é difícil para hakkun pensar direito sob certas circunstâncias, mas nesse momento - e com percepção de que o mais velho está gostando da dança tanto quanto ele -, seu raciocínio não poderia estar mais claro. o corpo se envolve cada vez mais no desejo de ficar por horas a fio junto ao homem de passos atrapalhados, preso à onda de encantamento que insiste em puxá-lo de volta para ele sempre que se coloca um centímetro distante. “não achei que quisesse saber meu nome, nem precisaríamos desse tipo de informação pra essa noite”, hakkun pronuncia com dificuldade ao suspirar com a boca alheia em seu pescoço. os pelos se eriçam e ele se arrepia por completo, olhos fechando no reflexo de aproveitar ao máximo o contato delicioso que, sem dúvida, não deixará passar despercebido. ele sente que os dedos alheios são pedaços de nuvem, macios contra seu abdômen quente e contorcido em euforia.
"é hakkun", o jovem dita seu nome ( quase sem querer ) em um cochicho suave próximo ao ouvido dele. virando-se de frente para o rosto pouco visível entre os traços de luz que os atravessam, ele enrosca os braços no pescoço alheio e continua seus passos. “e você, quem é?”, questiona com um sorriso interessado. ele mostra um rebolado sutil que nunca colocara em prática, mas que já sabia que seria eficaz para torná-lo mais atraente aos olhos do estrangeiro. ele o fita intensamente, como quando debate um assunto sério, e não deixa a vista oscilar um segundo sequer, para não perder convicção em suas palavras. porém, dessa vez, ele não está dizendo nada. sua boca só abre para que ele umedeça seus lábios com a própria língua enquanto encara o desconhecido que baila consigo - e mesmo assim, sua certeza continua intacta.
o python passa os dedos pelo cabelo moreno do outro, que parece desmanchar com seu toque, e continua a acariciar o rosto dele, o dedão deslizando por uma das bochechas e parando no lábio inferior, o qual ele puxa para baixo e se permite observar. tudo relacionado à esse homem deixa hakkun excitado e faz seus olhos se revirarem de deleite, e nem se beijaram ainda. “por você ter jogado limpo comigo - atitude do feitio de poucos que eu conheço, nada mais justo que ganhe uma pequena recompensa.”
o garoto se diverte com o que diz e uma expressão ladina se alastra na face. a sensação é de que não há mais ninguém no local, porque hakkun só tem olhos para a figura masculina que circunda sua cintura com as mãos afeiçoadas. talvez o feitiço tenha se voltado contra o feiticeiro, pois tudo o que queria era tirar proveito da situação e se entreter com a bebida fazendo efeito na mente do outro, mas hakkun é que se encontra enfeitiçado. o calor entre seus corpos é aconchegante e convidativo, e traz uma certa paz de espírito ao mais novo, que vê a calmaria de um oceano transparecer por seus passos - e ao mesmo tempo, o fogo do inferno subir por suas pernas. “você quer sua recompensa? podemos deixar pra outro dia…” um biquinho se forma na boca. “se estiver bêbado demais pra se lembrar de mim.”
hakkun está louco para pôr as mãos ( e quem sabe, a boca ) em cada detalhe do outro, mas não aqui, não onde todos aproveitam para fazer o mesmo… como se a rua fosse um lugar melhor. ele busca a porta dos fundos da boate e sai de fininho de mãos dadas com a companhia da noite. assim que a porta se fecha e o barulho se abafa novamente, ele o põe contra a parede, segura seu rosto com ambas as mãos e o beija com vontade, lenta e deliciosamente. hkkun nunca tem pressa, muito menos quando é preciso convencer alguém a levá-lo para cama, e ele quer tomar seu tempo explorando a boca do alguém que, em poucas horas, aprendeu a gostar muito.
Ao ouvir a voz obviamente falha que saía da boca do outro, a única vontade que lhe surgiu foi a de continuar o que quer que estava fazendo. Podia notar o quão entregue o garoto se tornou ao seu toque e essa constatação o deixou satisfeito de uma forma que ele achava nem ser possível. Hakkun. O rosto, que à essa altura ele nem se sentia mais no direito de chamar de desconhecido, agora tinha um nome. A pergunta não foi totalmente em vão. A verdade é que ele sentia que acabaria chamando por aquele rapaz algumas vezes durante a noite e queria ter essa informação antes que estivesse disperso demais para perguntar.
A distância entre os dois diminuiu ainda mais quando Hakkun passou os braços por seu pescoço. — Leon. — respondeu, a voz meio rouca. Estava completamente perdido no sorriso e na forma com que o mais novo continuava a dançar. Sustentou o olhar alheio, incapaz de desviar o foco dos olhos castanhos até o momento em que ele umedeceu os lábios com a língua.
Enquanto as mãos masculinas subiam para seu cabelo, a respiração do policial tornou-se pesada e irregular. Fechou os olhos por um segundo, sentindo o toque lento em seu rosto, até que esse chegasse em sua boca. A cena toda era simplesmente tão intensa, que ele não sabia ao certo como reagir. A voz do outro o fez esboçar um sorriso. Uma recompensa... A promessa lhe trouxe um frio na barriga prazeroso e excitante. — Eu acho que mereço. — respondeu, assistindo a expressão travessa que brincava no rosto do outro. A mão direita foi subindo, por baixo da camiseta, pelas costas do garoto, apenas pela necessidade de sentir um pouco de pele. — Hm? — murmurou, um pouco confuso com a fala seguinte dele. Por mais que gostasse da expectativa, não seria capaz de esperar até além daquela noite. — Eu não vou esquecer de você fácil assim. — continuou, levemente aborrecido com aquela suposição. De fato, ele estava longe do estado de sobriedade, mas estava plenamente consciente de suas ações e principalmente de seus desejos. E o que desejava naquela hora, era aquele homem.
Mais uma vez ele seguiu o desconhecido, mesmo sem saber ao certo para onde estavam indo. Honestamente, a expectativa de beijá-lo e tocá-lo em toda parte já era tão grande, que por ele o faria ali mesmo onde estavam. Mas quando chegaram à rua, ele notou que, por mais estranho que pudesse soar, ali tinham mais privacidade. Surpreendeu-se com a forma com que o outro o colocou literalmente contra a parede e finalmente o beijou, mas a surpresa maior foi com o beijo em si. Era devagar, prazeroso, de um jeito que o permitia aproveitar cada centímetro de pele em contato com a sua, cada segundo que as bocas passavam juntas. Uma de suas mãos enroscou-se no cabelo do outro, numa carícia firme, porém suave, enquanto a outra voltou ao seu posto nas costas alheias. Gostava da forma com que os músculos involuntariamente reagiam ao toque quente de sua mão. Quando se separaram, Leon tomou uma breve distância apenas para olhar o rosto de Hakkun. Queria fazer muito mais do que dar um simples beijo e era óbvio que a intenção do outro também não era parar por ali.
O mais velho inverteu a posição, colocando agora o garoto entre seu corpo e a parede. O beijou outra vez, agora de um jeito mais acelerado. Suas mãos, no entanto, continuaram do mesmo jeito lento de antes. Acariciou o cabelo alheio, descendo pelo pescoço, os ombros, os braços, até chegar em uma das mãos. Entrelaçou os dedos aos dele, carinhoso, e em seguida fez o mesmo com a outra mão. Quebrou o beijo novamente, outra vez criando uma pequena distância. A respiração estava descompassada. — Hakkun, hm? — sorriu, levando as mãos do garoto até a parede, ao lado de sua cabeça, segurando-as com força de forma a impedi-lo de se mover. Beijou o pescoço outra vez, chupando levemente a pele daquela região, subindo ao maxilar e em seguida indo até a orelha. — Eu gosto do seu nome. Espero que não se importe se eu tiver que chamar por ele algumas vezes. — sussurrou, mordiscando de leve o lóbulo do outro. Não gostava de prometer coisas, mas em alguns momentos a expectativa era o melhor combustível para a excitação. Voltou a beijar-lhe a boca, de uma forma quase agressiva. Mordeu levemente o lábio inferior do rapaz, ele mesmo deixando escapar um gemido baixo, que se misturou ao som abafado da boate.