Não era pra ter sido assim.
Eu te imaginei em diversas formas, com diversos gostos e sabores.
Imaginei você na minha cama, deitado, dormindo um sono tão profundo que acordar você seria um pecado.
Mas não era pra ter sido assim.
A primeira vez que te vi foi em um local onde muitos consideram sagrado e ter pensamentos impuros e totalmente sexuais vai contra o que eles pregam. Porém, não pude evitar. Eu tentei. Eu juro que tentei. Mas não consegui.
Meu objetivo nunca foi criar expectativas sobre você. Era apenas para eu ter desejos em corpos diferentes e quem sabe, durante a noite, poder usar a imaginação ao meu bel prazer e poder gozar de satisfação.
Quanto mais eu imaginava nós dois na cama, tendo conversas aleatórias, mais eu desejava passar a minha língua em sua pele e sentir o gosto do seu suor.
Quanto mais eu imaginava as músicas do Anavitória (porém, eu acredito que você deva preferir as do Jão) como trilha sonora dos nossos momentos, mais eu queria que o seu corpo ficasse em cima do meu e eu poder sentir as batidas dos nossos corações funcionando como um só e poder ouvir você sussurrar em meu ouvido que me desejava desde o primeiro dia que nos vimos.
Quanto mais eu imaginava as nossas brigas por idiotices - onde você reclamava de eu estar sendo frio e ciumento, e eu te rebatia dizendo que é culpa da minha Lua em Aquário -, mais eu me deliciava com as nossas reconciliações imaginárias. Onde a minha mão explorava todo o seu corpo e parava dentro da sua calça e minha boca salivava de desejo por você.
Mas isso tudo é apenas a minha imaginação tentando me dar um final feliz nesse mundo.
Pelo menos eu acho que gosto de você.
Na verdade eu sinto um tesão desenfreado, louco e torto por você. Um sentimento que ignora todos os defeitos que você possa ter. Até mesmo daquela sua CROCS azul marinho que você usa quando te vejo todas as quintas às 12:10 da tarde.
Pra ser sincero todos os dias eu te dou um nome diferente.
Já até imaginei que você talvez tivesse um nome de santo, como Francisco, Benedito Expedito, João Batista, José ou, até mesmo, Jesus (quem sabe?).
Ontem eu te chamei de Vinícius. Não sei exatamente o porquê, mas talvez tenha sido porque Vinícius tenha sido o primeiro cara que tenha fodido (sem me penetrar) todo o meu ser.
Mas não importa o nome. O que realmente importa é que você habita os meus desejos mais profundos, minhas fantasias mais perigosas. Nos meus sonhos mais felizes.
Talvez a gente se fale um dia. Ou talvez nunca nos falemos. Ou, quem sabe, eu morra atropelado virando a esquina. Muitas probabilidades.
Mas saiba que às quintas-feiras vou te desejar na igreja de São João Batista. Sentado no terceiro (ou no quarto) banco do lado esquerdo da igreja. De frente pra Jesus Cristo e pedindo perdão por cada desejo pecaminoso que envolve a sua boca.