oito
se a gente se esbarrou por agora,
eu desde já te peço perdão,
pela minha falta.
falta de intensidade, de presença
quase que um vazio impreenchível.
a ausência se faz presente nos dias agora
e eu não sei direito ainda como voltar a antes.
perdão por te tocar sem sentir tudo
como o turbilhão que eu costumava sentir
como o oitenta que eu era
como a maré que nunca vinha
eu só não sei mais
só não entendo mais
só não me vejo mais
perdão.
mas meu coração endureceu de novo
os pedaços se juntaram,
e eu já não sinto mais.
só lembro da bagunça
que era cada olhar e toque
por quem passou e mudou
porque eu quis que mudasse
e era inevitável à época que o frio na barriga isso gerasse
não é mais assim. e por isso a distância
não sou assim.
não sou mais assim? perdão.
mas o escuro ainda é regra
mesmo que eu tente negar.
isso no meu peito não era apático, impassível
pulsava, reagia. Você perceberia.
forte. descompassado. impulsivo.
onde foi parar?
perdão. um dia volto a mim, e te aviso.











