Capítulo E - "A chance de um novo amanhecer "
Um dia, enquanto Paradoxi passava pelos universos, ele acaba indo em um universo que acaba lhe chamando a atenção. Ao está nele, as coisas não pareciam muito animadoras por lá, tudo que Paradoxi viu foi o que um dia havia sido aquele mundo, era apenas um deserto gélido com várias construções em ruínas.
Paradoxi logo percebe como o ar possuía radiação, tendo isso em mente, ele continua com seu caminho. Enquanto andavam por aquele mundo desolado, Paradoxi vê como as pessoas daquele universo não apenas haviam se destruído como também erradicaram a vida no planeta inteiro em uma guerra nuclear.
Não vendo sinais de seres vivos naquele lugar, ele acaba por sentir que ainda havia vida em algum lugar, indo imediatamente até lá. Ao chegar em uma instalação que parecia abandonada, logo nota na entrada, inúmeras pilhas de cadáveres em estado avançado de decomposição.
Olhando para aquelas pilhas de corpos, Paradoxi pensava consigo que lá dentro talvez estivesse melhor do que aqui ali fora. Quando entrou, rapidamente percebeu como o interior estava mais conservado do que o lado de fora.
Andando pela instalação, Paradoxi nota que parecia ter alguém morando lá para está bem conservado daquele jeito. Explorando o lugar, ele começou a notar que havia algo ou alguém à espreita, então o mesmo de repente para de andar e se vira.
- Eu sei que você está. - disse Paradoxi. - Apareça logo.
De repente, Paradoxi sente o seu corpo ser envolto por aquelas linhas finas que na verdade eram teias. Em um primeiro momento ele tenta se soltar, no entanto vê que aquelas teias eram como aço, Sofia acaba por surgir na frente dele.
- Pelo visto ainda sobreviveu um. - disse Sofia. - Agora, por onde você esteve escondido todo esse tempo?
Enquanto Sofia falava, Paradoxi só olhava para ela sem dizer nada, até que ele decide falar.
- O que exatamente é tudo isso? - perguntou Paradoxi em tom de brincadeira.
- Eu fiquei indo atrás de todos vocês. - assentiu Sofia. - Já deve fazer pelo menos uns 10 anos que não vejo outra pessoa.
- O que você espera conseguir com isso? - perguntou Paradoxi.
- No fim, não adiantou muito conseguir alcançar a liberdade. - respondeu Sofia. - Se nada restou no mundo lá e ter que acabar vivendo aqui.
Paradoxi vendo isso decidiu ir por uma abordagem diferente.
- Olha, você não quer conversar um pouco sobre isso? - perguntou Paradoxi. - Você parecia um pouco agitada, que tal nós conversamos com mais calma.
Sofia então se aproximou de Paradoxi.
- Eu estou perfeitamente calma. - respondeu Sofia parecendo triste só que rapidamente recupera a compostura.
- Me diz, o que aconteceu com você? - perguntou Paradoxi em tom calmo.
Sofia no começo demonstrou certa resistência para falar, porém Paradoxi disse a ela que não tinha problema que ele esperaria a mesma falar no tempo dela se ela assim se sentisse confortável. Sofia via que Paradoxi não era igual aos outros humanos que apenas imploravam pelas suas vidas.
- Tudo bem, responderei as suas perguntas. - respondeu Sofia. - Contanto que também antes, você fale quem você é.
- Agora você já parece mais calma. - acrescentou Paradoxi. - Vamos conversar mais sobre isso.
Paradoxi acaba por se livrar facilmente das teias que o prendiam, o que acaba surpreendendo Sofia.
- Que tal nós sentamos para conversar? - perguntou Paradoxi.
Então Sofia levou Paradoxi até onde ela ficava, ele acaba vendo incontáveis aranhas por toda parte.
- Estás são as minhas aranhas. - assentiu Sofia.
Paradoxi nota uma aranha subindo em Sofia e ela diz que aquela era Charlotte, falando também que as aranhas eram suas únicas companhias em todos aqueles anos. Paradoxi acaba achando interessante isso.
Sofia acaba por trazer duas cadeiras para que eles pudessem se sentar.
Quando ela se senta, Paradoxi tira uma barra de chocolate do bolso de seu casaco e pergunta se a mesma iria querer. Sofia pensa sobre isso por alguns instantes sobre a oferta e acaba decidindo aceitar o chocolate.
- Tudo bem, irei te falar quem eu sou. - disse Paradoxi. - Mas, antes de responder qualquer pergunta, você vai ter que aprender um pouco sobre mecânica quântica e teorias das cordas.
Paradoxi mostra uma projeção para poder ilustrar o que iria dizer e ele começa a explicar para Sofia o que era o multiverso, de como funcionava e quem ele era em si. Falando também sobre o universo dele, de como eram as pessoas de lá e entre outras coisas.
Conforme mais explicava, mais Sofia ficava fascinada em saber que existiam coisas além do universo. Ela por sua vez, curiosa como estava, começou a fazer várias perguntas para Paradoxi e ele respondeu a todas na medida do possível.
- Agora que te explique o essencial, que tal você me falar mais sobre você. - acrescentou Paradoxi. - Porém, antes como eu deveria te chamar?
Sofia não gostava do nome que havia sido dado a ela, Paradoxi vendo a expressão no rosto dela com a pergunta, logo se notava que devia ter um motivo dela não gostar de seu próprio nome, então ele encontra uma solução.
- Já sei, que tal eu te chamar de Eurídice, o que acha? - perguntou Paradoxi.
Sofia pensa sobre o nome, ela acaba aceitando ser chamada de Eurídice, achando bem melhor do que Sofia. A mesma começa a falar de como era a vida dela, das coisas que teve que passar e suportar naquele local.
Contou sobre como ter crescido nesse lugar tornou quem ela era agora e também da solidão que sempre sentiu até que conheceu as suas aranhas. Ela diz como eram os treinos e experimentos que sofreu, de como eles queriam apenas que ela fosse uma arma que pudesse ser usada pros propósitos deles.
Eurídice fala que quando mais jovem tentou fugir daquele lugar uma vez, porém acabou não conseguindo e como uma forma de punição eles amputaram completamente dois braços dela. Ao falar isso, a mesma acaba apertando com tanta força uma xícara que segurava, que ela acabou ficando em cacos.
Paradoxi via como Eurídice ter vivido a vida toda naquele lugar fez ela, a mesma acaba pode pedir desculpa por aquilo, Paradoxi fala que está tudo bem. Acaba ficando um silêncio entre os dois.
- Então, o que você tem feito em todos esses anos após o mundo ser dessolado? - perguntou Paradoxi.
Eurídice diz que havia explorado todo aquele lugar para ver o que poderia encontrar e que também conseguiu sair algumas vezes daquele lugar usando uma roupa de proteção.
No fim, não encontrou praticamente nada lá fora, Eurídice conta a Paradoxi que como não tinha para onde ir acabou por ficar ali mesmo.
- Nesse tempo estive tentando aprender outras coisas como cozinhar e costurar roupas para mim mesma. - acrescentou Eurídice.
Paradoxi ficou feliz ao ver que quando Eurídice começou a falar sobre as coisas gostava a deixava mais alegre e animada.
Eurídice fala sobre Charlotte, que ela era apenas uma aranha pequena quando a encontrou e que tinha decidido cuidar dela desde do dia que a achou. Que também Charlotte por muito tempo foi a única companhia que ela teve em todos aqueles anos, a mesma falava isso enquanto segurava Charlotte em suas mãos.
Só que Eurídice sabia que Charlotte logo morreria por conta da idade avançada, mas que ainda sim ela tinha sido uma boa amiga. Eurídice acaba recuperando a compostura e pede desculpa por isso, Paradoxi responde que não tinha problema, ele diz rindo que ela não precisava ser sempre tão formal.
Eurídice acaba ficando um pouco envergonhada com o que Paradoxi diz.
- Vou tentar seguir seu conselho. - disse Eurídice.
Os dois acabam conversando por mais algumas horas, depois quando Eurídice foi ver como Charlotte estava, porém a mesma quando vê ela a mesma percebe que Charlotte havia morrido.
No momento Eurídice ficou sem saber como reagir àquilo, Paradoxi via que ela parecia estar se segurando.
- Está tudo bem se você quiser chorar. - disse Paradoxi. - Não tem problema em demonstrar vulnerabilidade em certas ocasiões.
Eurídice ouvindo isso, começa então a chorar, a mesma realmente sentia muito pela morte de Charlotte. Depois de alguns minutos ela responde que estava um pouco melhor agora.
- O que você fará com ela? - perguntou Paradoxi.
- Eu queria poder enterrá-la em um lugar bonito. - respondeu Eurídice.
- Eu tive uma ideia. - disse Paradoxi entusiasmado. - Que tal se você e suas aranhas viessem comigo para o meu universo?
- Como assim? - perguntou ela.
- O que eu quero, é lhes oferecer uma chance de saírem desse lugar. - respondeu Paradoxi. - Poder ver e conhecer coisas novas e diferentes.
- Eu posso te dar a oportunidade de poder ter uma vida melhor. - acrescentou Paradoxi.
- Você poderia me arranjar um bom lugar para eu enterrar a Charlotte? - perguntou Eurídice.
- É claro. - respondeu ele. - Então o que me diz, aceita minha proposta?
Eurídice pensa sobre o que estava sendo lhe oferecido, ela sabia que realmente não tinha nada naquele lugar que a importasse além de Charlotte e as suas outras aranhas. Ela queria no momento era poder finalmente ir embora daquele lugar e também enterrar Charlotte.
- Eu aceito! - exclamou Eurídice.
- Que bom. - disse Paradoxi sorrindo. - Podemos ir então.
Diante deles surge um portal azul, sendo essa a passagem para um novo começo.