[flashback]
Chelsea parou por um momento, tentando decidir se deveria puxar ou não o braço para longe da mão de William e ir pegar o maldito remédio. A intenção dela, no começo, era apenas dar uma resposta um tanto ácida para o seu ex-namorado. Mas assim que parou para pensar por alguns instantes, se deu conta de que, talvez, ela pudesse ter falado sério. Chelsea levantou os olhos para encontrar o olhar perdido de William fixado em algum lugar entre seu colo e o o pescoço, contrastando com a firmeza do aperto no seu pulso e das suas palavras. Ainda um pouco hesitante, Chelsea sorriu de volta, torcendo para que ele pudesse ouvir que ela o estava fazendo na sua voz "Provavelmente não…" Respondeu sem um pingo de sarcasmo.
Desde que perdeu a visão, Will desenvolveu algumas muitas habilidades comuns a deficientes visuais, dentre elas a capacidade de distinguir o humor de uma pessoa somente pelo seu tom de voz. Por isso, ao ouvir a resposta da O'Hare, ele sabia que ela estava consentindo com seu desejo. E sabia também que ela estava sorrindo. O Sorriso de Chelsea O'Hare. Era o nome da canção que ele compôs para a garota no piano antes mesmo de passar pela puberdade, quando era um garoto apaixonado. Will sempre gostou de imaginar o sorriso de Chels, em sua mente era a mais bela das imagens. "Ótimo, então, porque talvez eu tenha sentido sua falta." Will soltou o pulso de Chelsea e tocou os quadris da mulher com as duas mãos. "Mesmo você sendo tão fodidamente chata."

















