Existe um furacão de coisas dentro de mim e eu não me acho no meio delas.
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@witchseason505
Existe um furacão de coisas dentro de mim e eu não me acho no meio delas.
dentro de mim existem anos
que não dormiram
Meu corpo Minha casa - Rupi Kaur
o instinto de sobrevivência
surgiu em mim como um incêndio
Juro por Deus que quero falar com você agora, nesse momento, e dizer todas as coisas que me incomodam, colocar pra fora o quanto é ruim não saber se o sinal é verde ou vermelho. Mas, Deus também sabe que quero me colocar em primeiro lugar. No final de tudo, quem fica comigo sou eu mesma. É necessário acolher a própria sombra se quiser se manter viva no final.
É aqui que eu me entrego e me vejo, em uma flor que expressa o que há aqui dentro e eu vejo e aceito: É a liberdade, é a felicidade, é o sorriso e é o sol, é a coragem e é, principalmente, a força para seguir e não perder a fé
A Dança de Si
É quase como se meus pés não encostassem no chão. Mas eles estavam lá, bem aterrados, somente desconexos da mente, que vaga sem destino e data de volta. Ela compra passagem só de ida para ficar ao lado dele, quando, talvez, seja impossível de se sentir sua presença. É uma constante dança de si mesma, torcendo para o outro sentir sua sombra.
Eu sou um conjunto de constelações. E como é que você julga ser capaz de conhecer um universo inteiro dentro de uma noite só?
- É impossível encontrar o fim no infinito
Prêmios que nem o fogo destrói
Passei a observar
Melhor as minhas c i c a t r i z e s
E fazer questão
De todo santo dia
Lembrar a mim mesma
Que elas estão ali
Afinal nada mais
Justo para alguém que
Enfrentou o i n f e r n o
E saiu v i v a
— Prêmios que nem o fogo destrói
Eu te avisei
Está surpreso
Por me ver aqui
Não é?
Pois bem
O que devo dizer
Além de:
E u t e a v i s e i
— A força que você pensou ter anulado em mim
O relógio
TIC…
Consegue...
TAC…
Ouvir…
TIC…
O relógio...
TAC…
Soar…?
TIC…
Na décima…
TAC…
Segunda…
TIC…
Badalada…
TAC…
O feitiço…
TIC…
Irá…
TAC…
Quebrar.
Devastação
Vejo-a como uma amante, das mais perversas. Uma acompanhante das próprias ruínas, fruto das devastações internas. Uma dama que se fragmenta e esmaga seus oponentes, quase sempre sem noção das versões furiosas dentro de si. Um tsunami mortal, criado e alimentado para devorar lembranças. Ela é a lâmina que perfura todas as camadas da pele, e se aprofunda, atravessando o meu corpo.
A pele é pálida e transparente, seus olhos fundos e escuros. Não há nada o que temer, apenas escutar. Escute, escute muito bem. A boca anda costurada, consequência de antigos feitiços de silêncio. O interior é o abalo sísmico, perigoso e impulsivo. É a fúria que corre nas veias que a torna tão indomável, tão imperfeita para caber em caixotes. Mas, para ser sincero, sempre vejo-a tentando dobrar os braços para trás, a cabeça para frente, tocando a testa nos dedos dos pés. A coluna dobrada dentro de si, um pequeno espiral corpóreo. E então ela diminui seu tamanho, forçando seus ossos a encolherem, forçando o coração a parar de bater para entrar na caixa minúscula.
Vejo-a como uma andarilha, das mais soltas. Procurando liberdade em lugares que representam verdadeiras prisões. Procurando a gentileza em lugares escuros e frios, duros e de concreto. Ela é a flor em meio as pedras. É a miragem de água em meio ao deserto.
Vejo-a novamente como uma amante, das mais perversas. Porque ainda que procure sair das caixas, gosta de enfiar os viajantes iguais a si dentro de pequenos caixotes e levá-los escondidos embaixo de seu manto negro. Gosta de deixá-los com sede e forme, secando até que não sobre gota nenhuma dentro de seus corpos. E então os devora numa tentativa inútil de sentir suas almas, seus sonhos e esperanças. Não consegue enxergar essa essência escorrendo pelos cantos da boca, deslizando em direção a terra. Ela é a que nutre e a que devora.
Ela é a devastação. O castigo. A maldição. E, por fim, a morte desolada e concretizada.
Tempestades e santos
Em mim habita as mais diversas divindades
Elas carregam o vento e as tempestades
E o ar estava cheio deles
Someone like me can be a real nightmare, completely aware
"Amar a si própria na escuridão: Esse é o desafio"
Há esses lugares para os quais nunca fui.
Há esses rostos para os quais nunca sorri.
Há esses passos que nunca dei.
Há essas lembranças das quais nunca vivi.
Há, por fim, esses sentimentos dos quais nunca me livrei.