so sweet like apple pie | kenneth & veronica | 1978
Seu estômago começava a reclamar mediante o cheiro da torta, mas decidiu esperar que a moça desse a primeira mordida. Não foi possível ter outra reação que não fosse sorrir assim que finalmente provou a sobremesa, e dizer que ela correspondeu a todas as suas expectativas seria um eufemismo. Era como se o dia estivesse numa crescente de melhorias, e Kenneth fez o possível para afastar os pensamentos que diziam que as coisas logo iriam piorar. A ansiedade e nervosismo na espera de algo que podia muito bem nunca acontecer não o levariam a lugar nenhum, ao menos não a um lugar onde ele quisesse estar. — Not a lot I would call amazing, really. Mostly gloomy. — Respondeu, em um tom de lamento após gastar alguns momentos pensando na resposta. Nos últimos anos o cenário bruxo vinha mudando, e tudo indicava que o ano seguinte seria um momento significativo, talvez de uma forma desagradável. — Nós não podemos falar de investigações em andamento, mas as coisas mais empolgantes acabam aparecendo na mídia mais cedo ou mais tarde. Então eu diria que tem uma chance de você conhecer as mais emocionantes. — Prosseguiu, dando de ombros para indicar que essa situação não o incomodava. — But I do have a couple interesting stories I could share, although some of them I never quite got to see the ending. — Seu olhar viajava, estava pensando nessas tais histórias. Embora os aurores fossem um departamento mais conhecido, algumas outras forças agiam de forma mais discreta. Objetos enfeitiçados, criaturas mágicas e poções contrabandeadas sempre resultavam em histórias cujo final dificilmente ficaria sabendo, e elas acabavam sendo as que mais fascinavam o rapaz.
Sequer teve tempo de escolher uma dessas histórias para dividir, quando um barulho alto vindo de cima capturou sua atenção. Mal conseguiu levantar da mesa, indo para trás com um salto, quando notou que a estrondosa árvore que lhe tinha fornecido sombra por alguns momentos caia. — Veronica, are you okay? — Perguntou, embora não conseguisse sequer ver a moça por trás da árvore. Pensou em dar a volta e encontrá-la, mas uma multidão já começava a se formar ao seu redor, todos queriam entender o que estava acontecendo ali. Ainda assim, o desejo de ao menos verificar se estava mesmo tudo certo se mantinha, já que continuar a conversa parecia quase impossível, e altamente inviável. Tentou ir para o outro lado da árvore, amaldiçoando quem quer que tivesse deixado macieiras ficarem tão altas. Estava convencido de que conseguiria chegar do outro lado quando viu que, mesmo que ele tivesse ficado sem nenhum machucado, o mesmo não podia ser dito das outras pessoas. Já haviam profissionais tentando tratar de alguns, mas Kenneth decidiu que ajudaria, fazendo o possível para diminuir a confusão. Soltou um suspiro, pensando em como era uma pena, realmente tinha sentido algo diferente com Veronica. Logo sua mente foi ocupada pela tarefa de ajudar a evacuar o local, tarefa que lhe foi atribuída por um dos seguranças que o reconheceu. Mais tarde se perguntaria se teria outra oportunidade com ela, não parecia tão fácil aceitar que aquilo tinha sido um evento único, e algo lhe dizia que sim.
Sentiu um semblante triste dominar as feições do rapaz, e imediatamente passou a imaginar as coisas horríveis que ele presenciara durante seu trabalho. Como poderia ter sido tão ingênua com sua pergunta? É claro que nem tudo era sobre crianças perdidas e reencontros afetuosos, afinal, ela lia os jornais e sabia muito bem dos acontecimentos tenebrosos que assolavam a comunidade bruxa. Desviou o olhar, buscando qualquer coisa que pudesse chamar sua atenção, sem muito sucesso. — It must be tiring, having to deal with all of that. — Disse, voltando os olhos castanhos ao auror. — I know things are only getting worse, from what I can keep up with from the public view. You aurors are working really hard. — Comentou. As histórias de ataques estavam cada vez mais recorrentes, e as defesas dos funcionários do Ministério da Magia não deixavam a desejar pelo o que a mídia noticiava. Eram incansáveis os esforços, e aquilo fazia Ronnie sentir-se um tanto mais segura. Os jogos de quadribol com mais notoriedade geralmente eram protegidos por Hit Wizards, portanto não havia muito com o que se preocupar nesse sentido, porém o clima de tensão no mundo bruxo ainda deixava uma certa apreensão no ar. — I’d love to hear them. We could imagine the endings. — Respondeu com um breve sorriso.
O rapaz foi interrompido, no entanto, pela macieira caindo em cima da mesa e separando os dois de forma bruta. Veronica tentou ir para trás, porém sua perna ficou presa embaixo da mesa, amassada por alguns galhos. Algumas pessoas começaram a aproximar-se, preocupadas e desesperadas. — Kenneth, are you there? — Perguntou, porém não ouviu resposta. Por sua sorte, havia uma medibruxa no local, que logo a ajudou a sair daquela situação e a acompanhou até o St. Mungo’s. Por mais que não tivesse se ferido gravemente, a profissional da saúde insistiu que ela fizesse uma checagem para verificar se estava tudo bem, afinal, acabara de ser quase esmagada por uma árvore massiva. A mente de Vázquez não conseguia afastar-se do homem que conhecera, no entanto, e ficou imaginando se ele estaria a procurando naquele momento. Os dois estavam tendo um momento muito agradável, e ela adoraria ter aproveitado mais tempo com ele. Desejava vê-lo novamente e retomar seu encontro inesperado, e pensando no pouco que sabia sobre ele, ficou imaginando como poderiam se reencontrar.