Eu tinha tudo, menos você. Mas você tinha a mim. Completa, inteira. Sonhadora e calma. Ansiosa e irritada. Determinada. Você me tinha. Não eram partes, nem momentos de mim, você me tinha por inteira. Mas não sabia. Ou sabia, mas não queria. E eu sonhava… Digo, sonhava enquanto dormia, mas também acordada, com o dia que você finalmente percebesse todo alvoroço que provoca em mim. Era como, um furacão, que ao passar bagunçava tudo, e tudo ficava pro ar. Eu gostava da sua bagunça, eu gostava de você furacão, mas o problema, é que você sempre passava, passava e passava, mas nunca ficava. Exatamente como um furacão… linda a definição. E eu sorria e chorava. E eram exatamente nos sonhos que você sempre ficava, que você me amava, e eu podia senti-lo, pois era quase real. Porém ao acordar… tão irreal, surreal. E então você se tornava uma utopia, e eu ainda chorava. Uma lágrima seca, que tinha certeza da necessidade do fim. A pior dor do amor é quando sabemos que temos que mata-lo, mas não temos coragem. Eu ouvi isso um dia. Um amigo me falou e foi quando percebi o estrago que você causou. Meus amigos, sentiam a minha dor, a indiferença, a falta de rubor no meu rosto. E eu sentia minha própria dor. Mas no fim, era só eu… Deitada, indiferente no meu quarto, imaginando se em um universo paralelo estaríamos juntos, diferentemente daqui. Logo imaginava que não poderíamos também estar, e o sentimento eram multiplicados cubicamente, com uma variável indefinida. Como uma equação de segundo grau que não tem solução. Todos dizem, tempo, tempo, tempo. Dê tempo ao tempo. E eu só penso, você, você… Eu amo você.