Fiquei tanto tempo no vazio que este me consumiu. Já era normal não esperar nada de novo, e fora um tanto quanto difícil chegar neste ponto.
Parecia ser triste, mas era a solução. Não esperar dava a força para seguir em frente, sem buscas, somente com o momento presente e poucas expectativas em eventos momentâneos.
Só que cada vez mais, o vazio preencheu, sutilmente, com o nada de cada dia acontecendo. Mesmo assim, a vida era legal, não tão bela quanto antes e mais desanimada, talvez. Mesmo assim, havia como caminhar rumo a um futuro incerto...
Certo dia, acertam o sorriso, tocam seu coração, te enchem, te dão vida, te revivem valores, te dão novas palavras... Isso é de fato bom, prazeroso... Sentir-se importante, sem cobranças, onde todo o passado se dissipa, o agora é mais que um mero presente e o amanhã torna-se a busca pelo eterno agora... É um sentimento tão sublime, intenso, que o seu eu se apaga e seu redor torna-se somente a causa daquele belo sentimento... Tantas princesas, tantas belezas, mas nenhuma lhe importa mais que aquele sorriso inocente direcionado a você. Nada se torna mais importante do que ouvir as palavras: "estou com saudades!" "quero você perto de mim!". Os menores atos que são feitos para você, tornam-se os presentes mais incríveis, pois estão cheio de sentimentos. Simples, mas belos sentimentos!
O coração vira o seu dono e a razão, meu caro, se dá em função das ordens dele. Não importa a vivência, não importa nada, senão isto.
E isto sempre culmina no ponto em que o coração se fere... Temeroso, o coração te manda não desistir, pois acredita fielmente que irá vencer. Mas todas as circunstâncias anunciam sua derrota...
Que poderes tens para mudar isso? Nenhum, pois já chegou no ponto em que qualquer ação se torna um erro, cada vez maior.
As conversas diminuem, dando-te o desconforto paranoico da derrota, onde toda insegurança o torna cada vez mais fraco...
Não havendo mais como acertar, a tortura lhe abraça. O vazio lhe preenche e, caído, você assume toda a derrota.
Não há felicidade nisso, mas há vida. Melhor, vivência... Você retorna a sua rotina, esquece os acontecimentos, desiste de sentir doer... e vence.
Vence o luto da derrota, vence a memória, o sentimento ao ver as fotos...
Mas percebe que, mesmo com todas estas micro vitórias, você perdeu o mais precioso: seus sentimentos...
Valeria a pena sofrer toda a dor com a certeza de seu retorno, do que viver de cabeça erguida sem mais ninguém...
Paira sobre a mente: "Será que haverá futuro?"
"Espero que sim...."