decassílabo Tal qual o verso que se fez bordão Como um turco que vive no Líbano Eu não preciso de muita razão Mas é que o amor está na liberdade Tal qual os versos do meu coração Que ilumina as luzes da cidade Fazendo vir de longe e supetão Mas a verdade está na malandragem Está na crente e também na cética Seja voando ou de carruagem É que a beleza ainda está na métrica.
Solidão
O barulho ensurdecedor do silêncio. O grito da alma, para o calar do mundo. O nosso romance se proliferava na calada da noite, no fechar dos olhos, na fumaça do cigarro em uma madrugada fria. Uma música baixa num fone de ouvido compartilhado por dois, segredos de travesseiro finalmente expostos. -Você consegue ouvir? -O quê? -O grito da cidade. -Acho que sim. -Psiu! É só sentir, ela fala. -A cidade? -Sim, ela fala para quem sabe ouvir. A solidão também conversa com quem para pra dar ouvidos a ela.
A Pressa
Ele me causava uma sensação curta ao enfático sintoma do caos. Era como dormir na relva de uma clareira e acordar com o sol cegando os olhos. As suas tentativas de me dominar eram óbvias e eu adorava aquele jogo. Ele me via como um predador, que precisava ser capturado, se intitulou o mártir daquela causa. -Você não faz ideia de o quanto eu posso ser perigoso. -Eu sei que você jamais seria capaz de fazer algo comigo. -Eu sou doente. -Eu gosto da sua doença! -Não me faça apaixonar, por favor. -Pois não me complique, moço. É tudo o que eu mais quero. Era tão prepotente, tão mimado. Era na verdade uma presa fácil pra mim. O problema foi quando ele me cegou, eu me via atado aos seus caprichos. Aquilo afagava de tal forma o ego dele, que não sabíamos medir o tempo em que as coisas aconteciam e nos deleitávamos aquele gozo sem pensar no depois. Essa ansiedade por viver. Não sei se posso chamar de amor. Ele era mais um na minha parede e eu era o troféu da sua estante.
O domador
Para que não seja um escritor de cunho prolixo, deixe que eu comece de uma forma completa. Tínhamos dezesseis anos completos e muita coisa na cabeça. Mas eu era diferente, pensava de uma forma curiosa e peculiar. Sempre fui uma pessoa muito diferente, aos quinze eu já era uma completa exceção à sociedade, isso era de tal forma confuso e inaceitável ao povo. Quero dizer que ninguém nunca gostou muito de mim, a minha forma de pensar, falar e agir, incomodava a todos. Aqueles que não me amavam fervorosamente, me odiavam de tal forma. Os extremos eram internos, mas externos também. Àquela altura da vida, já lidava tão bem com o amor, quanto com o ódio e a rejeição. Meu problema estava na complexidade, hoje em dia as pessoas não gostam de seres muito complexos, se algo não é compreendido, é descartado. Nunca fui muito bom em relacionamentos também, até que ele apareceu. Meu oposto. Ele era encantado por seres complexos, ficou fascinado com meus talentos para o mal, com minha persuasão. Queria entender como eu funcionava, queria me desvendar. Estava disposto a correr os riscos, ele queria provar ao mundo que era imune ao meu veneno. Ele era megalomaníaco, não suportava ser igual ao mundo. Domar uma fera, seria seu maior desafio e sua maior conquista.
Nós tínhamos a ideia de que o mundo girava ao nosso redor, achávamos que nossas afirmações eram leis. Todos tinham que obedecer e acatar, porque quando estávamos juntos, éramos indestrutíveis. O problema estava em quando nós nos separávamos, então associamos nossa união à força. Com ele, eu era completo e comigo, ele era indestrutível.
Foi a luz alta me tirando a vista Foi qualquer música e o toca-fita Foi o silêncio que nos deu a pista Aquele sábado que a gente evita Foi, foi a menina que dança na luz Foi o cinzeiro que lembrava o blues Aquele cara que morreu na cruz Foi a ferida que ainda jorra puis Sim, e o candeeiro que iluminava Teve a biqueira que teu pai secava Fora o descaso da população E o desabafo na escuridão Foi minha garganta que pedia a ti Aquela velha e antiga ladainha Tua voz gritava its just to be free E eu tinha medo que não fosse a minha Não fosse o velho disco do Caetano E os meus teimosos trejeitos ciganos Não fosse aquele sangue sobre o pano E o nosso orgulho pleno e soberano E aquele beijo foi tão esperado Aquele dia que não foi vivido Fora o abraço que me foi negado E ter tirado o sonho preferido Além de tudo o amor é bossa nova É delicada e força natureza Ainda me lembro bem daquela prova E do antigo imã de geladeira
A Culpa
Foi numa quarta-feira cinzenta, ele fechou a porta e nunca mais voltou. As vezes me pego pensando o que eu poderia ter feito de diferente. Talvez se tivesse aumentado o som naquela noite ao invés de ter falado, geralmente eu sempre estrago tudo quando falo. Mas eu já sei, foi o Caetano, a culpa é inteiramente dele, se não fosse aquele cd, com certeza tudo seria diferente. O fato é que Caetano, ou eu, alguém teve culpa. Tudo começou exatamente onde terminou e se deu por um limitado tempo de dias incontáveis. Deu-se na nossa contradição, na nossa perigosa proximidade. Foi tarde demais quando percebemos que fomos gerados para coexistir, foi entre todo mundo em uma noite comum que nos vimos de uma forma diferente pela primeira vez, e adivinha quem estava lá falando que aquilo não era mais brincadeira? Caetano, lógico. Pode ser que a explicação esteja na genética, nas patologias, mas teve que ser, e foi.
Pra não dizer que não foi amor.
Ele olhou para mim e sem acreditar insistiu mais uma vez na ameaça. -Eu vou embora! Mais uma vez, pensei se ele realmente não estava acreditando e reafirmei, com mais firmeza, cheguei a ser grosso. -Pode ir! Ele caiu na sombra até que seus olhos desapareceram, parecia que eles estavam se escondendo de mim. Eu ri e falei que amava quando conseguia calar ele. Na verdade eu amava tudo nele, de tal forma que eu precisava ver todas as suas faces, mesmo que ele precisasse chorar pra isso. Depois ele virou pra frente e falou. -Um dia eu vou de vez. O maior problema foi quando ele realmente resolveu ir. As vezes ainda me pego pedindo pra ele perder a marra, mas aí vejo que não tem mais ninguém do lado.
A Teimosia
-Então eu vou! -Vai, mas eu te amo. -Como você pode me amar me mandando ir? -Porque eu amo a sua teimosia.
Bodas
Não está no corpo, está na alma. O amor se encontra naquilo que já é completo. Não é que a flor seja feita de borboletas, mas o amor está no pouso, no beijo. Ele se encontra no que não precisa dele para existir, ele se faz útil, não vital. O amor corresponde a métrica da poesia, na sincronia da dança, no solo da música. Ele está na tranquilidade de Nina Simone e na honestidade do Caetano, no valor de Van Gogh e na simplicidade do pintor de rua. O amor faz diferente, acrescenta, identifica, soma e nunca subtrai; embeleza, colore, mas não vem com borracha. Ele suja, lambuza, escurece, mas também limpa e clareia. O amor tem dosagens certas. Ele jamais cegaria, o amor abre seus olhos. Cegueira já é patologia. O amor cura, desata, explica, ele esclarece. Ele te faz jurar que seja eterno, te faz querer viver, mas não tira sua vida. Pobrezinho, por vezes é renegado, visto como algo ruim. É que ele é tão vasto, que por vezes pode ser confundido. O amor é terceira pessoa, é entidade, vive: viva o amor! Não nasce no convívio, isso é comodismo, não se cria à primeira vista, isso é admiração. Ele é essência: nasce, cresce e sobrevive na inércia da mesma. Quando se der conta, ele já estará lá. Antes a parede era necessária, agora com o quadro, está linda. E quando deitar e fechar os olhos, o amor ainda estará na escuridão das pálpebras, porque ele se faz luz, mesmo que não haja manhã. O amor, nasce do pó e vira ouro, mas é tão frágil que vira do ouro vira pó. E só quando você conseguir conviver com uma parede branca e vazia, o amor vai embelezar a sua mente, ele não está na reciprocidade, habita no ato. Aliás, o meu amor me contou que ele é apaixonado por a palavra "próprio", experimente casar os dois, nove meses depois nasce a felicidade!