parando com a pílula anticoncepcional
Para muitas de nós a pílula não foi opção. Foi imposição. E assim foi comigo. Porque tinha espinhas ou porque tinha cistos no ovário. Todas as mulheres tomam esse remédio que parece solucionar todos os nossos problemas. Se incomoda com o sangue que bate ponto todos os meses? Toma pílula. Tem acne? Toma pílula. Até os dermatologistas dizem pra tomar a bendita pílula. Eu não quero deixar de dizer que em muitos casos o anticoncepcional é sim necessário. Muitas mulheres precisam dele por vários motivos, como ovários policísticos, por exemplo (apesar de ainda assim nesses casos existirem tratamentos alternativos). Mas deveria ser possível optar por colocar pra dentro do nosso corpo algo tão sério e que traz tantos riscos omitidos pela maioria dos profissionais da saúde e da sociedade em geral, que naturaliza o consumo da pílula anticoncepcional, acarretando toda a responsabilidade de não engravidar para as mulheres. Os riscos não nos são informados, e mulheres adoecem por isso. Mulheres morrem por isso.
“Uma mulher que não menstrua é o ideal de sujeito neoliberal. Um corpo menstruado vaza, é imprevisível, suas emoções estão aumentadas – por isso esse corpo é visto como um problema para a economia neoliberal. Uma mulher menstruando não pode apresentar-se como racional, não está preparada para participar do consumismo 24h por dia, sete dias da semana. Um corpo que não menstrua está muito melhor adaptado para o sucesso do mercado em uma economia de consumo” Kissling – Capitalizing on the curse: the business of menstruation (tirei esse trecho desse artigo maravilhoso)
Isso diz muito sobre o surgimento das pílulas anticoncepcionais. A opressão feminina está intimamente ligada ao sistema capitalista em que vivemos. E, como dito acima, mulheres que não menstruam são mais produtivas e estáveis. Eu pergunto: por que vocês acham que a pílula é tão difundida como ótima e por que casos graves de problemas associados à pílula são pouco divulgados? É certo que muitas mulheres lutaram para que o anticoncepcional existisse, e eu não estou deslegitimando tudo isso. Mas é hora de rever o uso e pensar em alternativas não tão agressivas para o nosso corpo. O surgimento do anticoncepcional representou a liberdade sexual feminina, que a partir de então poderia escolher não engravidar. Mas essa responsabilidade é do casal e a proteção deve ser dos dois. A mulher sozinha não é obrigada a tomar um remédio cheio de riscos porque o seu parceiro não se sujeita a usar camisinha, por exemplo.
Praticamente todas as mulheres da minha família tomam ou tomaram esse remédio. E, para mim, foi natural começar a tomar também. Comecei aos 14 e, agora com 20, decidi parar de tomar. Parei por todos os riscos, por perceber que não conheço meu corpo de verdade, e quis senti-lo. Quis experimentar vivenciar coisas que nunca senti porque minhas sensações sempre estiveram “maquiadas” pelo remédio. Conhecer meus ciclos, cultivar uma relação totalmente diferente comigo mesma e com meu corpo. Conheci a ginecologia natural, que é uma vertente da ginecologia que acredita em tudo isso que estou escrevendo. Autonomia feminina, poder de decisão, cuidado com o corpo, conexão com a natureza.
O ciclo menstrual começa no primeiro dia da menstruação e vai até o primeiro dia da menstruação do mês seguinte. A quantidade de dias varia: em alguns casos, o ciclo tem 28 dias, e em outros, chega a ter 21. Anotar os dias certos de menstruação ou usar um aplicativo (Clue e Maia são bons exemplos) para controlar o ciclo é muito importante para quem não toma anticoncepcional, embora NÃO POSSA SER o único método contraceptivo utilizado, porque a “tabelinha” não é 100% confiável quando utilizada sozinha. Eu acredito que a camisinha seja uma das melhores opções, porque, além de tudo, protege contra várias doenças. Mas existem outros DIVERSOS métodos contraceptivos NÃO HORMONAIS, como por exemplo o método sintotermal, DIU de cobre, diafragma, entre outros.. A gente não conhece porque sempre fomos doutrinadas à pílula. Mas as mulheres estão tendo um maior acesso à informação e, finalmente, tendo a oportunidade de decidir o que fazer com os seus próprios corpos.
ps: consultem seus/suas ginecologistas de confiança!










