The worst thing to cross my mind.
O ar repugnava-a, fumaça de narcóticos e insuportáveis bafos por conta de misturas envolvendo vodka, cerveja e energéticos. Enquanto caminhava em direção a porta do banheiro encontrava empecilhos que pioravam ainda mais sua situação – não bastasse a tontura e os pontos pretos na visão, desviar de jovens dançantes ainda piorava o medíocre estado em que estava. Luzes frenéticas de néon pareciam agora assustadoras, acompanhando-a e indo para qualquer lado que fosse. Respirar tornara-se difícil e maçante, exigindo de si vontade, vontade completamente sugada por aquela massa que lhe subia até a garganta, devagar e de jeito pavoroso como se consigo arrastasse tudo o que estivesse no caminho. A cabeça latejava e o crânio prestes à rachar agonizava o âmago.
Apoiou-se na porta de entrada do banheiro assim que alcançou esta, respirou fundo uma, duas vezes. Nada. Ou melhor, tudo – exatamente tudo o que não deveria estar sentindo. Merda de álcool. A verdade era que, por mais que gostasse, ainda era algo forte demais e ela não aguentava muitos goles de bebidas. Era a terceira vez que aquele tipo de coisa acontecia e, adivinhe só, a terceira vez em que bebia em festas. Começara por pura pressão vinda de amigos; Além do sentimento revitalizante de estar fazendo algo de errado, a vontade de ser como qualquer outro de sua idade, ser aceita no meio mesquinho onde vivia, era também grande. Bem, estar ali como uma moribunda jogada às traças não era o que esperava.
Outra vez o súbito bolor lhe subiu à garganta, deixando-a sem ar. Correu para um dos vasos sanitários como louca e jogou-se ao chão, abrindo nervosamente a tampa para enfiar o rosto e finalmente pôr para fora o incômodo da madrugada. Raspava-lhe a garganta o vômito, doeu e a força feita com o abdômen também fez os olhos lacrimejarem. Seus cabelos ruivos caíam ao lado do rosto, alguns fios colados neste – ao levantá-lo pode perceber, com o reflexo de um cano metálico, a maquiagem preta escorrendo pelas bochechas juntamente com o suor frio. Agachada no piso salubre, o antebraço estando então entre a testa cálida e o sanitário de temperatura contrária. Imaginava o quão ridícula estava, deplorável e desprotegida com as roupas cheirando à bebida, suor, vômito – seria vítima até de si mesma, com alguma piada infame e sem graça.
















