Florence se irrita com a visita de Soraia.
[Florence]- quê que cê tá fazendo aqui, cara? Na boa, já chega!
[Soraia]- pelo visto você tá muito ocupada, né.
Soraia encara Micaela, que desvia o olhar.
[Florence]- sim, estou. O que quer?
[Soraia]- vim saber como o Sol está.
[Soraia]- hum. Manda um abraço pra ele, já que, pelo visto, não vou poder entrar.
[Florence]- pode deixar que mando.
[Soraia]- vai mesmo fazer isso comigo?
[Florence]- Soraia, quantas vezes mais eu vou precisar repetir que não temos mais nada? E quanto mais você insistir, pior vai ficar.
[Soraia]- não é verdade! O que essa daí fez pra você passar a me tratar assim, hein?
[Micaela]- pera aí, eu não fiz nada, não me coloca no meio disso!
[Soraia]- cala a boca, mano, não tô falando com você!
[Florence]- já chega, Soraia, se você não sair daqui agora, vou ser obrigada a chamar a polícia!
[Soraia]- tudo bem, fica tranquila, eu vou. Mas ainda quero ter um papo com você, garota. De mulher pra mulher.
[Micaela]- meu nome é Micaela. Estou à disposição.
Soraia sai, ainda encarando a rival. Irritada, Florence bate a porta.
[Florence]- puta que pariu, velho! Me perdoa, Mica, tô morrendo de vergonha.
[Micaela]- não precisa se desculpar, relaxa. Na verdade, eu fico preocupada é com você. A Soraia não vai te deixar em paz enquanto você não fazer alguma coisa.
[Florence]- tem razão. Não queria, mas infelizmente não tá me restando outra alternativa.
Cai a tarde. No bar, Vitor é surpreendido pela visita de Custódio.
[Vitor]- o que você quer?
[Custódio]- nossa, mas que jeito é esse de tratar um cliente?
[Vitor]- eu sei muito bem que você não veio consumir nada, trate de dizer logo o o que quer porque preciso trabalhar.
[Custódio]- tudo bem, já que insiste. Eu vim EXIGIR que pare de espalhar falsas informações sobre mim.
[Vitor]- hã? Eu não sei do que tá falando.
[Custódio]- ah, sabe. Sabe muito bem.
[Vitor]- não, pior que não sei. Inclusive, nem tava me lembrando da sua existência.
Custódio se aproxima e aponta um estilete pro punho de Vitor.
[Custódio]- pois não parece. Ontem a Simone comentou comigo sobre a tal doença lá que você inventou que eu tenho. E é óbvio que foi você abriu a boca.
[Vitor]- é por isso que tá tão nervosinho? Uai, mas eu não menti. Foi você que me infectou, sim.
[Custódio]- você não tem provas!
[Vitor]- se tem tanta certeza assim, por que não faz o teste e me mostra?
[Custódio]- teste, que porra de teste?
[Vitor]- o teste de HIV, uai. Me prova que não tá infectado. Ou por acaso tem medo de fazer e comprovar que o que eu digo é verdade?
Enquanto isso, Sol recebe a visita de Júlio e se emociona ao ver o amigo.
[Júlio]- ai, amigo. Me desculpa por não ter vindo antes, mas tem tanta coisa acontecendo, esses trâmites da herança, enfim.
[Sol]- não se preocupe, amigo. Só de estar aqui já me ajuda tanto.
[Júlio]- não tenho nem coragem de perguntar como você tá.
[Sol]- nunca pensei que as coisas fossem tomar esse rumo, sabe? O meu pai nunca tinha levantado um dedo sequer pra mim.
[Júlio]- eu fico sem entender como o preconceito pode transformar as pessoas. É assustador.
[Sol]- muito. Eu ainda tô me sentindo dentro de um pesadelo.
[Júlio]- e o Danilo? Como reagiu quando soube?
[Sol]- ficou revoltado. Diz que teve até uma treta feia com o Tadeu lá no seminário.
[Júlio]- aff, eu já devia saber que tinha dedo desse desgraçado nessa história, que ódio. Mas isso não vai ficar assim, ele vai ter o que merece.
[Sol]- no momento só quero que o tempo pare pra não ter que encarar a Ordenação Sacerdotal.
[Júlio]- pera aí, você vai seguir mesmo com essa ideia de ser padre?
[Sol]- acho que sim. Vai ser a única forma de conseguir o perdão do meu pai.