Ryuichi Sakamoto

blake kathryn
"I'm Dorothy Gale from Kansas"
Jules of Nature
Peter Solarz

if i look back, i am lost
PUT YOUR BEARD IN MY MOUTH

Product Placement
Cosmic Funnies
d e v o n
No title available

titsay
One Nice Bug Per Day
he wasn't even looking at me and he found me
Acquired Stardust

Kaledo Art
let's talk about Bridgerton tea, my ask is open
No title available
Keni
occasionally subtle
I'd rather be in outer space 🛸
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@victorbauab
Ryuichi Sakamoto
Um devaneio
Vinte e oito de novembro de 2019, mas bem poderia ser 1964. Quase meia noite e lá fora faz 13 graus. Coincidência, o número que deveria ter levado essa eleição de hoje. Um mantra para Durga ecoa por todos os cantos do meu apartamento de pouco mais de 30 metros quadrados. Na tela do computador, uma pintura do Hockney conforta e traz uma pequena inveja: por que diabos não sou eu nessa piscina?
Hoje visitei um centro zen budista, liderado por uma prima de duas estrelas do rock dos anos 60 no Brasil. A rigidez de toda essa prática fez minha brasilidade ficar afoita. Não nascemos com toda essa destreza oriental, bem como salientou Sérgio Buarque de Hollanda no seu Raízes do Brasil – livro que todos deveriam ter lido antes de eleger um fascistoide para presidente. Tudo aquilo não me fez sentido, fora o belo uso do preto nas dependências do templo.
O tempo anda difícil. Cada dia mais, me sinto um personagem de Drummond, aquele que trabalhas sem alegria para um mundo caduco. Em minha juventude, não tão longínqua, devo ressaltar, tudo me parecia mais poético. As dificuldades eram passadas com a companhia de Bukowski e Ana Cristina Cesar. Hoje, me atenho aos mantras. Estão me fazendo bem, sim.
Sol está em escorpião e o céu está um bocado tenso. Tudo aflora e ilumina de um jeito esquisito que ouso dizer sádico. Mas a paz está na tranquilidade de passar por momentos nebulosos. Há tempos que não ousava escrever coisa com coisa. Talvez seja um sinal.
Praticar yoga. Investir na meditação. Curar karmas. Ir para Índia. Estudar na Bahia. Sobreviver. Dar um jeito nas coisas.
As coisas relutam em serem ajeitas, nunca vi. Há vários livros na prateleira que não li. Alguns, nunca lerei, já me acostumei à ideia. Já os discos, ouvi todos. E já tenho meu favorito.
Hoje vejo, com mais facilidade, D’us por aqui. Na minha respiração, no meu canto, na minha punheta. Tudo é sagrado assim porque Ele quer. E eu também quero. E Caetano Veloso também quer.
Se eu fosse eu Deus hindu, eu seria Hanuman. Segundo a tradição indiana, o Deus-Macaco uniu Sita e Rama no amor divino e dedicou sua vida à devoção e humildade. Mas será que eu continuaria a fumar?
O cigarro é uma criação dos índios americanos. Usado em rituais sagrados, era uma forma de se conectar ao divino e dar perna a eles pela fumaça. Mas, como sempre, vem a incrível máquina e se apropria dessas questões etc.
On Namo Baghavate Vasudevaya.
9 de fevereiro
Eu estava fazendo algo
Que nem me lembro mais
Tua imagem inundou meu pensamento
E me atirei do cais
Já não aceito mais te amar de longe
Aperto os olhos com a luz que entra na janela
E que me obriga a encarar mais um dia sem você
Só penso no Milton cantando a Sentinela
Me arrumo, confiro a página do livro, acendo um cigarro, peço benção a Oxalá
E, numa rajada só, saio sem rumo
Com a esperança de te encontrar
Na esquina, no bar, atravessando aquela rua em que te vi pela primeira vez
E pela última.
Você passou por mim como um avalanche
E só o que ficou foram as cinzas do Marlboro pelo chão.
Aquela poesia nunca soou tão bela como em tua boca
Nunca tão bela em outra. Poesia, nuca, boca. Todas as poesias que são você.
Isso chegou antes do beijo. Isso tudo é sobre você.
Carta que D. nunca lerá
Sempre anoitece cedo quando se acorda tarde
Os teus discos, aqueles em que o silêncio traz uma profusão da genialidade alemã
Ainda estão aqui, a sua espera, seu dono
Hoje tenho plantas em casa, um raminho de arruda e um bocado de Espadas de Ogum
Mas você não diz nada, eu não digo nada, não dizemos – nós
E caminho pela rua com um Marlboro nos dedos, tão sem estilo
Tal como um dândi decadentista do século 18 na França
Huysmann, o velho anti-burguesista cafona, se orgulharia
Não milito mais, faço café às 3 da tarde e pranto em ouvir músicas de piano.
A beleza do mundo é maior.
E você não sabe disso – talvez nem queira saber.
Sorte tem os ignorantes.
Ou não.
O mar tem me inspirado, descoberta recente, filho de Yemanjá
O verde, os peixes, a arte
Em qualquer parte
Me leva a marte
Como um trovador moderno.
Então, respiro.
O problema não é eu ir
Mas você não me deixar ficar.
Le Mépris, 1963.
Philip Glass, 1999.
Capilla abierta en Palmira (Larrosa, Rossell y Candela, Cuernavaca, 1959) x Salas Portugal
Glass, Ryuichi Sakamoto & Alva Noto
Najia Mehadji Vanity, 2008
A Bigger Splash by David Hockney
Acrylic on canvas, 1967
The LA Photographer Who Redefined Glamour for the 1980s
JOHN LAUTNER, Arango House, Acapulco, Mexico 1972-1973
Mario Botta’s chair design
Train track through the Congo jungle
Jean Dubuffet
in the late nite