𝐞𝐩 𝟎𝟏: 𝐦𝐢𝐧𝐡𝐚𝖘 𝐦ã𝐨𝖘 𝐞𝖘𝐭ã𝐨 𝖘𝐮𝐚𝐧𝐝𝐨, 𝖘𝐞𝐫á 𝖘𝐞 𝐞𝖘𝐭𝐨𝐮 𝐟𝐢𝐜𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐝𝐨𝐝ó𝐢 𝐝𝐚 𝐜𝐚𝐛𝐞ç𝐚?
2022/02/12 - Detroit, EUA. 09h15.
"Sinto vozes sussurrando ao meu redor, pelo tom é uma voz masculina, desconhecida e muito fascinante. Tenho que descobrir o dono da voz cativante, preciso saber quem é, nesse exato instante!"
Acordo suado com Mino Stuart me olhando com a mesma cara de sempre - cara de nada. Dou uma bufada e resolvo tomar um banho para tentar esquecer esse sonho e tirar esse cheiro estranho vindo de mim.
Durante o banho penso no restante da minha semana, terei que lidar com Anwar choramingando porque perdeu para Amelie no joguinho estranho dos dois; penso automaticamente na minha mãe... terei que arranjar formas de viver na rua e só chegar da tarde da noite para não ver essa mulher. Acho que tenho que ir morar com Anwar logo, não irei dar trabalho para o sr. Gorky, ele me ama mais que o próprio Anwar.
Assim que termino de tomar banho e de escovar os dentes, saindo do banheiro e me direcionando para meu quarto, ouço a voz de Anwar.
(Mas como caralhos esse moleque entrou aqui?)
- Argh, cadê aquele estabanado do Ethan, hein, Mino? - resmunga Anwar como um velho carente. Tenho dó de Mino Stuart por ter que ouvir essas barbaridades.
- Estou aqui, idiota, e pare de perturbar Mino Stuart - digo fechando a porta do meu quarto, Anwar se assusta com a minha presença repentina e acaba caindo na minha cama.
- Qualé, Ethan! Precisa chegar desse jeito, oras. - Anwar diz fazendo um bico e acabo por rir da atitude infantil dele - Aliás, vai fazer algo essa tarde? Hein? Hein?
- Sabe que eu não tenho nada para fazer o dia inteiro, Gorky, por que ainda pergunta? - respondo vestindo meu short, meu amigo bufa resmungando.
- Você é chato demais, por que eu sou seu amigo? - pergunta pra si mesmo e eu reviro os olhos sorrindo, esse moleque é idiota demais.
- Você sabe muito bem a resposta, aliás, tu não vive sem mim. Quem é que você iria invadir a casa em plena às 09 da manhã somente para fazer uma pergunta muito óbvia vindo de extra uma resposta mais óbvia ainda? - refuto ele e sinto minha cabeça ser atingida pelo meu travesseiro. Nós dois nos olhamos e começamos uma guerra de travesseiros com muitas risadas sinceras e xingamentos pra lá de estranhos.
ϟ☠ϟ
2022/02/13 - Seul, Coreia do Sul. 23h15. BBUMM!!
Essa é a primeira vez, em toda a minha vida, que escuto um barulho tão alto nível grito da minha mãe quando está brava. Eu pulo fora da minha cama (que aliás estava bem quentinha) e resolvo procurar o motivo do barulho estrondoso.
No meio do caminho encontro Mano Brown, meu gato esquisito, o mesmo me olha com uma cara de morto e eu faço careta pra ele. Balanço à cabeça para as distrações e continuo a minha jornada, assim que eu ia entrar na sala alguém joga uma panela na minha direção e eu agradeço aos céus pelo sentido aranha, porque se eu não tivesse desviado eu ia morrer agorinha mesmo.
Quando entro de vez na sala avisto minhas mães e um desconhecido, Mama Jeon Ha-yun estava dando um mata-leão no desconhecido e Mama Min-ji encontrava-se prestes a me atacar. Eu não sei por qual motivo mas eu comecei a rir de nervoso com toda a situação, e acabei desmaiando.
Pois é, todo herói tem sua fraqueza, né? Não é pra julgar o mano aqui, beleza? Tá falado, então.
Não sei o que rolou depois de eu ter desmaiado, mas só sei que eu estava na minha cama e minhas mães, meu gato, e o desconhecido me olhando como se eu tivesse morrido. Estou me sentindo um pouquinho especial nesse instante.
- Mamães? Mano Brown? Desconhecido?
- Querido, você está bem? Você nos preocupou! - Mama Ha-yun passa a mão no meu cabelo e me dá um tapa no ombro em seguida. Essa mulher é louca, crendeuspai.
Quando eu ia responder sinto minhas mãos ficarem quentes e começarem a suar - será se estou ficando dodói da cabeça?
Minha respiração começa a ficar desregulada. Eu olho para as três figuras e o gato na minha frente, olho pro Mano Brown, olho pro meu celular, me levanto e saio correndo. Eu não sei o que está acontecendo comigo, meu corpo está fora de controle, não consigo controlar nada!
Quando eu finalmente paro de correr percebo que estou na frente de um cemitério.
- Wow, wow! Ok, isso definitivamente está ficando assustador e muito fora do controle. Pelo amor de Deus, não tô afim de morrer desse jeito não, sou jovem, bonito, tenho que salvar vidas, oras! - falo pra mim mesmo já virando pra voltar pra minha casa, mas assim que começo à caminhar para fora do cemitério algo chama minha atenção.
Uma luz num tom azul com pontos brancos brilhantes, algo ali me chamava atenção, resolvi então me aproximar não iria me fazer nenhum mal, certo?
Errado.
Oh boquinha grande eu tenho..
Assim que cheguei numa distância aceitável da seja lá o que isso deve ser, ouvi sons de corvos e começou a ventar muito forte. Meu sentido aranha ficou em alerta, algo ruim ia acontecer e então fiquei em pose de ataque.
Fiquei uns cinco minutos parada esperando qualquer movimento brusco mas nada havia acontecido, nada e nadinha de nada. Estava tudo calmo no cemitério. Até que a luz ficou mais forte e a ventania começará de novo, os corvos que estavam calados voltaram a fazer balbúrdia, não estava entendendo nada e então..
PUFF!!!
A luz se revelará um portal que começou a me sugar! Eu tentei me agarrar em tudo, mas tudo falhou, chorei (e muito), gritei por minhas mães, mas nada adiantou. Eu fui sugado por um portal desconhecido e quando percebi, estava em um lugar totalmente fora de realidade. Eu estava em um mundo paralelo.
Eu estava sozinho. Perdido. E pra piorar minha situação, eu não conhecia absolutamente ninguém que podia me ajudar.
Porra, Jeon Jungkook! Você é a pessoa mais sortuda do mundo, seu emo fedorento!















